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POEMAS COMO CRIMES

        Se os legisladores se recusam a considerar poemas como crimes, então alguém precisa cometer os crimes que funcionam como poesia, ou textos que possuam a ressonância do terrorismo. Reconectar a poesia ao corpo a qualquer preço. Não crimes contra o corpo, mas contra Ideias (& Ideias-dentro-das-coisas) que sejam letais e asfixiantes. Não libertinagem estúpida, mas crimes exemplares, estéticos, crimes por amor.

Porto Alegre, proximidades da Rodoviária, em Lomography, máquina Diana F+, 120, filme Kodak 400TX, abertura em infinito, nenhuma manipulação, apenas leve diminuição da saturação. Final de tarde de um dia nublado. Lomo é uma abreviatura de Leningradskoye Optiko Mecanischeschkoye Obyedinenie (União de Óptica Mecânica de Leningrado).
        Ou melâncias roubadas são mais doces. A qualidade da percepção (fotográfica) define o mundo do inebriamento, mas o problema é sustentá-lo e expandi-lo, de tal forma que seja possível incluir os outros; e, isso exige um certo tipo de atividade, feitiçaria pura.      

SAMURAI DA REVOLUÇÃO

   Este é Freddy Maemura, Ernesto, o médico, o samurai da revolução. O estudande boliviano de medicina, em Cuba, escolhido por Che para uma das colunas guerrilheiras. Morreu como comandante da retaguarda.

Che em um momento de descanso na selva boliviana

Che, depois de descoberto, adota o nome de guerra Fernando Tiradentes. Imagem dele trabalhando como dentista em um povoado da região onde a guerrilha atuava.

Guerrilheiros em uma das travessias do rio Grande

Che fez, em um dos momentos mais críticos, uma reunião com seus homens para dizer:
“Reuni todo mundo para fazer um desabafo: estamos em situação difícil.  Pacho se recupera, mas eu sou um farrapo humano, e o episódio da égua – num ato de desespero ele esfaqueou o pesçoço do animal que o carregava – prova que, em certos momentos, cheguei a perder o controle. Isso se modificará, mas a situação deve pesar igualmente sobre todos, e quem não se sentir capaz de superá-la deve falar. É um dos momentos em que é necessário tormar decisões importantes. Esse tipo de luta nos dá a oportunidade de nos tornarmos revolucionários, o degrau mais alto da espécie humana, mas também permite que nos formemos como homens. Os que não conseguirem alcançar nenhuma dessas duas condições devem dizê-lo e abandonar a luta”.
       Todos os cubanos e alguns bolivianos disseram que seguiriam até o fim.

Do livro “Samarai da revolução – os sonhos e a luta de Freddy Maemura ao lado de Che”, da Mary Maemura e Héctor Maemura, editora Record. 

        Diante da grandeza destes seres humanos nossas atuais preocupações cotidianas não passam de mesquinharias.Termino a leitura deste livro fortalecido. De bem com a vida. Não tenho certezas. Mas tenho a sinceridade visceral, necessária, para brigar por libertade, igualdade e fraternidade. Continuo construindo e fortalecendo meu caráter.
        Jornalismo só é JORNALISMO se tiver o sentindo de subversão. O jornalismo de Bundões não fica nem como registro historiográfico. Vai para lixo da história.
       Cresce a dificuldade em escrever, fazendo das palavras estiletes que perfurem a alma das pessoas. Estou imobilizado. Não só pela censura. Breve volto para a sala de aula. Vou seguir o rito. A academia fez de mim um burocrata. Mas continuo tentando ser um intelectual da anarquia. E que não deixa o samba morrer.
        Mais uma vez obrigado, Che !

##### tenho me esforçado para ficar confuso. Desnorteado.  

SUGESTÃO DE CARDÁPIO
CAVIAR&blinis (panquecas pequenas e finas)
ovos com mais de cem anos; lulas e arroz cozido na tinta; berijelas cozidas com casca com alho preto em conserva; arroz silvestre com nozes negras e cogumuelos negros; trufas na manteiga enegrecida; carne de caça marinada com vinho do porto, grelhada no carvão negro, servida com fatias de pão preto e guarnecida com castanhas assadas. Cuba-libres; chá preto chinês. Muche de chocolate amargo, café turco, uvas negras, etc.  A comida pertence ao reino da vida diária, a arena principal de todo ato insurrecional de tornar-se poderoso, de auto-elevação espiritual, de toda retomada do prazer, de toda revolta contra a Máquina Planetária do Trabalho e seus desejos de imitação. Mantenhamo-nos longe de todo  dogmatismo. Um feiticeiro pode ser embriagar com um simples copo de água.
        Vai pensar ou não????!!!!!!! 

A BOLÍVIA DE EVO E OS SONHOS DE CHE

   Este é um dos relatos mais emocionantes que já li sobre a guerrilha comandada por Che na Bolívia. Revela detalhes desconhecidos. A história se constrói a partir da trajetória de Freddy Maemura, na guerrilha conhecido por Ernesto, o médico. Boliviano, estudava medicina em Cuba, escolhido por Che para integrar o destacamento guerrilheiro. O livro começa com a sua morte, capturado em uma emboscada em que morre toda a coluna da retarguarda. É torturado e executado. Um samurai. Em detalhes, a morte de Tânia, Haydée Tamara alguns dias antes da morte de Che. Freddy Maemura é de ascendência japonesa. É a sua coluna que trava o primeiro combate. São dois os autores do livro. Mary Maemura Hurtado, uma das irmãs de Freddy, trabalha como JORNALISTA em publicações relacionadas à imigração japonesa e à comunidade nipônica da Bolívia. Desde 2000, desempenha funções diplomáticas em Havana. Héctor Solares Maemura, também boliviano, trabalha com literatura, mas com atuações na área do jornalismo transitando entre Bolívia, Brasil e Japão. O livro é da editora Record.
       Existem muitas informações sobre o papel de Régis Debray, hoje destacado intelectual do mundo acadêmico francês, assim como do artista plástico argentino Ciro Bustos. Debray é o autor de  “Revolução na revolução”, livro que tenta sistematizar a experiência cubana e que vira cartilha  na América Latina. 
       Um relato incrível das traições do Partido Comunista Boliviano. Nas páginas 146/147 a relação completa dos guerrilheiros com seus nomes de guerra e origem. Morreram alguns quadros militares cubanos da máxima importância. O primeiro a morrer, na travessia de um rio, ainda sem nenhum combate travado, é um cubano. Che fala sobre esta perda. O livro aponta, em diversas passagens, alguns dos erros cometidos na escolha da área. 
        JORNALISMO como subversão. Leitura obrigatória, tanto para militantes, jornalistas, pesquisadores da história deste período, curiosos e historiadores de um modo geral. Recomendável, também, para Bundões (jornalistas ou não) dispostos a reforçarem suas convicções reacionárias e de que foram vitoriosos.
        A força de sonhos e de utopias superam derrotas, militares. Che vive e está no comando. O carnaval foi vermelho com invasões.
          Lembro Che – “aja de acordo com seu dever social e não com sua barriga”.  Ou ainda como diz Saramago “(…) continua existindo depois de ter morrido. Porque Che Guevara é somente o outro nome do que existe de mais justo e digno no espírito humano. O que tantas vezes vive adormecido dentro de nós. O que devemos despertar para conhecer e conhecermo-nos, para somar o passo humilde de cada um ao caminho de todos”. 

REGISTROS QUE SUBVERTEM

 
Jornal “Folha de São Paulo”, edição de 12.02.2010, Caderno Ilustrada, E4.

O trabalho é do fotógrafo italiano Daniele Tamagni. Os dândis congoleses vestem “ternos ultracoloridos, usam chapéus, luvas e prezam as boas maneiras. São sapeurs – dândis congoloses chamam a atenção em meio à paisagem africana. O nome vem de S.A.P.E., abreviação de Sociedade das Pessoas elegantes(…) os sapeurs não são homens ricos, têm uma vida comum, mas durante alguns eventos transformam-se com suas roupas (…) os primeiros sapeurs surgiram na década de 20, influenciados pelos colonizadores franceses (…) eles frequentam a igreja e pregam em seus sermões a não violência e a boa educação (…)”