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OBVIEDADES DO SHOWRNALISMO

LOMOGRAFHY – com máquina Diana F+, filme 120mm, Fujicolor asa400, foco em infinito, abertura para “sol”, negativo 6×6 “escaneado”, nenhuma manipulação com corte na parte inferior. Tarde de verão com alta luminosidade, avenida Independência, proximidades do centro de PA. Sentido centro/bairro.
 
Enquanto simples impressão, a fotografia impõe uma ação corporal (física) do fotógrafo no decorrer do fato, enquanto máquina munida de propriedade singular (uma LOMO é pura singularidade) de fixar um instante preciso (luz, movimento), ela descarrega a duração do presente vivido num instante perfeitamente delimitado: um presente abstrato, sem densidade, da captação, com a atualização do disparo repentino, brevíssimo, e às vezes barulhento do obturador (no caso da Lomo muito barulhento).
       Mas, segundo alguns teórios, existe uma outra temporalidade, diversa, a “do disparo mecânico, que contrai infinitamente o presente vivido e durável do operador em um presente indivisível: um ponto infinitesimal do tempo”. O resultado em Lomo é sempre próximo das imagens de um sonho. 
       Aqui, uma fusão de ideias resultante de muitas e confusas leituras. Não consigo abandonar o hábito de pensar, criticamente. Não consigo pensar o jornalismo sem a crítica. Dizer o óbvio de uma foto é o óbvio. No showrnalismo, é claro. “Fotocampana” e “fotocascata” não é fotojornalismo. A primeira é uma atividade policialesca. É cartografia à serviço dos aparelhos repressivos. E a segunda é cenografia, cujo objetivo é criar e fortalecer subjetividades reacionárias. Estamos partindo da suposição de que posso fazer esta afirmação com 40 anos de jornalismo, quase 20 como professor da UFRGS e uns 45 como militante político, dois dos quais na cadeia. Não gosto de me apresentar assim. Estou sendo obrigado pelas circunstâncias. Não decorre desta biografia a pretensão de ser o dono da verdade. Nem quando jovem tive esta necessidade. É indicativo, apenas, da ilimitada vontade de lutar por liberdade de expressão. Nunca sonhei com o poder. Nossos objetivos já foram alcançados, pelo menos provisoriamente. Seria ingenuidade, por outro lado, acreditarmos que tais práticas tenham sido definitivamente abandonadas. Os processos de manipulação se alternam com períodos de busca da “credibilidade”. Todos os que estão vinculados à rede de conivências corporativas entendem o que estamos falando. Não são burros e nem ingênuos. São só Bundões, a espécie que mais prolifera no jornalismo desses tempos. Todos diplomados.       
       Insisto:   “Anarquista é o observador que vê o que vê e não o que se vê habitualmente. Ele reflete a respeito”, de Paul Valéry. Nos tempos atuais acredito que é possível mudar o mundo sem tomar o poder. Uma idéia zapatista.
        Sonho em incorporar o espírito de um Tarso de Castro e conseguir ser visceralmente ácido, fazendo das palavras estiletes perfurantes de almas. Gosto de brigar por ideias. É um vício. E tenho outros.

************* mais uma vez, sem o sentido da formalidade e da simples educação, agradeço a todos que manifestam solidariedade. Sei que conto com os “fluídos do bem” dos que exercem com dignidade o JORNALISMO. 

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