É TUDO OU NADA
É tudo ou nada. É Baader Meinhof. E, no entanto, paradoxalmente, sou cada vez mais pela troca de idéias. Pelo estabelecimento de consensos que reflitam a correlação de forças. Não existe jornalismo e ensino sem crítica. Este é um direito. Levamos algumas porradas para chegarmos até aqui. Como militante, jornalista e professor.
Não aconteceu a audiência. Pela segunda vez, uma testemunha do autor das ações, a jornalista Adriana Irion, também do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações), não compareceu. A audiência foi transferida para o dia 24 de fevereiro de 2010. Assim, continuamos submetidos a uma multa diária de 150 reais se realizarmos quaisquer comentários que tenham como elemento de análise material do autor das ações. Estamos submetidos à censura. Existe, concretamente, uma determinação do que pode ou não ser comentado em Zero Hora (Zerolândia). O nome desta prática é censura, sim. A rede de conivências corporativas continuará em silêncio. Está assistindo, de camarote e confortavelmente.
Fomos comunicados que o mesmo funcionário da firma (PRBS) está movendo uma terceira ação cívil contra nós. Com um outro advogado. O escritório de Carlos Araújo & Vecchio deverá examinar a questão, nos próximos dias, e adotar as providências. Considerando a existência destas três ações e o tempo de duração, em função de todos os recursos que ambas as partes poderão fazer uso, estamos estudando a possibilidade de suspendermos – definitivamente – todas as nossas atividades, tanto no site como no blog. Não temos a intenção de continuarmos trabalhando sob pressão. Estamos discutindo a questão com as pessoas mais próximas. Nunca é demais lembramos que as ações não são movidas por um jornalista “das antigas”, sem diploma. Ou por um jovem ex-aluno, diplomado. O cara é uma cria da casa. Um funcionário de carreira com 35 anos na mesma firma. Quem deve assumir a responsabilidade pela formação que foi dada a este “profissional”? Quem? QUEM? Até mesmo nessa questão a RBS não é isenta. Ela (a firma) é, indiretamente, responsável pela truculência das ações. O discurso pode ser qualquer um.
O sentimento não é de derrota. Pelo contrário, acreditem. O sentimento é de vitória. Mesmo considerando toda a incomodação e possíveis prejuízos. Alguns de nossos objetivos foram, claramente, alcançados. CASCATA NUNCA MAIS funcionará sempre. É um importante alerta que lançamos. Tornamos público (Internet) algo que ficava nas rodinhas da categoria. E até mesmo nos corredores do Sindicato. Temos absoluta certeza de que os verdadeiros FOTÓGRAFOS, aqueles que são comprometidos com o jornalismo, estão agradecidos. Outros farão a crítica que realizávamos. Continuaremos à disposição para a formação de novos guerrilheiros.
Por último, sugerimos que a Associação Riograndense de Imprensa, Sindicato e cursos de comunicologia criem , com amplo apoio da mídia corporativa, uma nova categoria para a próxima edição do Prêmio ARI-Gó. Para a melhor “foto cascatinha”. Ou “jovem cascatinha”. Poderemos, assim, continuarmos o treinamento de novos críticos.
Serei incansável na disposição de agradecer ao fraterno e estimilante convívio com os jovens JORNALISTAS. Agradeço aos que me proporcionam este insubstituível alimento, feito de sonhos; e que recebo em cada (re)encontro.
JORNALISMO É SUBVERSÃO. Luta de classes, sempre. Olho no olho de qualquer tipo de profissional. Temos prazer nessa prática. Pela emoção em olhares transparentes. Ou pelo constrangimento que causa.
Nesse transe nossa lucidez.





Veridiana — 1/11/2009 @ 15:10
É censura, sim!
“Todos são inocentes até que se prove o contrário”, não era essa umas das premissas do Direito? Parece que nesse caso a culpa é o pressuposto. O réu já está sendo punido, pela censura e pelos trâmites da Justiça Kafkaniana.
OBS: Sobre apelidos, aqui na Itália Berlusconi é chamado na televisão de Psiconano (Anão Psicótico, numa tradução aproximada) e ninguém foi processado. E olha que “il cavaliere” adora atacar a “imprensa comunista”.
Grande abraço. Força sempre.
Arthur — 1/11/2009 @ 16:00
Professor, mesmo que não dê pra seguir adiante, pode ter certeza que, para as possibilidades de uma pessoa, o trabalho foi bem feito e abriu a mente de um número bem grande de pessoas.
Só espero que não sejas o último.