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"Kafka não tinha muito aptidão para viver, só vivia quando escrevia." de Maurice Blanchot.

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A QUEM INTERESSAR POSSA

        A repentina “valorização” do fotojornalismo, com direito à citação dos mestres como Sebastião Salgado (?) e Walter Evans, é puro jogo de cena. Perseu Abramo já dizia que a grande imprensa se movimenta por um “padrão médio” de manipulação. Na média, o “fotojornalismo” que se pratica, hoje em dia, é o da foto/divulgação, da fotocampana tipo paparazzo, da fotocascata, das imagens de pessoas belas e jovens. Editores passam este tipo de pedido. Do material fotográfico já “editado” pelas agências. Quase tudo é cenografia. A mídia corporativa, com raríssimas exceções, está literalmente de costas para os reais problemas das grandes cidades. “Discute” e “mostra” tudo. Menos, é claro, o fato e a prática de que os atuais padrões de consumo estão destruindo o planeta. O “showrnalismo” publicitário/rp estimula o consumismo e esconde a realidade. Esta só interessa (tipo a brutal violência) quando reforça a imposição de subjetividades reacionárias.
       O paparazzo parece ser um profissional que trabalha com absoluta liberdade e com total mobilidade. Bem ao contrário. Este “profissional” é que introduziu a prática da “campana”. Inspirado na atividade policialesca fica dias de tocaia, imobilizado. O paparazzo busca uma presa, uma celebridade. O “fotojornalista da campana” da mídia corporativa busca outro tipo de presa. Contribui para a cartografia, mapeamento dos miseráveis. Dos marginais, dos que estão à margem. Nenhum dos dois faz fotojornalismo. A lógica em ambas as atividades é a mesma: espetáculo, sensacionalismo, lucros, venda de emoções. Uma corrida desvairada pelo lucro por parte das empresas. “Profissionais” que se acham poderosos e acima de quaisquer suspeitas. Submetidos às poderosas teleobjetivas. Ferramenta de trabalho que estabelece a maior distância possível entre quem fotografa e o que se fotografa. 
       Imagens de uma Vila sendo destruída para o “avanço do desenvolvimento” com a ampliação do aeroporto, mesmo considerando que os moradores receberão moradias melhores, é uma prática igualmente de cartografia. É colocar em evidência a “notícia positiva”. Só nessas situações interessa a proximidade fotógrafo/objeto.
        Jornalismo é subversão. O que aí está é perfumaria. E nesse caso perfumaria dominical. A crítica só não é mais contundente, dando nome a todos os bois, por estarmos sob censura. Ação movida por um funcionário com 35 anos de serviços prestados ao PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação). Está fazendo um ano que estamos impedidos de escrever o que pensamos. Nem no tempo da ditadura, trabalhando na velha Rádio Continental, após sair da cadeia, fui submetido a tal regime de censura. O moralismo e a censura foram ”legalizados” pela mídia corporativa, substituindo os mecanismos repressivos de uma ditadura militar. Estamos na “ditabranda”, deles. 
         Saudades de Tarso de Castro. Do velho Pasquim onde se podia escrever o que se pensava. Do Coojornal de tantos combates. 

1 Comentário »

  1. Ariela — 9/01/2010 @ 02:39

    a agenda positiva da zh rompeu qualquer resquício de sobriedade. desde dezembro, o jornal tem recebido doses diárias de LSD em seus textos, mostrando um RS bucólico e tranquilo e uma PoA cor-de-rosa, sem falar nas delícias do verão gaúcho. é realmente irritante aos mal-humorados doentios como eu, não encontrar nada que se assemelhe à realidade neste jornal.
    beijos pra ti, e um ano de menos hipocrisia a todos nós, com mais batalhas ganhas.
    A.


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