SEM “CASCATA” É FOTOJORNALISMO

Desde a queda do helicóptero da PM carioca 39 pessoas morreram nos conflitos ocorridos nas favelas. E os jornais do centro do país não usam a palavra guerra. Não estamos dizendo que são melhores ou que a situação não é grave. Assusta, também, e além da violência em si, o número de adolescentes curiosos.
Agora à noite, os noticiários da TV apontam 43 mortos.
Em nenhuma das duas fotos, publicadas pelo jornal Folha de São Paulo, existem indicativos de uma “cascata”. São de Marcelo Sayão e Antonio Scorza, respectivamente. Na QUERRA do Iraque, em dois atentados, morreram 140 pessoas e outras 700 ficaram feridas. Do Caderno Cotidiano (Folha Dominical): “Tráfico de drogas disputa MERCADO em morros do Rio”.
Acompanhem em quanto tempo ”o bom jornalismo-diplomado” irá apagar a história da morte de José Júnior, coordenador do grupo Afroreggae; e a participação dos PMs envolvidos na ocorrência.
O caderno Mais, da edição dominical da “Folha”, pág.3 publica uma entrevista com o professor David Weisburd, da Universidade de Jerusalém, Prêmio Estocolomo de 2010. Ao ser perguntado sobre a violência no Rio respondeu: “A polícia não pode ser vista como força de ocupação, mas como parte da comunidade. A legitimidade da ação policial é um elemento crítico para os seu sucesso”.
Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da “Folha”, na mesma edição comenta a cobertura da mídia corporativa aos episódios das duas últmas semanas no Rio e o título é “Não é Gaza, guerrilha ou terror”.
Só é QUERRA no lixo que é o jornalismo GAÚCHO. E não gosto de Ombudsman e nem tão pouco de Prêmios. Podem me condenar, mas esta é a nossa opinião. “Cascata” e “fotocampana” não é fotojornalismo.
A implantação do clima de medo – com mais uma GUERRA – não é novidade. Observem este exercício de comparação. JORNALISTAS trabalham, sempre, com este “olhar” comparativo.
Vilém Flusser dizia: “imaginação é a capacidade de fazer e decifrar imagens.”











