MARGINALIDADE

Este é Miroslav Tichý. Um fotógrafo, literalmente, marginal. Nunca se submeteu aos totalitarismos da antiga ex-Checoslováquia. Só há uns três ou quatro anos passou a ser mais conhecido. Se interessou por fotografia a partir dos anos 60, após ter passado uma temporada na cadeia por motivos políticos. A partir daí, também, assumiu a atitude marginal e deixou de lado todos os cuidados com a aparência. Para manter a coerência passou a fabricar seus próprios equipamentos a partir de sucata. Fotografava de forma absolutamente discreta. Mesmo considerando a figura e os equipamentos usados. Tinha como norma fazer cerca de no mínimo 100 fotos por dia. Seu interesse central eram as mulheres. Dos muitos negativos que fazia revelava poucos. Tirava uma única cópia, colava as fotos em cartões e a seguir desenhava a lápis as molduras. Durante a juventude esteve ligado ao movimento Expressionista. Sua formação foi na Academia de Artes de Praga.

Equipamento básico de Miroslav e construído por ele.


Procuramos evitar a simples reprodução de material pesquisado na Internet. Damos, sempre, preferência à utilização de material de nosso acervo. Pela singularidade resolvemos dar este formato ao que descobrimos navegando por este sítio. Miroslav, já bem velhinho, continua produzindo seus equipamentos a partir de sucatas. Não existem referências sobre algum prêmio que tenha ganho com suas fotos. Vai para a história da fotografia.
É um gênio. Um marginal.





André de Oliveira — 24/09/2009 @ 11:38
Putaqueupariu.
Essa relação entre Tichý e W.U. é o maior exemplo que já me deparei sobre o que Flusser fala da utopia [inexistência de chão] rumo “à sociedade telemática dialogante dos criadores de imagens e dos colecionadores de imagens”, tendência totalmente subvertida da lógica “totalitária, centralmente programada, dos insetos receptores das imagens e dos funcionários das imagens”. Nessa névoa atual, “toda ação se dá por obediência a um programa ou roteiro previamente inscrito em esfera infra ou supra-individual. O programa se constrói por programadores que também são programados” – e assim vai Flusser em “O Universo das Imagens Técnicas – Elogio da Superficialidade”. Precisamos nos reunir com esse doido imediatamente, Ungaretti! Vamos para lá nos aviões de Onfray [Teoria da Viagem] ou nas pipas voadoras, fotografando o Atlântico com as maiores angulares que acharamos? [tu que decide, topo de qualquer maneira!] – chegando na R. Theca, revelaremos nossa viagem como Tichý e brindaremos a nossa total falta de apego às correntes maniqueístas desse jornalismo bunda-mole.
Velho, hoje não precisa nem fotografar, o dia já está ganho com essa postagem. Parabéns! Para isso não existe prêmio que alcance. Viva a enciclopédia W.U.!
Andrés Lasso Ruales — 24/09/2009 @ 19:33
Concordo WU, é um “google” andante. Prêmio é um invento egocentrista dos poderosos. A vida não é êxito. É, antes de mais nada, consciência do que acontece em nosso ambiente.
Observante — 24/09/2009 @ 21:57
Enquanto isso, a ideologia da tecno-mediocridade, difundida nos meios de massa, e reproduzida nos cursinhos de comunicologia, prosseguem de arrasto aos ícones da miséria jornalística. Eis porque a falta tesão de leitura e debate na academia; o centro está na periferia, e o marginal do que interessa, nas páginas dos jornalões. abs!