O PAPARAZZO E A CARTOGRAFIA
O paparazzo parece ser um profissional que trabalha com absoluta liberdade e com total mobilidade. Bem ao contrário. Este “profissional” é que introduziu a prática da “campana”. Inspirado na atividade policialesca fica dias de tocaia, imobilizado. O paparazzo busca uma presa, uma celebridade. O “fotojornalista da campana” da mídia corporativa busca outro tipo de presa. Contribui para a cartografia, mapeamento dos miseráveis. Dos marginais, dos que estão à margem. Nenhum dos dois faz fotojornalismo. A lógica em ambas as atividades é a mesma: espetáculo, sensacionalismo, lucros, venda de emoções. Uma corrida desvairada pelo lucro por parte das empresas. “Profissionais” que se acham poderosos e acima de quaisquer suspeitas. Submetidos às poderosas teleobjetivas. Ferramenta de trabalho que estabelece a maior distância possível entre quem fotografa e o que se fotografa.
Estamos retomando a prática de postagens diárias. Esta não é uma reflexão qualquer. Só agora consegui estabelecer esta relação. Temos absoluta convicção do que estamos dizendo. “Campana” para registrar formigas tentando abocanhar gafanhotos é ridículo. Ou buraco, sem “cascata” é mais hilário. Não quero perder, nas instâncias da Justiça, nenhuma oportunidade para apontar a falcatrua do showrnalismo. Que venham novos processos.





Zé Pedro — 24/11/2009 @ 22:25
A essência do debate atual sobre liberdade de imprensa é um só: o conflito diário entre os fatos e sua representação reacionária pelos meios de comunicação de massa; assistido pela maioria excluída de ocupá-los para dizer o que pensa com autonomia. Resta, nessa ilusão de democracia, produzir, ocupar e resistir em novas formas de geração de bens simbólicos.