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NOSSOS ROSTOS


Estes rostos muito raramente aparecem na mídia corporativa. E, quase sempre, quando são mostrados é com algum sentido de criminalização.
 
“Gaúcho” tem se apresentado no final de tarde no Largo Glênio Peres, centro de Porto Alegre.
 
Nenhuma foto foi “roubada”. Durante todo o tempo fotografamos com o equipamento à vista e bem próximo das pessoas. Conversando com algumas delas.
 
“A imagem do pintor é total, a do cameraman é feita de múltiplos fragmentos”, dizia Walter Benjamin. Quantos fragmentos conseguimos captar?

É por volta de 1860 que o retrato ganha popularidade. O que vai se confirmar com o crescimento dos álbuns de família. É preciso pensar estes novos álguns, os da Internet.
 
Com a possibilidade “do instântaneo” o mundo dos acontecimentos-movimento substitui o mundo das coisas. Do mundo estático. “Parado”.

É com a fotografia que tem início a era das mídias. Imagens empurram o olhar para bem longe. Separação entre as imagens e as coisas.

A fotografia surge com as cidades modernas. Vai de monumentos e retratos aos acontecimentos. Com o movimento das ferrovias e a velocidade dos telégrafos. 

Desta série, fotos de uma tarde no centro de PA, este rosto ”pedia” um registro. Ao fotografar, nesse “estilo de retratos”, os excluídos e condenados à invisibilidade social, passam para história. Estes “nossos rostos” serão os rostos do futuro.
        Um história fotográfica, sem fraudes. “Cascata” e “fotocampana” não é fotojornalismo. A primeira é cenografia e a segunda é uma atividade policialesca. Duas práticas do espetáculo midiático. Abaixo a cartografia repressiva! 

REPETINDO
NADA A DIZER OU A EXPLICAR
        Por dificuldades de ordem técnica ficamos sem realizar postagens nos últimos dias. Estaremos retomando, no espaço do blog, provisoriamente, a nossa atividade no dia de hoje, segunda-feira . Colocamos na abertura do sítio Pontodevista o texto abaixo. É possível que, nos próximos dias, a mesma decisão venha a ser adotada, também, em relação ao blog.      

        Não temos mais nada a dizer ou a explicar. Diante das limitações que nos foram impostas pelas ações movidas na Justiça, por um funcionário da RBS – 35 ANOS DE FIRMA, tomamos a decisão de suspender todas as nossas atividades nesse espaço. Não existem razões para trabalhar com as regras que nos impuseram. E que determinam, objetivamente, o que podemos comentar ou não do jornal Zero Hora. Tudo, aqui, tinha a função de estimular, fundamentalmente, o espírito crítico dos estudantes de jornalismo. O sentimento é de vitória. Fotógrafos “cascateiros” estarão, pelo menos por um bom tempo, sob vigilância. Após serem resolvidas algumas questões técnicas, tudo será tirado da rede. Em algum momento, mais cedo ou mais tarde, alguém deverá responder pelo “desaparecimento” de 10 anos de crítica ao jornalismo que se pratica na RBS. Dissemos, desde o início, que manteríamos a corda esticada, ao máximo. Que estoure de qualquer um dos lados. Continuarei a ser Wu, um modesto jornalista, professor e fotógrafo. Estou na deriva. Flanando.
 

1 Comentário »

  1. Zé Pedro — 9/11/2009 @ 21:04

    Há lentes que iluminam novas percepções e libertam, quando operadas por libertadores; mas há outras que perseguem e escondem o que interessa, quando manipuladas por covardes. Viva as lentes iluminadas, que estendem e ampliam o olho e as vozes silenciosas dos esquecidos.


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