“Mendigos e altivos”, de Albert Cossery é um livro editado pela Conrad. Henry Miller disse que “nenhum escritor descreve de forma mais pugente e implacável a existência das grandes multidões submersas. Atinge abismos de desespero, degradação e resignação quem nem Gorki ou Dostoiéviski representaram.” Para o Le Monde “Cossery, ‘o preguiçoso, escolhe seus adjetivos, trabalha suas frases ao extremo, mantendo sua Bic suspensa até que elas estajam perfeitas em termos de ritmo e sentido.”
Albert Cossary, autor deste livro, nasceu no Cairo em 1913 e passou a morar na França a partir de 1945. Desde 1951 ocupa o mesmo quarto de hotel na periferia da cidade. Ao longo dos seus mais de 60 anos de carreira, foi amigo de escritores como Boris Vian, Jean Genet, Henry Miller e Albert Camus. Ele é um apólogo da preguiça e do prazer, publicou apenas oito livros, todos ambientados no Egito e, em suas próprias palavras, foram escritos ao ritmo de ‘uma frase por dia’. “Mendigos e Altivos” foi escrito em 1955, já foi adpatado duas vezes para o cinema – 1971 por Jaques Poitrenaud e em 1991 por Asma El Bakiri – e uma para quadrinhos por Golo em 1991. O livro tem como centro “a miséria como questão de honra. A mendicância como um estilo de vida. Na periferia do Cairo, vive uma multidão totalmente à margem do que se considera a vida civilizada. Entre eles Gohar, um ex-professor universitário que abdica de sua confortável posição para adotar a vida de mendigo e acaba arrebanhando um pequeno séquito de seguidores. Ou Yéghen, poeta e traficante de haxixe cujo cotidiano inclui diversas entradas e saídas da cadeia. Ou ainda El Kord, pequeno funcionário público com pretensões de transformar o mundo. Em comum entre eles, a recusa radical ao modo de vida burguês e a forma peculiar de ostentar o mais impressionante orgulho em meio ao mais profundo abandono”.
Tornar-se ’selvagem’ é sempre um ato de erotismo, um ato de desnudamento. Em 20 anos pertubando (sem arrogância acadêmica) as estruturas do ensino de showrnalismo, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico), não tinha ainda presenciado um semestre tão cinzento. Absoluta indiferença à sala de aula, desilução completa com a possiblidade do exercício efetivo do JORNALISMO; e, um grande número de alunos na reta final do curso pensando trocar de profissão. Nossa proposta é de que se realize um bacanal já que novo currículo não mudou nada. Os que participam de levantes invariavelmente notam seus aspectos festivos, mesmo em meio à luta armada, perigos e riscos. O levante é como um bacanal que escapou – ou foi forçado a desaparecer – de seu intervalo intercalado e agora esta livre para aparecer em qualquer lugar ou qualquer hora. Liberto do tempo e do espaço, ele, no entanto, possui com faro para o amadurecimentos de novos eventos e afinidades. Tenho proposto, em sala de aula, o ‘desaparecimento de todos nós’ em sucessivas brincadeiras em que eu enceno estar ensinando e todos encenam aprender uma bobagem qualquer. E, nos corredores da Faculdade das Irrelevâncias Comparadas; ou, na mesa de um bar, (livres do mofo-moderno) conversaremos algumas coisas de interesse comum. Raros momentos de manifestações de paixão pela profissão, em extinção. Grande parte de tudo que já aconteceu de melhor do JORNALISMO, em nosso país, rolou nas mesas dos bares.
JORNALISMO é subversão. E só rola promovendo bacanais. Em atos de erotismo ‘selvagem”. Nas ruas.
&&&&&&& os textos desta semana são resultantes de parceriais estabelecidas entre Hakim Bey, Sheik Abu Sa´id, Charles Fourier, Cara de Cavalo, Rabelais, Abu Nuwas, Mineirinho, Marcinho VP, Oscar Wilde, Marcola e a turma do PCC, Emma Golman, Wu, Sir Richard Burton, Uê e a turma do CV, Hélio Oiticica com seus parangolés e Antonin Artaud. Geoge Bataille pouco contribuiu. Anda envolvido com a produção do texto “A história do olho do cu”.
E não esqueça que policiais são terroristas com as credenciais certas. Professores devem ser reprovados. E que a esquerda é um zero à esquerda.
Sim, perfurar tua mente com o estilete das palavras. Este deve ser o objetivo de todo JORNALISTA. No dia de hoje, andando pelas ruas, cada um de vocês deve escolher a imagem. FOTOJORNALISMO não é cenografia. Qualquer sociedade que você construir terá seus limites. E para além dos limites de qualquer sociedade os desregrados e heróicos vagabundos vagarão, com seus pensamentos selvagens e virgens – aqueles que não podem viver sem constantemente planejar novas e terríveis rebeliões! Quero estar entre eles!
Ajudando os mendigos, moradores de rua, catadores de lixo você estará impedindo a higenização da cidade. Será uma importante contribuição para desorganização do trabalho dos cartógrafos do Estado, sempre viscerais na repressão. Gaste, diariamente, algumas moedas com o povo das ruas. Estimule a ocupação das calçadas. Presentei um povo da rua com uma garrafa de pinga. Altere a geografia das calçadas. Na prática da DERIVA descubra e indique locais para o povo da rua ocupar. Cachaça é a caloria disponível e possível. A pedra é criação do sistema para eliminar os pobres. Não existe tragédia e muito menos flagelo. Existe um genocídio do excedente de miseráveis. Matéria prima que o showrnalismo transforma em espetáculo.
Pense soluções radicais e que nos leve a sucessivos levantes. E se movimente sempre na clandestinidade. Não tenha ilusões. Só sonhos. Utopias. E sempre que possível não perca a oportunidade de rir. É a melhor terapia para enfrentar tanta hipocrisia.
Fotografar uma concentração de mendigos que ocupam com regularidade um mesmo espaço é facilitar a vida dos cartógrafos do sistema repressivo. É contribuir – também – para a prática já introjetada pelos showrnalistas. Estes “escrivinham” e “showtografam” cobrando, dos colegas, cartógrafos, um monitoramento mais eficiente. E do Estado a implantação das políticas higenizadoras. Ajudam o sistema a monitorar os “distúrbios”. Showrnalista diplomados, da mídia corporativa, são agentes do aparelho ideológico repressivo. São eficientes cartógrafos do sistema.
Precisamos ter mais atenção. Toda vez que mostramos um espaço de liberdade a repressão baixa para destruir. Muitas vezes ao apontarmos as “misérias”, do sistema, estamos ajudando a higenização. A política que eles (agentes do aparelho de Estado) denominam de recuperação dos espaços públicos. Devemos manter – até mesmo - os miseráveis em movimento. Pela construção de centenas de colunas guerrilheiras circulando pelas calçadas. Ou de kamikazes. Kami significando “deus” e kaze significando vento. Deriva permanente. É uma tarefa urgente ensinarmos que o nomadismo é uma forma de levante. A idéia é resgatar o sentido de bando. Showrnalistas são burocratas e cartógrafos do sistema.
JORNALISMO é subversão.
Que o estilete-palavras
de hoje
perfure tua mente
e que a
ausência de imagens
fique como um desafio
ande pela cidade com
um olhos abertos e atentos
escolha a imagem-estilete
SEM TERRA ENCERRAM JEJUM E
CONSEGUEM REVERTER DESPEJO
(Da Agência Chasque de Notícias)
Trabalhadores Sem Terra encerraram nesta terça-feira (12/5) o jejum realizado há uma semana em Porto Alegre e em Canoas (RS). O protesto visava pressionar o Ministério Público Federal (MPF) para que revertesse a decisão de despejar as 208 famílias que vivem no acampamento Jair Antônio da Costa, em Nova Santa Rita, na região metropolitana. Os Sem Terra decidiram terminar o protesto depois da audiência de conciliação realizada na tarde de terça na Justiça Federal de Canoas. Ficou acordado que as famílias do acampamento poderão permanecer na área cedida pelo assentamento até o final do ano, prazo dado para que sejam assentadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Também foi decidido que as 50 famílias acampadas na fazenda Granja Nenê se mudem para o acampamento Jair, onde ficarão até também serem assentadas. Para a acampada e integrante do MST, Luciana da Rosa, o acordo foi uma vitória das famílias Sem Terra. “A vitória foi fruto da disposição das famílias em lutarem por esse espaço aqui que é um território de assentamento, é um território nosso. Não tem porque sermos despejados dessa forma. Ao mesmo tempo que ganhamos por ficar aqui e pelo assentamento das famílias”, argumenta. O MST realizou outros quatro jejuns no interior do Estado para pressionar o Ministério Público. Nesta terça-feira, os Sem Terra bloquearam estradas federais em quatro cidades gaúchas a fim de reverter o despejo.O Ministério Público Federal alegava que o acampamento Jair Antônio da Costa ocupava uma área de preservação ambiental do assentamento, o que é ilegal e por isso deveria deixar a área. No entanto, as famílias acampadas questionaram a decisão e prometiam resistir ao despejo.
Esta é uma parceria mais antiga. Andam sumidos. A característica do comportamento desta parceria era a extrema mobilidade. Eram vistos em diversos pontos da cidade. Nomadismo absoluto. Humores etílicos, sempre.
“Mendigo e vagabundo, é o que aparece aos olhos daqueles que recusaram o combate contra esses deuses para se entregarem de corpo e alma eximindo-se de toda luta. Sujos, hirsutos, fedorentos, vestidos de farrapos, amarrados como embrulhos, protegidos por artefatos que são também uma colagem de dejetos, os mendigos aumentam freqüentemente sua claudicação pelo uso do álcool como único viático, único revigorante permetido para atravessar as provas do frio, da fome, da noite, da solidão, do abandono e do isolamento. O vinho ruim dá ao corpo algo com que se sustentar e se aquecer quando tudo em volta a se mostrar hostil.” (texto do livro “A Política do Rebelde”, de Michel Onfray, da editora Rocco, pág.65)
Que a imagem
e o
texto de Michel Onfray
se façam estiletes.
E que estes, no dia de hoje,
perfurem teu estômago.
O deles quase sempe
está vazio.
A principal caloria consumida
é a cachaça.
A gang de Bonnot (grupo de bandidos anarquistas liderados por Jules Bonnot que aterrorizou a França entre 1911 e 1912) era vetariano e bebia apenas água. Terminaram mal (embora de forma pitoresta). Vegetais e água, coisas excelentes em si mesmas – pura realidade zen – não devem ser consumidas como martírio, mas como uma epifania. A autonegação como práxis radical, o impulso leveller, tem um quê de tristeza milenar, e esta facção da esquerda compartilha o mesmo manancial histórico do fundamentalismo neopuritano e da reação moralísta da nossa década. A Nova Ascese, não importa se praticada por anoréxicos de saúde desequilibrada, sofisticados sociólogos policiais, niilista caretas do centro da cidade, fascistas batistas do sul, militares socialistas, republicanos drug-free… a força motivadora é a mesma: RESSENTIMENTOS. O sistema é movido por pessoas ressentidas. Nas fuças do falso moralismo analgésico do mundo contemporâneo, erigiremos uma galeria de bustos com nossos antepassados heróis que mantiveram viva a luta contra a má consciência, mas que também souberam se divertir. Uma homenagem a todos os marginais. Este texto, por exemplo, foi aprovado por Sheik Abu Sa´id, Charles Fourier, Cara de Cavalo, Rabelais, Abu Nuwas, Mineirinho, Marcinho VP, Oscar Wilde, Marcola e a turma do PCC, Emma Golman, Wu, Sir Richard Burton, Uê e a turma do CV, Hélio Oiticica com seus parangolés e Antonin Artaud. Geoge Bataille andava desaparecido. Dizem alguns que estava envolvido com a produção do texto “A história do olho do cu”.
Diplomados são cartógrafos do sistema. A qualidade das informações é padrão Veja. JORNALISMO é subversão.
Esta é outra parceria. Largo Glênio Peres, sexta-feira passada, centro de Porto Alegre. Estavam muito alcolizados e confusos. Não foi possível estalecer um diálogo proveitoso. Não entenderam o que estávamos pedindo. Esta é a geografia das calçadas.
Uma tarde de grande movimento no local. A mais absoluta indiferença diante da cena. Sim, dois brasileiros.
Na geografia das calçadas eles são o “lixo” do sistema. Restos humanos.
Mesmo na dor são capazes de gestos de afetividade. Dois brasileiros com corações ainda marcados por bons sentimentos.
Que estas imagens
e o
reduzido número de
palavras
tenham a função de
estiletes.
Que perfurem teu coração.
E teus olhos.
O conceito de TAZ (Zona Antonôma Temporária) surge inicialmente de uma crítica à revolução, e de uma análise do levante. A revolução classifica o levante como um fracasso. Mas, para nós, um levante representa uma possiblidade muito mais interessante, do pontodevista de uma psicologia de libertação , do que as “bem-sucedidas” revoluções burguesas, comunistas, fascistas, etc. A revolução fechou-se, mas a possibilidade do levante está aberta. Por ora, concentramos nossas forças em “irrupções” temporárias, evitando o enredamento com “soluções permanentes”. O mapa está fechado, mas a zona autônoma está aberta; metaforicamente, ela se desdobra por dentro das dimensões fractais invisíveis à cartografia do Controle. E aqui podemos apresentar o conceito de psicotopologia (e psicotopografia) como uma “ciência” alternativa àquela da pesquisa e criação de mapas e “imperialismo” psíquico do Estado. Estamos à procura de “espaços” (geográficos, sociais, culturais, imaginários) com potencial de florecer como zonas autonômas – dos momentos em que estejam relativamente abertos, seja por negligência do Estado ou pelo fato de terem passado despercebidos pelos cartógrafos, ou por qualquer outra razão. A psicotopologia é a arte de submergir em busca de potenciais. De TAZ.
Ajudando os mendigos, moradores de rua, catadores de lixo você estará impedindo a higenização da cidade. Concentração de mendigos pode ser TAZ. Será uma importante contribuição para desorganização do trabalho dos cartógrafos do Estado, sempre viscerais na repressão. Gaste, diariamente, algumas moedas com o povo das ruas. Estimule a ocupação das marquizes. Presentei um povo da rua com uma garrafa de pinga. Na prática da DERIVA descubra e indique locais para o povo da rua ocupar. Cachaça é a caloria disponível e possível. A pedra é criação do sistema para eliminar os pobres. Não existe tragédia e muito menos flagelo. Existe um genocídio do excedente de miseráveis. Matéria prima que o showrnalismo transforma em espetáculo.
Só pense soluções radicais e que nos leve a sucessivos levantes. E se movimente sempre na clandestinidade. Não tenha ilusões. Só sonhos. Utopias. E sempre que possível não perca a oportunidade de rir. É a melhor terapia para enfrentar tanta hipocrisia.
Fotografar uma concentração de mendigos que ocupam com regularidade um mesmo espaço é facilitar a vida dos cartógrafos do sistema repressivo. É contribuir – também – para a prática já introjetada pelos showrnalistas. Estes “escrivinham” e “showtografam” cobrando, dos cartógrafos, um monitoramento mais eficiente. E do Estado a implantação das políticas higenizadoras. Ajudam o sistema a monitorar os “distúrbios”.Showrnalista diplomados, da mídia corporativa, são agentes do aparelho ideológico repressivo. São eficientes cartógrafos do sistema.
Precisamos ter mais atenção. Toda vez que mostramos um espaço de liberdade a repressão baixa para destruir. Muitas vezes ao apontarmos as “misérias”, do sistema, estamos ajudando a higenização. A política que eles (agentes do aparelho de Estado) denominam de recuperação dos espaços públicos. Devemos manter – até mesmo - os miseráveis em movimento. Pela construção de centenas de colunas guerrilheiras circulando pelas calçadas. Ou de kamikazes. Kami significando “deus” e kaze significando vento. Deriva permanente. É uma tarefa urgente ensinarmos que o nomadismo é uma forma de levante.
JORNALISMO é subversão.