O RETRATO

Claudio Bandeira é engraxate no centro de Porto Alegre. Um retrato é sempre resultante da conjungação de pelo menos duas variantes: expressões de rosto e as ações do fotógrafo. Este escolhe um determinado enquadramento, escolhe a lente, iluminação e o momento exato do disparo. O retrato seria um rosto-acontecimento-fotográfico. (foto e texto de wu)
“As primeiras fotografias eram, todas, a preto-e-branco, demonstrando que tinham a sua origem numa determinada teoria Óptica. A partir do progresso da Química, tornou-se possível a produção de fotografia a cores. Aparentemente, pois, as fotografias começaram por abstrair as cores do mundo, para depois as reconstituírem. Na realidade, porém, as cores são tão teóricas como o preto e o branco. O verde dos bosques fotografado é imagem do conceito de ’verde’, tal como foi elaborado por determinada teoria química. O aparelho foi programado para transcodificar um tal conceito em imagem. Há, por certo, uma ligação indireta entre o verde do bosque fotografado e o verde do bosque lá fora: o conceito científico de ‘verde’ apoia-se, de algum modo, sobre o verde percebido. Mas entre os dois verdes intepõe-se toda uma série de codificações complexas.” (de Vilem Flusser)





Observante — 24/10/2009 @ 20:03
Essa foto valoriza a memória da cidade, a partir dos excluídos. Se não me engano, vi um dia em seu blog um registro sobre a área dos camelôs, que foram varridos do centro, para dar lugar aos carros da elite; lembrei dessa limpeza étnica quando houve recente manifestação dos trabalhadores do camelódromo, que nada vendem lá; os carroceiros também estão hoje no alvo dos operadores dessa política discriminalizadora e criminalizadora de pretos, pobres e outros diferentes.