EXEMPLO DE LIXO SHOWRNALÍSTICO

Crakolândia, Chavelândia, MSTlândia. Estas são expressões usadas pelo jornal Zero Hora. Pois Zerolândia – jornal ZERO HORA – edição dominical (28.03.2010), ”lembrando” a proximidade do mês de abril, período em que nos últimos anos o MST realiza manifestações, ”lembrou” a oportunidade “jornalística” de publicar esta ”matéria de gaveta”. O entrevistado é o procurador Justiça do Estado Gilberto Thums. Não vamos reproduzir trechos desta preciosidade, tanto em termos de perguntas como de respostas. A ”matéria” é do Carlos Wagner, conhecido na categoria pelo apelido de Causowagner. Apelido que não foi inventado por nós. Vale lembrar, sempre, que não existe não meu histórico pessoal, profissional e político um único caso dessa prática de dar apelidos.
Juro que gostaria de ficar afastado deste tipo de postagem. Tenho me esforçado. Mas às vezes o descaramento é demais. Se não posso comentar algumas matérias e fotos prefiro o silêncio.

Jornal ”Folha de São Paulo”, edição de 21.12.2009, pág.A14 com o entevistado Marcelo Goulart, promotor que atua desde 1985 na região de Ribeirão Preto (SP). É considerado um símbolo da corrente dos promotores que acreditam ser “agentes políticos” e que se definem como contrários a elite do país.
Esta é uma figura singular. Sim, daí a singularidade jornalística da entrevista. Não é uma “matéria de gaveta”. Não estamos dizendo que um jornal seja melhor do que o outro.
“FOLHA – o senhor é conhecido por atuar ao lado do MST e de entidades ambientais. Esse é o papel do promotor?
MARCELO GOULART – A visão do Ministério Público como mero agente processual está superada desde a promulgação da Constituição de 1988. O membro do Ministério Público é agente político e, hoje, tem a incumbência constitucional de defender o regime democrático e implementar a estratégia institucional de construir uma sociedade livre, justa e solidária.
FOLHA – Não há o risco de se aproximar demais de entidades das quais deveria manter distância?
GOULART – Os membros do Ministério Público têm clareza do seu papel social, dos limites de suas funções e do uso do instrumento jurídico de que dispõem. Assim, a aproximação entre Ministério Público e as forças progressistas da sociedade torna-se inevitável e necessária. É um bem, não é um mal.
FOLHA – Como o senhor o sr. distinque as entidades progressistas das outras?
GOULART – As forças sociais democráticas são aquelas que assumem o compromisso de implementar um projeto democrático da Constituição de 1988. A Constituição definiu para o país um modelo de Estado social e de democracia participativa. Os sujeitos políticos que atuam na defesa desse projeto são aliados naturais do Ministério Público na luta pela construção da hegemonia democrática. Não é difícil indentificá-los.
FOLHA – Por que os produtores rurais não seriam progressistas?
GOULART – Aqueles grupos que defendem um modelo de agricultura social e ambientalmente sustentáveis estão no campo democrático. Aqueles que, ao contrário, defendem um modelo que leva ao descumprimento da função social do imóvel rural estão no campo dos adversários do projeto democrático da Constituição da República. Esses defendem o padrão de produção agrícola hoje prevalecente no Brasil.
FOLHA – Que padrão é esse?
GOULART – O padrão que gera concentração fundiária, que utiliza de forma inadequada os recursos naturais e que degrada o ambiente por ser baseado na monocultura e na agroquímica. É um padrão concentrador da propriedade, da renda, da riqueza e do poder político. Por isso, contraria o projeto de Constituição.”
O “melhor” do jornalismo do gauchismo é um lixo. JORNALISTA trabalha, sempre, com noções de comparação. Comparem as duas matérias em todos os aspectos. Começando pela escolha do entrevistado. Aparelhos e representantes destas estruturas em posição de repressão não é novidade. Singularidade jormalística é a matéria da “Folha”. O repórter fez todas as perguntas jornalísticas. O do gauchismo colocou todas as “perguntas” na marca do pênalti. Foi para o gol e ficou de costas. É uma pena que sou muito pouco lido por estes carinhas. Poderiam aprender alguma coisa com a entrevista da “Folha”.
“FOLHA – Como o sr. definiria uma propriedade rural que não cumpre sua função social?
GOULART – A improdutiva, a que utiliza de forma inadequada os recursos naturais, degrada o ambiente e impõe condições sub-humanas de trabalho.
FOLHA – Uma área produtiva que não se curve à sua definição de função social pode ser desapropriada?
GOULART – Minha definição, não. A da Constituição. Juridicamente, pode. Agora, tem muita propriedade antes dessa para ser desapropriada. Tem que começar pelos casos mais graves.
FOLHA – O senhor parece não gostar de grandes proprietários rurais?
GOULART – No meu horizonte utópico não está presente um grande número de usina de açucar e álcool, por exemplo. No meu horizonte utópico estão a policultura, a geração de postos de trabalho no campo e a agricultura orgânica. Está o acesso do povo à terra, que é um direito fundamental negado desde o descobrimento. A estrutura fundiária brasileira é uma das principais razões de nosso subdesenvolvimento.”
ZERO HORA é lixo. Estou dizendo isso com 40 anos de profissão, quase 20 como professor de jornalismo na FABICO da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). E com 45 anos de militância política. Não gosto de me apresentar desta forma. Estou sendo obrigado. Sonho em ser um porra-louca anônimo.
Um militante do nada. Tenho o prazer jornalístico da crítica. Palavras e fotos como estiletes, sempre. Zensentido. Os ISMOS estão enterrados. E no meu horizonte utópico, viva a anarquia!





João — 29/03/2010 @ 17:23
A entrevista do Causolândia, como sempre, de tão RPlândia, merece mais um prêmio, talvez o “ARIgólândia”.
giovani montagner — 31/03/2010 @ 01:01
para um não jornalista como eu, mais didático impossível.
valeu professor
claudia cardoso — 7/04/2010 @ 23:12
Sabe o que me choca nas perguntas da FSP? O alto grau ideológico, sem que o entrevistador, creio, compreenda isso. Diferentes matérias, temas, mas o mesmo padrão imbecilizante neoliberal. O legal, é que eles publicam as entrevistas, mesmo qdo o repórter nao tem alcance para extrair o melhor dos entrevistados.
Abraço!