O RETRATO
Chico Buarque, de João
Henrique Netto, o Johnny,
em “Eles falam da Alma”. Nas
sextas-feiras postamos uma
foto e algumas linhas sobre
o autor. E, nos sábados,
seguiremos publicando
um retrato. No anterior foi
de Marcelo Nova.
Escrever é "confiar no caráter inesgotável do murmúrio." de André Breton. É minha contribuição por hoje.
Chico Buarque, de João
Henrique Netto, o Johnny,
em “Eles falam da Alma”. Nas
sextas-feiras postamos uma
foto e algumas linhas sobre
o autor. E, nos sábados,
seguiremos publicando
um retrato. No anterior foi
de Marcelo Nova.

Sempre interessado pelas questões antropológicas, Scianna fotografou muitas manifestações dos californianos voltados para o culto do corpo. A foto, de 1985, mostra exercícios em aparelho de argolas em Venice Beach.
O italiano Ferdinando Scianna passa a se interessar pela fotografia como decorrência de sua curiosidade sobre questões antropológicas. Bacharel em filosofia, com especialização em História da Arte pela Universidade de Palermo, começou com a colaboração do escritor Leonardo Sciascia, a retratar de maneira sistemática os lugares e os costumes típicos da Sicília. A partir de 1967, trabalhou para a revista L’Europeu. É desse período suas viagens pelo mundo. Em 1987, passou a integrar a agência Magnum, na condição de sócio. Ao conhecer Cartier-Bresson, em 1977, publicou o livro “Os Sicilianos”. Trabalhou como fotógrafo de moda, publicando em “Dolce&Gabbana”. (fotos e informações da Coleção Folha Grandes Fotógrafos – Esportes, n.14)
Nessa série de postagens, das últimas sextas, tendo por tema grandes fotógrafos o que chama atenção, além das fotos evidentemente, é a formação intelectual dos profissionais. Não tem nenhum tosco. E o que menos aparece são premiações na biografia de cada um destes fotógrafos.
A FOTO
A China comemorou os 60 anos da revolução. A foto é da AP, em 24.09.2009, publicada pelo jornal “Estadão”, página A16, edição de 01.10.2009. Impressiona pela simetria. O camarada Mao chegou a dizer, poucos anos antes de sua morte, que indepentemente de comunismo ou capitalismo, a China seria uma potência no ano 2000. Errou por muito pouco. O capitalismo chinês foi construído com um brutal sacríficio do povo e de alguns milhares de comunistas. Acumulação primitiva do capital, na porrada.
No bairro Bom Fim (PA), onde muitas casas antigas estão sendo postas abaixo para a construção de “moderníssimos” prédios, o número de pessoas dormindo nas calçadas é a “incomodação”. Grande parte do projeto de “revitalização” da área, incluindo aí a reforma do auditório Araújo Viana, nas chamadas parcerias público/privadas, “moderniza” os equipamentos urbanos para receber os novos moradores. Não, evidentemente, estes que dormem nas calçadas.

Este é um tipo de moradia muito usado na região. Material plástico de grandes embalagens.
Muito usada é este outro tipo, de papelão. Serve tanto em dias frios como mais quentes.
Nos últimos tempos temos algumas dúvidas sobre a realização ou não deste tipo de postagem. Verificamos que, em alguns casos, involuntariamente, trabalhamos para o serviço de cartografia dos aparelhos repressivos. Apontamos, onde existe “uma situação de desvio” em que o aparelho de Estado precisa realizar o trabalho de higienização.

Este prédio, localizado na R. Fernandes Vieira, ocupa a área de cinco casas antigas. São raríssimas as ruas do bairro em que não está sendo levantado um grande prédio.
O showrnalismo está de costas para a cidade real. O poderio das construtoras e dos conglomerados econômicos é que determina as pautas. Nunca é demais apontarmos esta obviedade. O ”fotojornalismo” da atualidade não trabalha com este tipo de registro. É só perfumarias e foto/divulgação.
A Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do RS (Arfoc) tem recebido a filiação de um bom número de agentes P2 (Serviço de Inteligência da Brigada Militar), o que facilita a movimentação “destes fotógrafos” nas manifestações dos movimentos sociais. Esta é a informação que circula na categoria. Alguns “agentes/fotográficos” estão fazendo questão de mostrar aos profissionais que estão credenciados e, na brindeira, chegam a dizer: “é daí colega???????!!!!!!!!!”. Assim, nenhum deles vai precisar usar um crachá da Carta Maior.
Quem dúvida de que, em breve, poderemos ter algum “agente/fotográfico” recebendo um prêmio ARI-gó (da Associação Riogradense de Imprensa). Quem dúvida?
Gostaríamos de ter o máximo de distância de tudo isso. De cada profissional (dos antigos e dos ex-alunos) que encontramos ficamos sabendo alguma história escabrosa. Sem fofoca.

Fuzilamento em 1919. Foto do mexicano Augutín Casasola. Nenhum indicativo de uma “fotocampana” ou de uma ”cascata”. Quantos prêmios ganhou este fotógrafo? Nenhum.

Foto de 1914. Augustín Casasola foi criador de uma agência, cujo acervo passou a ser conhecido como “Archivo Casasola”. Edward Weston e Tina Modotti, assim como os muralistas, eram admiradores da obra deste fotógrafo. Não consegui maiores elementos sobre estas duas fotos. O que se sabe é que a história da fotografia no México começou quase ao mesmo tempo que no restante do mundo. A pesquisa no Google fica por cada de vocês.
Viva Zapata e os zapatistas