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GRAÇAS AOS BONS DEUSES

        Graças aos bons deuses não sou obrigado a fotografar, contrariado e burocraticamente. Os fotógrafos da mídia corporativa sabem do que estou falando.  
        Não tenho o que reclamar da vida. Sempre gostei de gente. Jornalista é um apaixonado por histórias. Por se relacionar com pessoas. Por singularidades. Antes de escrever é preciso saber escutar. Daí a subversão. Quando vivo situações como esta sinto que sou apaixonado pela profissão. Pela vida. Não consigo controlar a curiosidade. Fico emocionado.

O casal Adriane e Lino com a filha Nicole de dois anos. Adriane tem uma lesão de medula e Lino uma doença muscular.
 
Adriane e Nicole, mãe e filha em relação de inteiro afeto. Em alguns momentos Nicole mamou no peito. Elas estavam lindas. Alegres.
 
Adriane cuida da filha e da casa. Lino é um Dijei. Estava trabalhando em casas do Rio de Janeiro. Não tinha como o bar não parar para olhar a harmonia dos três. Este detalhe era que chamava a atenção. Foram super atenciosos comigo. O Dijei Lino estava feliz.
       Tive um lição de vida por estas imagens. Fotojornalismo não é cenografia. É uma pena que algo tão visceral toque a alma de tão poucos. Vou dar aula de quê? 
       Jornalismo está na alma encantada das ruas. Com tempo e treino, sem jamais perder a sensibilidade e a humildade, um dia ainda vou conseguir ser um anarcojornalista.  

3 Comentários »

  1. natusch — 26/02/2010 @ 13:28

    Fiquei com os olhos marejados. Tanta beleza e tanta verdade em tão poucas imagens e palavras… O mundo está aí, esperando por nós, jornalistas de alma. Esperando que façamos não o nosso dever, não a nossa obrigação – mas, simplesmente, o que não podemos nem queremos evitar. Ver, ouvir, perguntar, aprender, tentar entender, contar e registrar. Sem pensar em estabilidade ou lucro, sem planejar o futuro, sem ignorar o presente. Não por corporações ou por glórias – por pura satisfação pessoal. Que assim seja. Lindo registro, Ungaretti.

  2. Souza — 26/02/2010 @ 19:48

    Poesia pura, como deve ser a fotografia. Informar com imagens nunca deveria ser codificar a violência com tecnologia. O showrnalismo dos jornalões atuais, especialmente os sulistas, subverteu a vocação do jornalismo, associando a esse conceito a produção e circulação de outra coisa – mascaramento ideológico da realidade. Diversas instituições reacionárias, e até mesmo a justiça, tem dado apoioa a isso. Relacionar épocas, condições e atitudes; diversificar os ângulos do que se vê, para enxergar melhor; interagir com o que está além das aparências, são práticas cada vez mais raras ante à velocidade e as simplificações que orientam o ensino manualístico desde as escolas de comunicologia às redações. Viva os sorrisos desdentados das ruas, que permamentemente desconcertam e perturbam as imagens fabricadas e frias que ilustram as colunas sociais, que nada tem de social. Parabéns!

  3. Prestes — 26/02/2010 @ 20:13

    Baita história!


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