AS TRILHAS DO FOTOJORNALISMO

Mais uma vez o jornal “Estadão” abre uma página para a atividade de fotojornalismo. O Caderno de Cultura, edição do último domingo, apresenta e comenta o trabalho do fotógrafo Araquém Alcântara que percorre a região de Canudos registrando as tranformações do cenário, tema do clássico Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha. O levantamento resultará no livro Sertão SemFim.
Certamente, o fotógrafo Araquém Alcântara não percorre a região para produzir “cascatas”. Seria um contra-senso. Os verdadeiros fotógrafos resistem ao avanço da perfumaria. Registro de passarinho caindo de árvore é ridículo.
“Ao vaguear pela superfície, o olhar vai estabelecendo relações temporais entre os elementos da imagem: um elemento é visto após o outro. O olhar reconstitui a dimenção do tempo. O vaguear do olhar é circular: tende a voltar para contemplar elementos já vistos. Assim o ‘antes’ torna-se ‘depois’, e o ‘depois’ torna-se antes. O tempo projectado pelo olhar sobre a imagem é o do eterno retorno.” (de Vilém Flusser)





Pedro — 27/10/2009 @ 07:31
Relações, diferenças, pluralidades. Conceitos simples para quem tem na veia a sensibilidade despertada pela experiência do real vivo e pulsante; São, porém, expressões estranhas, confusas, alienadas para quem tem o olhar des(educado) pelo egoísmo; pela cultura do descartável, pelo abstracionismo covarde e acomodado, resultante das operaçoes robóticas de lentes e mentes.