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NOSSA HOMENAGEM A SOL

  Nossa homenagem a Soledad Barret Viedma, a Sol, militante comunista internacionalista, morta na chacina da Chácara de São Bento, em Pernambuco, pela traição e delação do cabo Anselmo. Este filho-da-puta, durante anos, transitou pelas mais diversas organizações da esquerda brasileira. Sempre acompanhado e respaldado por “companheiros” sobre o quais, também, haviam dúvidas. O Partidão (Partido Comunista Brasileiro) – que tinha por prática acusar os que divergiam de agentes provocadores –  dizia (desde 1962) que Anselmo era um agente infiltrado. É possível que nesse caso tenha acertado. Cabo Anselmo “foge” da prisão, na Quinta da Boa Vista, por um esquema que envolvia militantes da AP(Ação Popular) e da POLOP (Política Operária). Transitou pelo Rio Grande do Sul e, no Uruguai, conviveu no círculo de pessoas próximas de Leonel Brizola. Passou por Porto Alegre acompanhado por um ex-líder estudantil, com passagens pelo Patidão, AP e Polop. E sobre o qual haviam suspeitas de ligação com a polícia. A seguir aparece em Cuba, na Conferência da OLAS, ao lado de Carlos Marighella, este já organizando a ALN (Aliança Libertadora Nacional). Encontra-se com Carlos Lamarca, no Estado do Rio de Janeiro, quando este está sob os cuidados do MR-8. E liquida com a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), em Recife, no massacre da Chácara de São Bento. Em 72, na OBAN (Operação Bandeirantes, em São Paulo) um marinheiro de nome Ivan (consta da lista dos desaparecidos), preso na cela zero se não estamos enganados, dizia que o cabo Anselmo era o responsável pela sua prisão no Rio de Janeiro. E que a prisão e morte do Cabo era uma encenação. Ivan, em alguns momentos, cantava músicas de Paulinho da Viola. Tinha certeza de que seria executado. 

Estamos indicando este livro: “Soledad no Recife”, de Urariano Mota, da Editora Boitempo. Sol estava grávida do Cabo Anselmo quando foi assassinada. O autor tem uma longa militância política e como jornalista. É colaborador do Observatório da Imprensa e já teve alguns textos publicados pela revista Carta Capital. Utilizando-se de recursos literários (velho e bom jornalismo), o autor nos dá uma dimensão da tragédia que representou para as organizações de esquerda o livre trânsito do cabo Anselmo por todas elas. Este agente vive, desde o final da ditadura até hoje, com a proteção de integrantes dos antigos serviços de inteligência. E todas as suas “misteriosas” aparições, talvez com excessão da primeira matéria publicada pela revista Istoé, quando localizado em algum ponto da fronteira com o Paraguai, foram articuladas por estas estruturas remanescentes do tempo da ditadura com a mídia corporativa.
        A verdadeira trajetória deste agente – que começa antes de 1964/véspera do golpe) ainda está por ser contada. Cabo Anselmo é responsável pela morte de centenas de militantes que lutaram contra a ditadura.

 
Capa do Jornal do Comércio, de Recife, em 11.01.1973

A Sol e demais
companheiros
assassinados
ousar lutar
ousar vencer

Soledad no viviste em soledad
pero eso tu vida no se borra
simplesmente se colma de señales

Soledad no morist en soledad
por eso tudo muerta no le llora
simplesmente la izamos em aire*

                        De Mario Benedetti
                        “muerte le Soledad Barret”

**** “Soledad, não viveste em solidão/ por isso tua vida não se apaga/simplesmente transborda de sinais// Soledad, não morreste em solidão/por isso tua morte não se chora/simplesmente a levantamos no ar.”

        SAUDAÇÕES AO CAMARADA SALVADOR ALLENDE
                      NESSE 11 DE SETEMBRO
(é só clicar aqui e visitar as páginas que editamos em 2005)

1 Comentário »

  1. Angelo Alfonsin — 13/09/2009 @ 10:33

    Obrigado pela lembrança dessa brava guerreira, na solidão ficamos nós de sua coragem e idealismo. O traidor profissional continua entre nós protegido pela mídia facista e demais torturadores e assassinos impunes.
    Até a vitória, sempre.


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