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BRUNO BISANG

“Toda mujer es poseedora de uma fuente de feminidade y sensualidade única. Intendo plasmar el erotismo de la mujer sin caer em la vulgaridad. Existe una fina línea que separa estos dos conceptos, pero mi pasión y mil motivación consisten en expresar y preservar el rastro visible de ese esplendor.”

“Me encanta la intencidad de las mujeres latinas, de esas mujeres passionales com cuerpos seductores que derrochan sensualidad. Las prefiero morenas, y las chicas que uso ahora son por regla general professionales que se ciñen a esta descripción… La modelo participa activamente en cada aspecto de la sesión. Se mueve y posa a su gusto…” 

### do livro “The New Erotic Photography”, editora Tschen.

ELES “brigam” MENOS COM A NOTÍCIA


Comentamos esta foto na postagem de 26.10.2009  com o título “Sem cascata é fotojornalismo”. Destacamos, também, que a imagem impressionava por várias razões, mas muito pelo fato de mostrar um grande número de adolescentes em atitude de extrema curiosidade. Apontamos para o fato de que tal foto não tinha gerado, na própria imprensa, algum tipo de comentário. Pois o “Estadão”, edição de 01.11.2009, abriu uma página inteira do ”Caderno ALIÁS” para um texto relatando o que passou a acontecer com este corpo encontrado dentro de um carrinho de supermercado em um do acessos ao Morro dos Macacos, Vila Isabel, Rio de Janeiro. É simplesmente inacreditável.
       Até 2012, com a cidade voltada para os preparativos das Olimpídas, a previsão é de que 33 mil jovens sem cara serão assassinados, segundo relatório do Observatório das Favelas. Não é uma guerra. É uma política de extermínio dos pobres. Menos Estado Previdenciário e mais Estado Penitenciário. A produção de bens simbólicos, criminalizadores, por parte da mídia corporativa legitima o massacre.
 
O texto é um belo exemplo de como é possível construir uma materia jornalística, com sentido de subversão, uma verdadeira raridade nos tempos de pasteurização e espetáculo. E é possível até mesmo em um jornal conservador como o “Estadão”, desde que a política não seja a de brigar contra a notícia.

A JUNÇÃO DE MÁQUINA E FOTÓGRAFO


Filme Fujichrome 400 asa, 120mm, lomography com Diana F+, lente 38mm, regulada para sol com nuvens, foco em infinito, revelação invertida, negativo 6×6 “escaneado” sem nenhuma manipulação digital, com corte na parte inferior. Centro de PA, Largo Glênio Peres. Ou fragmentos do Mercado Público.
 
Especificações técnicas idênticas. A imprevisibilidade dos resultados e as “imperfeições” técnicas (lomography) estão na direção inversa da pausterização do atual “olhar digital”. Do aperta o botão, olha e apaga e faz de novo. A fotorreportagem passou a existir, concretamente, a partir de uma junção: o da máquina e o fotógrafo. Por isso mesmo, Cartier-Bresson, em 1931, vai dizer que a “Leica tornou-se o prolongamento do meu olho e não me larga mais”.
       É uma pena (ou sorte?) estarmos proibidos de comentar materiais publicados pelo jornal Zero Hora (velha Zerolândia), pois destacaríamos o atual processo de absoluta contenção da ”cascata”. É possível que tenhamos dado uma pequena contribuição para que ocorra um maior controle. O que não significa que não voltará a ocorrer. É evidente que a conjuntura política mudou; e como decorrência “novos critérios editorias são mais jornalísticos”. “Desapareceu”, por exemplo, a terrível “onda” de violência dos tempos do Secretário das Humanidades, Paulo Bisol. “Roubo de carro-forte / Bando sequestra blindado”, da edição de hoje estaria na capa e nos cartazes das esquinas. Nos pontos de venda. A mídia corporativa opera – sempre - com um padrão médio de sacanagens. De manipulação por inversão, ocultação, indução e fragmentação.
      

###Agradeço o convite, mas não participo de exposições e de concursos para premiação. É uma questão de princípio e de coerência. 

NOTA
       Voltamos a ter problemas de ordem técnica com equipamentos. Podemos ficar impedidos de realizar as postagens diárias por um breve período. 

GRANDES RETRATISTAS


De Heinrich Kuehn – Portrait, 1911 – Photogravure – 17.7 x 14.3 cm, do livro Camara Work – 1903/1917.

Femme de fermier, Alabama, 1936, de Walter Evans, o fotógrafo americano da grande depressão. Do livro Photo Poche, de Evans, editora Nathan. Edição francesa.  

      Nunca é demais lembrarmos que a informação por imagens, principalmente a partir da década de 20, não se apoia apenas no desenvolvimento da fotografia instantânea. Foi preciso uma grande evolução no campo da tipografia e, em especial da tinta tipográfica. Imagens resultantes do desenvolvimento e conjungação de sais de prata e os novos recursos de impressão. Os grandes fotógrafos nunca abandonaram a produção de retratos.
       É bem possível que revendo todo o acervo de livros de fotos e sobre fotografia, dentro de algum tempo, consiga estar preparado para dar umas ”aulinhas” sobre fotojornalismo. É evidente que fotojornalismo como subversão. Ainda do tempo que jornalista era intelectual. Do tempo que fotógrafo não era um simples apertador de botão. Do tempo que fotógrafo trazia o “seu olhar” para a redação e não introjetava o ”olhar” da empresa. Do tempo que foto/divulgação ia para a lata do lixo.