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PELA MILÉSIMA VEZ


Família, Hale Country, Alabama, 1936, de Walter Evans.

       A produção de bens simbólicos, da reportagem “às pressas”, é parte importante da concorrência e da lógica do lucro. É, também, parte da concepção de que é possível recolher “o verdadeiro” mantendo distância do fato (do objeto), captando apenas a superfície das coisas. Em sentido contrário, o verdadeiro fotojornalismo mergulha na realidade e as pessoas são o centro. A verdadeira reportagem fotográfica não produz uma representação. Procura traduzir situações humanas que ultrapassem, no maior grau possivel, o visível. O jornalista rompe com a solidão e o distanciamento em relação ao mundo. A realidade é “parceira” e a postura não é, em nada, predadora. 
        Mil desculpas. Pela milésima vez: jornalismo é subversão. Abaixo a perfumaria!

NOTA
É amanhã, quinta-feira, na Livraria-Café Letras e Companhia, que fica na Osvaldo Aranha, 444, o encontro promovido pelo pessoal do JORNALISMO B sobre o papel das Rádios Comunitárias na sociedade atual. Estes debates são promovidos por pessoas que, de fato, são comprometidas com o verdadeiro jornalismo. Começa às 18h30.

O PAPARAZZO E A CARTOGRAFIA

        O paparazzo parece ser um profissional que trabalha com absoluta liberdade e com total mobilidade. Bem ao contrário. Este “profissional” é que introduziu a prática da “campana”. Inspirado na atividade policialesca fica dias de tocaia, imobilizado. O paparazzo busca uma presa, uma celebridade. O “fotojornalista da campana” da mídia corporativa busca outro tipo de presa. Contribui para a cartografia, mapeamento dos miseráveis. Dos marginais, dos que estão à margem. Nenhum dos dois faz fotojornalismo. A lógica em ambas as atividades é a mesma: espetáculo, sensacionalismo, lucros, venda de emoções. Uma corrida desvairada pelo lucro por parte das empresas. “Profissionais” que se acham poderosos e acima de quaisquer suspeitas. Submetidos às poderosas teleobjetivas. Ferramenta de trabalho que estabelece a maior distância possível entre quem fotografa e o que se fotografa.
        Estamos retomando a prática de postagens diárias. Esta não é uma reflexão qualquer. Só agora consegui estabelecer esta relação. Temos absoluta convicção do que estamos dizendo. “Campana” para registrar formigas tentando abocanhar gafanhotos é ridículo. Ou buraco, sem “cascata” é mais hilário. Não quero perder, nas instâncias da Justiça, nenhuma oportunidade para apontar a falcatrua do showrnalismo. Que venham novos processos.

“BELLE DE JOUR” DO MERCADO PÚBLICO


Ela não é a “Belle de Jour” do cineasta Luis Buñuel. Não é Catharine Deneuve.

Ela é Vanessa. “Belle de Jour” do Mercado Público de Porto Alegre. Dos bares.
 
Trabalha em uma atividade que exige especialização. Passa no Mercado, antes de ir para casa, e bebe uma cerveja. E pede bem gelada. “Bela da Tarde” do Mercado Público.

Se movimenta com a absoluta desenvoltura. Sabe que é o centro das atenções. Retribui, conversando com todos na maior naturalidade.

Ela é a minha “Bela da Tarde”. Pelo olhar tem me autorizado fazer as fotos. Ela é a minha Catharine Deneuve.

 
Gostaria de ser um poeta
contar sobre a magia e alma
desta mulher que se expõe
e que guarda mistérios
(e aprender a escrever)

exercício de sensibilidade
prazeiroso “olhar” que
com atenção e paciência
capta esta sensualidade
(e aprender a fotografar)

e, assim, vou contando fragmentos do meu tempo. Minha história como jornalista. Como dizia John Reed “descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”. Garimpo as coisas belas da vida. Flanando e na deriva. Sonho conseguir ser um grande vagabundo. Ainda sou um aprendiz.

(ATENÇÃO - por problemas de ordem técnica é possível que nos próximos dias não consiga realizar as postagens diárias. Fotos com o enquadramento original e sem qualquer manipulação no computador.)

NOTA FINAL
Só retomaremos as postagens diárias na próxima segunda-feira, dia 23.11.2009. Equipamentos em revisão. Até lá, Wu.

NO INSTANTE DECISIVO


Henri Cartier-Bresson, 1969

“No instante decisivo”,
duas mulheres de gerações
distintas lendo jornal,
após maio de 68. Na
La Brassiere Lipp, Paris,
França. Não é cenografia.