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A MÍDIA FAZ A SUA PARTE


A Usina vista a partir do Rio Guaíba, PA. 2009 – foto wu. 

        Na discussão em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos, a direita grita por uma investigação das atividades da esquerda durante o período da ditadura. Todos estão fechados com a ideia de que “devemos investigar os dois lados”. Ou esquecermos tudo. Dá para entender.
        A esquerda, quase em que sua totalidade, teve seus militantes investigados, torturados, presos e exilados. E alguns mortos. Não existe uma única grande ação da esquerda armada, do período da ditadura, que não tenha sido completamente desvendada. Vão querer investigar e descobrir mais “novidades” sobre o Gabeira, sequestro do embaixador americano e o MR8?  Sobre a militância da companheira Dilma? Ou sobre o estudante que não foi preso, mas imprimia e distribuia panfletos? Isso é uma piada.
        É preciso investigar como foram mortos e quem participou das sessões de tortura nas “fossas” dos DOPS, DOI-CODIs. Nós, militantes deste período, sabemos que foram mortos na tortura ou executados. Pouco sabemos da morte de Jeová (militante da ALN) no interior de Goiás. A sociedade sabe muito pouco desse período. O JCristo, integrante do CCC com atuação na OBAN, segundo a revista CartaCapital, é um “tranquilo” delegado em uma cidade do interior de São Paulo. E os outros? É evidente que muitos estão aposentados. Que grupos empresariais colocaram grana na OBAN para financiar a luta contra o “terrorismo”? São os mesmos que, hoje, financiam a revista Veja? Quantos agentes o cabo Anselmo conseguiu infiltrar nas organizações? Ou que agentes acobertavam ou “abriam” as organizações para a atuação do cabo? Ele era ou não agente, provocador, desde o levante dos marinheiros no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio? Que torturadores foram interrogar militantes brasileiros em Santiago, após o golpe contra o governo Allende? Quem eram os “jornalistas/agentes”, do grupo Frias (jornal Folha de São Paulo) que plantavam informações da fuga de companheiros presos? Onde estão os corpos dos guerrilheiros do Araguaia?
          Da atuação da direita só temos uma história “oficial”. A história da nossa “clandestidade” foi aberta com a dor da tortura. Mais uma vez, a mídia corporativa cumpre seu papel de hegemonizar o consenso reacionário de que devemos esquecer tudo. Ou de que devemos “investigar os dois lados”. Esta é uma ameaça que a esquerda não deve temer. Do nosso lado não há o que descobrir.
        A gritaria deve ser por agradecimento pelas estruturas montadas durante o período da ditadura. É só verificarmos o crescimento da Rede Globo – e suas afiliadas – nos tempos do ministro Antônio Carlos Magalhães, das Comunicações. Com ou sem diploma este jornalismo que aí está é merda. A unidade da direita no governo Lula é exemplar. Os dirigentes dos movimentos sociais foram coptados. A relação destes com país real é ficção. Tarso de Castro com o seu talento, no velho Pasquim, diria muito mais. Com 75 quilos de músculos e fúria.        
          Não aguento mais. Qualquer dias desses vou desaparecer. Estou com a idade adeguada para mandar tudo para o espaço. Consegui ser um professor não professoral. Continuo não querendo ensinar nada. Estou na ruas, em meio ao povão,  treinando, em tarefas de AGITPROP (agitação e propaganda). Em direção do nada.
           Marginais, uni-vos!

############### em setembro de 1968, cerca de três meses após a decretação do AI-5, o Jornal do Brasil publicou um texto assinado por Carlos Marighella, cujo conteúdo, em   formato de cartilha, explicava como organizar um foco guerrilheiro.
             Porra! JORNALISMO É SUBVERSÃO.

## texto sem revisão, o que deverá ser feito com acréscimos ao longo do dia. 

2 Comentários »

  1. Rock é Rock Mesmo — 11/01/2010 @ 10:42

    Um dos irmãos Sirotsky, em uma reunião com empresários de uma cidade do interior: “A ditadura foi um período importantíssimo para que chegassemos ao desenvolvimento que temos hoje no país.” Precisa mais?

  2. RPB — 12/01/2010 @ 20:45

    Estou c/ 40, mas hoje 12/1/2010 foi um escárnio, esperando o bus na Cristovão sei lá quanto tempo e aí tu imagina ou pensa como uma sardinha, apertado, quente, de pé é foda!!Falta atitude, descer do bus, tocar fogo e ir a pé p/ casa e esperar noutro dia se não terá mais bus, que corja essa… Associação do Traíras Profissionais.Uma hora esse povo vai se revoltar!!


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