HISTÓRIAS DO MERCADO

O nome dele é Rubmar das Virgens Rodrigues. É de Uruguaiana, onde trabalhava como tosquiador e na doma de cavalos. Está fazendo cinco anos que veio para Porto Alegre. Mora no bairro Leopoldina e vive, na atualidade, de biscates.

Ontem, em um dos bares da volta do Mercado Público (PA), passou umas três horas interagindo com os garçons e público, circulando por quase todas as mesas, como se fosse um surdo-mudo. Por gestos ou por bilhetes, escritos nos guardanapos, contava alguns aspectos de sua vida. Quando voltou a falar causou o maior espanto. Uma parte, incluindo um dos garçons, ficou puta com a brincadeira; e, uma outra parte não se continha às gargalhadas. O cara jura que foi a primeira vez que fez isso. Imaginem a cena, no final de tarde, quando uma boa parte dos frequentadores estão, no mínimo, medianamente alcolizados.
Participei intensamente da brincadeira tentando conversar com o cara; e, ao mesmo tempo, me sentido incapaz por não entender boa parte de sua fala. Desde o início, quando cheguei Rubmar já se encontrava no bar, achei que tinha uma ”história” para contar e fotografar.
Flanando, vou aprendendo um pouco mais sobre a vida. Ainda fico emocionado quando faço jornalismo vivendo, intensamente, cada minuto. A frase de John Reed é tudo.




