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OITICICA E OS PARANGOLÉS


Hélio Oiticica em abril de 1970

       Foi destaque nos principais jornais do país e do mundo, a notícia do incêndio que destruiu boa parte da obra do artista Helio Oiticica. Até agora não se sabe o que provocou o incêndio de sexta-feira e que atingiu o primeiro andar da residência da família, no bairro Jardim Botânico, zona sul do Rio. É evidente que também foi destaque (imediatamente) o confronto entre o tráfico e as forças policiais com a derrubada de um helicóptero da PM. Nessa parte do país, onde existe o pior jornalismo , o clima  no Rio é de guerra. Querra tipo Iraque, Afeganistão, Palestina e Nagasaki. Com chamada de capa na edição de hoje, segunda-feira. Matéria requentada.
       A perda de boa parte da obra de Oiticica não passou de um registro, de poucas linhas, na edição dominical. O jornal “Estadão” abriu uma página de seu Caderno de Cultura (dominical) para a importância de Oiticica. Os destaques (ou não) são sempre resultantes de decisões editorais. Uma obviedade, claro. O jornalismo sulista é ”isento”, pela direita. A opção GAÚCHA é sempre pela implantação do clima de medo (guerra) e pelo que existe de mais reacionário.
       Jornalistas trabalham com noções de comparação.
       AQUI, MAIS HÉLIO OITICICA.  (págs. editadas em 2006)

       “A imagem do pintor é total, a do cameraman é feita de múltiplos fragmentos”, como dizia Walter Benjamin. 

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