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O RETRATO


Fidel no verão de 1955. Fotos como documentos.

        A revolução industrial acaba realizando o sonho de Diderot: a construção de uma grande enciclopédia. A fotografia, máquina da era das máquinas, procede a um grande inventário do mundo visível. Transforma o mundo do século passado em um grande álbum. A máquina fotográfica é da era da estrada de ferro, da navegação a vapor e do telégrafo. 
         Fotos digitais são fantasias, bens simbólicos. Impõem subjetividades (apenas) confirmadoras das imagens televisivas, do espetáculo. Não é por acaso que vivemos um mundo de “cascatas e campanas”. 
        As imagens produzidas circulam ao ritmo do poder econômico. São descartáveis. Fotografam, olham e deletam. As redações já recebem o material todo “editado”. Por isso mesmo são todos treinados na introjeção dos interesses empresariais. 

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