NOSSOS OLHARES

Veja AQUI. A partir deste ponto, são muitas as possibilidades de navegação. Fotos louquíssimas. Estranhezas. Sem quaisquer considerações de caráter técnico ou que envolvam a discussão da utilização de recursos de produção, algumas imagens impressionam pela carga de subjetividades sugeridas ou possíveis. E que tocam “o olhar”, pelo menos assim imaginamos, de formas diversas. Em DERIVAS de moto, em algumas regiões do Estado (RS), impressiona o número de animais da fauna nativa mortos. A navegação por estes sites e blogs – de material fotográfico – também aponta para o fato de que podemos produzir imagens incríveis com pouquíssimos recursos de produção. Não nos damos conta do fato de que um universo de imagens hegemônicas (produtos da mídia corporativa) determinam e condicionam nossos olhares. E não só no plano do fotojornalismo. Nesse sentido a Internet, anarquicamente, possibilita o desconcerto. Provoca verdadeiros ruídos. Falar sobre uma imagem descrevendo a própria imagem é uma obviedade. Tentar pensar ou traduzir em palavras as subjetividades sugeridas é um instigante exercício para o JORNALISTA. É verdade que sempre corremos o risco, também, de dizermos obviedades, justamente por estarmos “olhando” subjetividades. Mas pelo menos é uma tentativa de tradução do nosso olhar. Imaginamos e refletimos.
ANOTAÇÕES – estou encerrando a terceira semana em sala de aula. Libertariamente, de forma nada professoral, disparo uma carga de energia para o estabelecimento de relações que deverão possibilitar a produção de dois jornais e uma revista com o máximo de qualidade. Quero a alma dos que estão afim de JORNALISMO. Não vou ensinar nada. Não vou facilitar nenhum caminho. Só vou fornecer as pistas, alguns roteiros, algumas possibilidades. Só aprendemos o que descobrimos. Assim, faço a diferença e construo a singularidade. Quase 20 anos depois de ter iniciado a atividade de “professor” sou o mesmo e sou um outro. Um exercício de resistência. Como jornalista estou “professor”.
Não sou responsável pela destruição da carreira de ninguém. Cada um de nós faz suas respectivas escolhas. Tenho contribuído, modestamente, para a formação de alguns bons jovens jornalistas. Repito que fazendo, na ponta do lápis, uma relação dos 30 melhores alunos, pelos meus critérios evidentemente, nenhum deles passou pela redação de Zero Hora. No máximo meia dúzia de exceções. Tenho uma biografia do bem. As punições que me são impostas pelo sistema são previsíveis diante do que digo, penso e faço. São as regras do jogo. Não tenho nada a reclamar da vida.
Vivo zensentido. No fluxo cósmico. Na mais absoluta plenitude da minha idade.




