RETRATISTA DA POBREZA


Revista CartaCapital, edição desta semana, páginas 76,77 e 78. Walker Evans sempre fotografou de curta distância. Já tínhamos feito um registro sobre a publicação desta matéria, mas – resolvemos repetir – após termos feito a foto abaixo.
foto Wu

Segunda-feira, 28.09.2009, fim de tarde, viaduto da Borges de Medeiros, centro de Porto Alegre. O casal Alcedo e Márcia, com o filho Tiago, de dois anos, moravam na vila dos Papeleiros. Ele acabou de sair da cadeia. Foi preso por não comparecer a uma audiência em um processo por furto de um cavalo. Ela abandonou a vila sem saber o que tinha acontecido com o marido. O reencontro aconteceu no sábado. Estão morando no viaduto, provisoriamente. Ele diz que está “muito doente do pulmão” e, de fato, passou todo o tempo tossindo e com dificuldade para falar. Esperamos que a foto não funcione como elemento cartográfico para os aparelhos higienizadores do Estado. Já que não temos um Estado previdenciário que se faça presente algum aparelho do sistema de assistência social. São três brasileiros, no abandono, entre muitos outros que localizamos morando no mesmo viaduto.





joão dal mollin — 1/10/2009 @ 02:38
WU,
como sempre, me emocionam (não, ou pelo menos não só, numa direção sentimentalista ou piegas, mas crítica, de pensar o mundo, e de interesse pelo ser humano, e de frustração pelas coisas serem como são) estas postagens que realizas magistralmente, como da Isabel ou do casal Márcia e Alcedo. Dar nome e rosto a esses “invisíveis”. Isso é JORNALISMO, e não o que se vê por aí: rostos e vozes desmanchados no computador, recortes, entrevistados e personagens tratados como número ou problema em vez do que são, gente, como eu, tu, qualquer repórter ou leitor. Condenação do uso da esmola para cachaça ou até crack, por quem nem se questiona ao tomar seu uísque no fim do dia (não aqui defendendo o uso de drogas, apenas atacando a hipocrisia). Como se não bastasse, as ligações que apontas (surgidas ao natural, mas não por acaso) entre esse trabalho e outros torna pontodevista, cada vez mais, leitura obrigatória (para quem pensa). Abraço grande!