ponto de vista

sonoridades

arquivo »

vídeos e fotos

  • capote
  • fuentes
  • james
  • mailer

Confira o projeto Jornalismo B Impresso - 2012 no @Catarse_ http://t.co/DItuH4h6

@editorwu no Twitter

NÃO POSSO IR MAIS FUNDO


“Anarquista” é o observador que vê o que vê e não o que se vê habitualmente. Ele reflete a respeito. Uma ideia de Paul Valéry.
Zerolândia (MSTlândia, Crakolândia, Chavelândia)***, a partir desta edição dominical (21.02.2010) abre na página 3 o espaço “Com a palavra, o fotógrafo”. Antes de mais nada, queremos assinalar que nossos objetivos já foram alcançados. Pelo menos, provisoriamente, não temos nenhum comentário acerca de velhas ou novas “fotocampanas ou fotocascatas”, o que não consideramos fotojornalismo. Não significa, seria ilusão de nossa parte, que este tipo de prática muito usada na implantação de subjetividades criminalizadoras - que interessam à firma – não volte a ser utilizada. Mas, se não estivesse sob censura, iria sugerir como jornalista, professor de jornalismo na UFRGS, fotógrafo, militante intelectual e anarquista ou como simples leitor, que fossem analisadas umas quatro ou cinco fotos. Só isso. Mas, como sou muito pouco lido, ando meio cansado de tudo que diz respeito ao exercício profissional nos padrões atuais, querendo o máximo de distância da rede de conivências corporativas, deixo apenas este registro. A motivação é para assinalar que, na próxima quarta-feira, terei mais uma audiência de um dos três processos movidos contra nós por um funcionário com 35 anos de PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações).
Não posso ir mais fundo. Não posso dizer o que penso. Não passei por situação semelhante, em plena ditadura, como editor do 1120 é Notícia da velha Rádio Continental. Sem paixão não é possível. Não tem jeito. Fico meio amargo. “Só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”, uma ideia de John Reed.
Aproveite o dia! Respire! Respire! Respire fundo!

*** Jornal Zero Hora = Zerolândia, expressões usadas em manchetes de capa em edições dominicais.

A LIÇÃO RBS

Eu tinha pouco mais de 20 anos quando comecei a trabalhar na televisão. Era uma empresa da RBS em Caxias do Sul. Encantada com o mundo do jornalismo, o qual eu perseguia desde menina, “vestir a camisa” da empresa me parecia a coisa mais certa a fazer. O trabalho passou a ser minha própria vida. Não havia separação. E era comum fazer milhares de horas extras sem ganhar nada, trabalhar nos finais de semana, feriados. Eu amava o Otaviano, meu chefe direto, que era um competente jornalista e me ensinou quase tudo o que eu sei, tinha profundo carinho pelo diretor da TV, o seu Ênio e atuava com companheiros do mais alto gabarito, seja no nível da reportagem (Britto Jr) ou da imagem (Vaderlei, Dino, Luis). Não via qualquer contradição entre capital X trabalho. Era uma alegre e bem comportada funcionária da RBS. Até que um dia, e própria empresa me deu uma lição que jamais pude esquecer.

Dentre os trabalhadores da rede, havia um por quem eu tinha muita ternura. Não vou aqui dizer o seu nome, mas ele atuava na área da engenharia. Era um pouco assim como eu. A empresa era sua primeira pele. Tudo fazia por ela e os colegas diziam que ele tinha trabalhado com Maurício (o criador da RBS) desde os tempos de Passo Fundo. Amava a RBS mais que a si mesmo, mas era totalmente puxa-saco. Como ele vinha muito à Caxias a gente sempre conversava muito e eu, espevitada, me irritava um pouco com aquilo. A gente brigava.

Naqueles dias de 1983 eu já incursionava pelas reuniões de sindicato da cidade, por conta das reportagens e admirava uma mulher, presidente do sindicato dos gráficos, que iniciava a construção do Partido dos Trabalhadores por lá. Foi quando comecei a me enredar nestas coisas da política e a perceber que as empresas capitalistas existem para sugar o sangue dos trabalhadores. Comecei a observar melhor minha relação com a RBS. Entrei para o sindicato dos radialistas e passei a exercer a função de delegada sindical. Tudo mudou pra mim e nas conversas que eu tinha com esse amigo, ele me dizia: “Olha, tu deixa isso pra lá, tu vai te queimar. A empresa te dá um pé na bunda. Larga de política e vai trabalhar”. Óbvio que não larguei, ao contrário, e quem me incentivou a mergulhar nisso foi a própria RBS.

Ocorre que esse meu amigo estava para se aposentar. Ele fazia planos, mas sofria por se saber fora daquele lugar que era a sua vida. E a gente falava muito sobre isso. Então, um dia, sem mais, nem porquê, nos chegou a notícia: o companheiro havia sido demitido. Tinha mais de 25 anos na empresa, a um passo da aposentadoria. Ficou sem eira nem beira, no chão. A RBS era seu mundo. Estava acabado. Cheguei a vê-lo meses depois, um homem arruinado. Então, na aurora do despertar da minha consciência de classe eu percebi: quando a gente vende a força de trabalho para uma empresa capitalista, duas coisas podem acontecer.

1 – Tu luta, e é demitido.
2 – Tu não luta, se esforça, defende e ama a empresa, e é demitido também.

A empresa me ensinou. Nunca mais tive dúvidas. E desde então, onde quer que vá, estou sempre na luta, no sindicato, nos movimentos. Porque o sistema que nos oprime não tem compaixão. O grande jornalista José Martí já educava. Melhor morrer de pé que viver ajoelhado.

No último mês de janeiro deste 2010 vários companheiros jornalistas desta mesma empresa foram demitidos. Muitos deles com mais de 15 anos de casa. Gente que deu seu sangue, sua vida pela RBS. Foram mandados embora assim, sem mais, nem menos. Talvez a empresa os considere velhos, sem criatividade e afinal, há um exército de meninos e meninas à espreita, esperando uma vaga na prima-irmã da platinada. Estes companheiros e companheiras fizeram tudo certinho, trabalharam com afinco e dedicação, raros se meteram em lutas laborais. E esta é paga. Eu aqui me solidarizo com estes companheiros, por quem tenho profundo respeito e admiração. Posso imaginar a dor e a perplexidade, assim como senti naquele longínquo amigo.

Então escrevo essas linhas, para lembrar aos jovens esta triste lição: o trabalho duro e comprometido junto às empresas capitalistas não nos garante qualquer compaixão. Neste sistema perverso só a luta coletiva nos leva a conquistas de vida digna. Só a luta solidária nos aproxima e nos irmana na busca de um mundo novo. Estarmos juntos e em comunhão é nossa única opção contra a rapina do capital!

de Elaine Tavares em PALAVRAS INSURGENTES

LEIA MENOS LIXO


LOMOGRAPHY - Máguina Diana F+, filme Fujicolor 120mm, 400asa, abertura em infinito, negativo 6×6 “escaneado”. Deriva de moto, estrada para São José do Norte. Luminosidade das primeiras horas da manhã.
 
Vivemos em um sociedade que faz propaganda de suas mercadorias com imagens de morte e mutilação. A morte fica melhor na Tv do que na vida. Maravilhosas mentiras se tornam realidade. Nós gostamos da vida no Paleolítico e que foi resumida pela antropologia dos povos sem autoridade: a elegante preguiça da sociedade caçador/coletor, o trabalho de apenas duas horas por dia, uma acentuada obsessão pela arte, dança, poesia, assim como a valorização das relações de afetividade. Além é claro do cultivo das percepções. Vale lembrar a estreita relação entre sexualidade e trabalho.
        Não temos a ilusão de que práticas “cascateiras” não venham a ser usadas em outros momentos. Eles alternam padrões de manipulação por fragmentação, indução, inversão e ocultação. E as técnicas utilizadas são muitas. Tenho conseguido não ler tanto lixo, jornais. 
        FOTOJORNALISMO não é cenografia ou “cascata”.
 
No centro do capitalismo o cara que engana o leitor pode até ir em cana. Aqui, bem o contrário, o cara não admite qualquer crítica ou contestação e de quebra processa o leitor. A parada foi denunciada, num primeiro momento, por um blog. E aquilo que estamos dizendo. Antes o cara aprontava e virava comentário nas mesas de bar. Com a Internet a coisa mudou, pelo menos um pouco. Este jornalismo, tipo e modelo gauchismo, é uma piada. De uma tragédia. A rede de conivências corporativas cultiva o silêncio. O produto final (eles gostam desta expressão) é a falta de credibilidade. Usam por aqui, também no gauchismo, como alternativa o acerto por cima. A empresa se acerta com a outra pra livrar a cara do profissional. A nota é do “Estadão”, edição de 18.02.2010, pág.A19.
       E eu vou deixar de falar, em sala de aula, sobre os anjinhos? Não. Sou contrário a esta libertinagem enganosa e estúpida que não respeita o leitor. Propomos crimes exemplares, estéticos, crimes por amor ao caráter e à dignidade. Lamento não poder ser mais direto e contundente. Estou sob censura.
       Recomendamos que cada um rogue uma praga horrível contra uma instituição malígna, tal como Zerolândia (Jornal Zero Hora, da RBS). Pena que sou pouco lido por eles. Poderia aumentar minha coleção de processos. Uma técnica adaptada dos feiticeiros da Malásia consiste em enviar para a empresa um pacote com uma garrafa selada com cera negra. E dentro dela: insetos mortos, escorpiões, lagartos e junto um saco com terra de cemitério (“gris-gris” na terminologia vodu), junto com outras substâncias nocivas; alguns ovos perfurados por alfinetes de ferro, uma máquina de escrever antiga de ferro, também; e um pergaminho com a palavra BUNDÕES.
        Estamos armazenando bombas vermelhas, todas disfarçadas de negras, para todos estes fascistas estéticos – elas explodem com esperma, ervas hilariantes (as chapantes estão escondidas), produtos da pirataria, heresias xiitas e muitas fontes paradisíacas borbulantes, com ritmos de alta compexidade, pulsações de vida e muitos componentes do lixo eletrônico.
       Não tou nem aí. Qui se implodam. 

PERGAMINHO COM A PALAVRA BUNDÕES

       ESTA É A SEGUNDA POSTAGEM DO DIA

       Acredite ou não, a feitiçaria não infrige nenhuma lei da natureza pelo simples fato de não existe nenhuma Lei Natural. Existe apenas a espontaneidade. O Tao. A feitiçaria viola, de fato, as leis que procuram deter o seu fluxo. Padres, governantes, místicos, cientistas, agentes dos serviços de inteligência consideram a feitiçaria uma inimiga. Uma ameça ao poder e às ações de resistência a toda esta imensa teia ilusória que é o sistema. Daí a importância das colunas clandestinas do Movimento de Libertação Vodu Revolucionário. Não fique brincando de sobreviver. Nem tão pouco fique esperando que a revolução promovida por alguém ilumine suas idéias. Não faça parte de nenhum exército. Aja como fosse livre. Calcule sempre as probabilidades. Fume maconha, coma galinha e tome muito chá. Não fique parado no meio do fogo cruzado. Proteja-se, mas arrisque-se, também, dance antes que vire pó. Os feiticeiros são os autênticos realistas.
       Recomendamos que cada um rogue uma praga horrível contra uma instituição malígna, tal como Zerolândia (Jornal Zero Hora, da RBS). Uma técnica adaptada dos feiticeiros da Malásia consiste em enviar para a empresa um pacote com uma garrafa selada com cera negra. E dentro dela: insetos mortos, escorpiões, lagartos e junto um saco com terra de cemitério (“gris-gris” na terminologia vodu), junto com outras substâncias nocivas; alguns ovos perfurados por alfinetes de ferro, uma máquina de escrever antiga de ferro, também; e um pergaminho com a palavra BUNDÕES.
        Estamos armazenando bombas negras paras todos estes fascistas estéticos – elas explodem com esperma, ervas hilariantes, produtos da pirataria, heresias xiitas e muitas fontes paradisíacas borbulantes, com ritmos de alta compexidade, pulsações de vida e muitos componentes do lixo eletrônico.
         E, a seguir, respire! Sinta o hálito do mundo, da rua em sucessivas derivas. Aproveite o dia e tome uma cachaça. Faz bem pra saúde.