
A revista CartaCapital, desta semana, publica
três páginas, escritas por Rosane Pavan,
comentando a obra de Henri Cartier-Bresson.
O “gancho” é o lançamento do livro “Henri
Cartier-Bresson – Fotógrafo”. A foto é dele,
com sua pequena Leica, lente 50mm, na
Quinta Avenida, em 1959. Ele dizia que:
“Fotografar é, num mesmo instante e numa fração
de segundo, reconhecer um fato e organizar
com rigor as formas percebidas visualmente, que
exprimem esse fato e o significam. É COLOCAR
NA MESMA LINHA DE MIRA A CABEÇA, O OLHO
E O CORAÇÃO.”
CURTAS
*** A chamada de capa do Caderno de
Cultura do jornal “Estadão”, edição dominical,
13.09.2009 é para “Os olhos da fotografia”,
Sebastião Salgado fala do Projeto Gênesis. É
a página central do Caderno.
*** Na mesma edição, no caderno Cidades/
Metrópoles, página C12 temos “Em busca
da São Paulo esquecida”, com uma matéria
relatando a atividade do fotógrafo Douglas
Nascimento no registro do que pode desaparecer
na cidade nos próximos anos.
Nossa homenagem a Soledad Barret Viedma, a Sol, militante comunista internacionalista, morta na chacina da Chácara de São Bento, em Pernambuco, pela traição e delação do cabo Anselmo. Este filho-da-puta, durante anos, transitou pelas mais diversas organizações da esquerda brasileira. Sempre acompanhado e respaldado por “companheiros” sobre o quais, também, haviam dúvidas. O Partidão (Partido Comunista Brasileiro) – que tinha por prática acusar os que divergiam de agentes provocadores – dizia (desde 1962) que Anselmo era um agente infiltrado. É possível que nesse caso tenha acertado. Cabo Anselmo “foge” da prisão, na Quinta da Boa Vista, por um esquema que envolvia militantes da AP(Ação Popular) e da POLOP (Política Operária). Transitou pelo Rio Grande do Sul e, no Uruguai, conviveu no círculo de pessoas próximas de Leonel Brizola. Passou por Porto Alegre acompanhado por um ex-líder estudantil, com passagens pelo Patidão, AP e Polop. E sobre o qual haviam suspeitas de ligação com a polícia. A seguir aparece em Cuba, na Conferência da OLAS, ao lado de Carlos Marighella, este já organizando a ALN (Aliança Libertadora Nacional). Encontra-se com Carlos Lamarca, no Estado do Rio de Janeiro, quando este está sob os cuidados do MR-8. E liquida com a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), em Recife, no massacre da Chácara de São Bento. Em 72, na OBAN (Operação Bandeirantes, em São Paulo) um marinheiro de nome Ivan (consta da lista dos desaparecidos), preso na cela zero se não estamos enganados, dizia que o cabo Anselmo era o responsável pela sua prisão no Rio de Janeiro. E que a prisão e morte do Cabo era uma encenação. Ivan, em alguns momentos, cantava músicas de Paulinho da Viola. Tinha certeza de que seria executado.
Estamos indicando este livro: “Soledad no Recife”, de Urariano Mota, da Editora Boitempo. Sol estava grávida do Cabo Anselmo quando foi assassinada. O autor tem uma longa militância política e como jornalista. É colaborador do Observatório da Imprensa e já teve alguns textos publicados pela revista Carta Capital. Utilizando-se de recursos literários (velho e bom jornalismo), o autor nos dá uma dimensão da tragédia que representou para as organizações de esquerda o livre trânsito do cabo Anselmo por todas elas. Este agente vive, desde o final da ditadura até hoje, com a proteção de integrantes dos antigos serviços de inteligência. E todas as suas “misteriosas” aparições, talvez com excessão da primeira matéria publicada pela revista Istoé, quando localizado em algum ponto da fronteira com o Paraguai, foram articuladas por estas estruturas remanescentes do tempo da ditadura com a mídia corporativa.
A verdadeira trajetória deste agente – que começa antes de 1964/véspera do golpe) ainda está por ser contada. Cabo Anselmo é responsável pela morte de centenas de militantes que lutaram contra a ditadura.
Capa do Jornal do Comércio, de Recife, em 11.01.1973
A Sol e demais
companheiros
assassinados
ousar lutar
ousar vencer
Soledad no viviste em soledad
pero eso tu vida no se borra
simplesmente se colma de señales
Soledad no morist en soledad
por eso tudo muerta no le llora
simplesmente la izamos em aire*
De Mario Benedetti
“muerte le Soledad Barret”
**** “Soledad, não viveste em solidão/ por isso tua vida não se apaga/simplesmente transborda de sinais// Soledad, não morreste em solidão/por isso tua morte não se chora/simplesmente a levantamos no ar.”
SAUDAÇÕES AO CAMARADA SALVADOR ALLENDE
NESSE 11 DE SETEMBRO (é só clicar aqui e visitar as páginas que editamos em 2005)
Eles são da periferia de PA. São integrantes do grupo de dança Flabt Dolls. Gente finíssima. Alegres e simpáticos. Programa de feriadão no Parque Redenção.

O grupo não tem um estilo definido de dança. Todos, orgulhosos de suas origens africanas. Este é o nosso país. Não estão nas páginas da mídia corporativa. Buscam um espaço de trabalho. Como daçarinos. São belos modelos, também.
L’ Aquila, região de Abruzzo, Itália
Henri Cartier-Bresson, 1951
Um registro de alta singularidade. As
pessoa parecem que foram dispostas
como figurantes. É uma panorâmica
das ruas da localidade de L’Aquila.
Não deixe de ler AVE LEICA.
“Das regras que se impõe Cartier-Bresson, a ausência de um corte posterior, reparador dos defeitos da fotografia original, é a mais importante. Se as outras regras, inclusive o uso constante de lente normal, asseguram o mais possível que a fotografia registrará o mundo como foi visto, é justo essa integridade de visão, mesmo que não vejamos através de um retângulo, que a ausência de corte posterior melhoria. Mas também alteraria. A alteração mais importante seria o deslocamento, ao cortar uma fotografia, do seu ponto de fuga principal. Numa fotografia de Cartier-Bresson, o ponto de fuga principal se encontra sempre no centro da fotografia, dado que elas não foram cortadas. Dessa propriedade, Cartier-Bresson faz pouquíssimas vezes uso estético. Mas ela não deixa, por isso, de estar presente como o centro perspectivo de cada composição.” (Trecho do texto “O instante radiante”, de Alberto Tassinari)
AVE LEICA

Foto de Alessandro Biachi/Reuters. Publicada pelo jornal “Estadão”, em 02.09.2009, capa do Segundo Caderno. Voltem ao artigo Ave leica e voltem a esta foto. Façam isso várias vezes. Deu para entender o absurdo?
Como diz o fotógrafo Elliot Erwitt, da Agência Magnum, em entrevista ao jornal ”Folha de SP” (07.09.2009/ ver postagem anterior), estes não são fotojornalistas, mas vendedores de sucrilhos e automóveis.
Agradeço a todos que estão me convidando para falar sobre o fotojornalismo atual e a inutilidade do diploma.