Josef Koudelka (1938) é o fotógrafo desta semana. Nossa escolha é aleatória. Ele é natural de uma pequena cidade da região da Morávia. Antes de se dedicar à fotografia atuou na indústria da antiga Checoslováquia como engenheiro aeronáutico. Depois de fotografar, em 1970, os acontecimentos da Primavera de Praga foi viver exilado em Paris e Londres. É membro da agência Magnum desde 1974. A partir dos anos 90, seu trabalho está orientado para a fotografia de locais desolados, captados com câmaras panorâmicas.
No lombo, Espanha, 1971

Material reproduzido da Coleção
Folha Grandes fotógrafos,
volume 11, Vilarejos.
Fidel Castro e Che fotografados em uma cela, presos no México, em julho de 1956. É a primeira foto em que aparecem juntos.
“A vontade de olhar para o interior das coisas torna a visão aguçada, a visão penetrante. Transforma a visão numa violência. Ela decreta a falha, a fenda, a fissura pela qual se pode violar o segredo das coisas ocultas. A partir dessa vontade de olhar para o interior das coisas, de olhar o que não se vê, o que não se deve ver, formam-se estranhos devaneios tensos, devaneios que formam o vinco entre as sombrancelhas.” (Gaston Bachelard)

Rua da Praia, centro de Porto Alegre, Páscoa de 1988, negativo 6×9, filme 400 asas, 120, pb, velocidade 100, abertura em infinito, diafrágma em 4.5, máquina Agfa Record II, de fole. Imagem “escaneada” da cópia em sépia. Nenhuma manipulação no photoshop.
ESTADO ABANDONO E SUA BANDEIRA
Passarela da Rodiviária de Porto Alegre, 29 de julho, cerca de 15 graus, em torno das 17hrs. E esta bandeira não e cascata. A foto é de Daniel Hammes.
“A ambição do fotógrafo alemão August Sander, cuja coleção ‘ Espelho dos alemães’ foi publicada em 1929, era retratar a sociedade através de fotogafias de indivíduos típicos. Da mesma forma, o fotógrafo americano Roy Stryker apresentou o que ele denominou de fotografias ‘documentaristas’ a historiadores como uma nova forma de ‘capturar itens importantes porém fugazes na cena social’. Por semelhantes razões, Georde Caleb Brigham, o pintor americano de cenas do cotiadiano do século 19, foi descrito como um ‘historiador social’ do seu tempo. (do livro Testemunha Ocular, de Peter Burke)
Elevada da Conceição, centro de Porto Alegre, final de tarde, filme 120, Superia X-TRA 400. Foto a partir da calçada da Av. Independência. Reprodução ”scaneada” de uma cópia 10×10 em papel fosco, sem nenhuma manipulação no Photoshop. Máquina Holga, toda de plástico, mesmo mecanismo da Loma. Impossível prever o resultado. Um divertido e lúdico bringuedo. Fotojornalismo é flanar. Cartografia é repressão.
” A vida real caminha melhor se lhe dermos suas justas férias de irrealidade.” (Bachelard)
Como dizia Gaston Barchelard “só olhamos com uma paixão estética as paisagens que vimos antes em sonho.” Fotos feitas no Parque da Redenção, em Porto Alegre.
Ele também dizia que “o devaneio na criança é um devaneio materialista. A criança é um materialista nato. Seus primeiros sonhos são os sonhos das substâncias orgânicas.”
Minguém conseguirá calar as almas inquietas. Até hoje, sempre, encontrei o caminho da subversão. Lewis Hine (1874/1940) dizia que “as fotografias não mentem, mas mentirosos podem fotografar.”
No Largo do Mercado Público, centro de Porto Alegre, um dos shows de um grupo de artistas de rua. Ainda Flusser “… Por certo, o aparelho faz o que o fotógrafo quer que faça, mas o fotógrafo pode apenas querer o que o aparelho pode fazer. De maneira que não apenas o gesto mais a própria intenção do fotógrafo são programados. Todas as imagens que o fotógrafo produz são, em tese, futuráveis para quem calculou o programa do aparelho. São imagens prováveis.”
Além de fotografar pensamos, criticamente. E a imagem não foi roubada. Não praticamos fotocampana. Mostramos a cara, sempre.
A IMAGEM QUE DIZ TUDO

Suhaib Salem/ Reuters – Folha de São Paulo, edição 27.07.2009, págA12, com a legenda “Menino palestino passa por mesquita destruída pela última ofensiva israelense em Gaza.”