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Escrever é "confiar no caráter inesgotável do murmúrio." de André Breton. É minha contribuição por hoje.

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NO INSTANTE DECISIVO


Henri Cartier-Bresson, 1969

“No instante decisivo”,
duas mulheres de gerações
distintas lendo jornal,
após maio de 68. Na
La Brassiere Lipp, Paris,
França. Não é cenografia.

BRUNO BISANG

“Toda mujer es poseedora de uma fuente de feminidade y sensualidade única. Intendo plasmar el erotismo de la mujer sin caer em la vulgaridad. Existe una fina línea que separa estos dos conceptos, pero mi pasión y mil motivación consisten en expresar y preservar el rastro visible de ese esplendor.”

“Me encanta la intencidad de las mujeres latinas, de esas mujeres passionales com cuerpos seductores que derrochan sensualidad. Las prefiero morenas, y las chicas que uso ahora son por regla general professionales que se ciñen a esta descripción… La modelo participa activamente en cada aspecto de la sesión. Se mueve y posa a su gusto…” 

### do livro “The New Erotic Photography”, editora Tschen.

ELES “brigam” MENOS COM A NOTÍCIA


Comentamos esta foto na postagem de 26.10.2009  com o título “Sem cascata é fotojornalismo”. Destacamos, também, que a imagem impressionava por várias razões, mas muito pelo fato de mostrar um grande número de adolescentes em atitude de extrema curiosidade. Apontamos para o fato de que tal foto não tinha gerado, na própria imprensa, algum tipo de comentário. Pois o “Estadão”, edição de 01.11.2009, abriu uma página inteira do ”Caderno ALIÁS” para um texto relatando o que passou a acontecer com este corpo encontrado dentro de um carrinho de supermercado em um do acessos ao Morro dos Macacos, Vila Isabel, Rio de Janeiro. É simplesmente inacreditável.
       Até 2012, com a cidade voltada para os preparativos das Olimpídas, a previsão é de que 33 mil jovens sem cara serão assassinados, segundo relatório do Observatório das Favelas. Não é uma guerra. É uma política de extermínio dos pobres. Menos Estado Previdenciário e mais Estado Penitenciário. A produção de bens simbólicos, criminalizadores, por parte da mídia corporativa legitima o massacre.
 
O texto é um belo exemplo de como é possível construir uma materia jornalística, com sentido de subversão, uma verdadeira raridade nos tempos de pasteurização e espetáculo. E é possível até mesmo em um jornal conservador como o “Estadão”, desde que a política não seja a de brigar contra a notícia.

A JUNÇÃO DE MÁQUINA E FOTÓGRAFO


Filme Fujichrome 400 asa, 120mm, lomography com Diana F+, lente 38mm, regulada para sol com nuvens, foco em infinito, revelação invertida, negativo 6×6 “escaneado” sem nenhuma manipulação digital, com corte na parte inferior. Centro de PA, Largo Glênio Peres. Ou fragmentos do Mercado Público.
 
Especificações técnicas idênticas. A imprevisibilidade dos resultados e as “imperfeições” técnicas (lomography) estão na direção inversa da pausterização do atual “olhar digital”. Do aperta o botão, olha e apaga e faz de novo. A fotorreportagem passou a existir, concretamente, a partir de uma junção: o da máquina e o fotógrafo. Por isso mesmo, Cartier-Bresson, em 1931, vai dizer que a “Leica tornou-se o prolongamento do meu olho e não me larga mais”.
       É uma pena (ou sorte?) estarmos proibidos de comentar materiais publicados pelo jornal Zero Hora (velha Zerolândia), pois destacaríamos o atual processo de absoluta contenção da ”cascata”. É possível que tenhamos dado uma pequena contribuição para que ocorra um maior controle. O que não significa que não voltará a ocorrer. É evidente que a conjuntura política mudou; e como decorrência “novos critérios editorias são mais jornalísticos”. “Desapareceu”, por exemplo, a terrível “onda” de violência dos tempos do Secretário das Humanidades, Paulo Bisol. “Roubo de carro-forte / Bando sequestra blindado”, da edição de hoje estaria na capa e nos cartazes das esquinas. Nos pontos de venda. A mídia corporativa opera – sempre - com um padrão médio de sacanagens. De manipulação por inversão, ocultação, indução e fragmentação.
      

###Agradeço o convite, mas não participo de exposições e de concursos para premiação. É uma questão de princípio e de coerência. 

NOTA
       Voltamos a ter problemas de ordem técnica com equipamentos. Podemos ficar impedidos de realizar as postagens diárias por um breve período.