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DA GALÁXIA DE GUTENBERG

SEMANA BERNHARD WICKI
fotógrafo alemão 1919/2000
  Durante toda esta semana publicamos fotos de Bernhad Wicki, reproduzidas de um livro editado pela Pinakouteh-Dumont, em alemão que, em uma expedição exploratória pelos sebos, encontramos por um bom preço, considerando a qualidade da publicação.
Como dizia McLuhan ” o que caracteriza de forma peculiar a fotografia é o fato de ela apresentar momentos isolados no tempo.”

ESTEREOSCOPIA
        A estereocospia é uma forma de fotografia tridimensional  que é obtida através de uma câmera com duas lentes. As imagens são ligeiramente diferentes de um mesmo objeto. Utilizando um visor, as duas imagens desiguais se convertem, pelo fenômeno da visão binocular humana, em uma única imagem, mas com características novas, uma visão tridimensional. Esta peça foi encontrada por absoluto acaso, no Brigue da Redenção (PA) em uma caixa de postais. Paguei 15 reais por quatro cartões estereocópicos. Este é de 1903. Na lateral conseguimos ler: “The Perfec Stereograph -1903″. Tudo indica que são imagens de uma grande fábrica de tecelagem do início do século passado. Nós, em Pontodevista, temos o velho hábito dos velhos jornalistas, colecionamos papel. McLuhan diria que somos da era da galáxia de Gutenberg. Certo.
       Mas estamos usando a Internet. Com ou sem censura, tentamos implodir com algumas práticas showrnalísticas.
        Ou pelo menos vamos “tentiando”.

Ainda McLhan: ” com a fotografia, os homens descobriram como fazer reportagem visual sem síntese”.  Foi em 1839 que William Henry Fox Talbot perante a Sociedade real, realizou a leitura de sua comunicação intitulada “Notas sobre a arte do desenho fotogênico, ou processo pelo qual os objetos naturais podem ser delineados sem a ajuda do lápis do artista.” Assim, ele demonstrava “plena consciência de que a fotografia era uma espécie de automação que eliminava os procedimentos sintáticos da pena e do lápis.”
       Continuamos, em Pontodevista, procurando uma formação intelectual que possa nos permitir o exercício da crítica, sem censura.
        Estamos obrigados a pegar leve.

A CACHAÇA, A ERVA E O DEVANEIO

SEMANA BERNHARD WICKI
fotógrafo alemão 1919/2000
   A legenda desta é “Wasserspiegelung, Italien um 1955″. Wicki trabalhou em diversos filmes sobre as tragédias da Segunda Guerra Mundial. Esteve preso em um campo de concentração, em 1938, acusado de ser militante do Juventude do Partido Comunista Alemão.

SEM COMENTÁRIOS   – postagem de 13.08.2009
Foi assinado hoje, dia 12, acordo de cooperação técnica, científica e cultural entre a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), Sindicato dos Jornalistas e Grupo RBS. Pelo acordo, supervisionado pela Secretaria de Assuntos Estudantis (SAE) e pelo sindicato da categoria, os estudantes de Comunicação Social da faculdade farão estágios nos veículos da RBS, complementando sua formação profissional.”
            
       Explica quase tudo. É a Rede de Conivências Corporativas. Faltou o pessoal que promove o Prêmio ARI-GÓ, da Associação Riograndense de Imprensa. Um comentário visceral da nossa parte, certamente, resultaria em  mais um processo. Alguém viu professor do jornalismo, UFRGS, em manifestações pela meleca do diploma? Mais do que nunca fica explicado a modernização (equipamentos) e o currículo dos botões do atual cenário do ensino da perfumaria.
         Mais do que nunca aguardo, ansiosamente, minha aposentadoria. Por motivos de saúde mental. Não tenho mais nada a dizer. Por respeito aos alunos e à população que paga meu salário vou continuar tocando fogo. Até o último dia. Com ou sem os processos movidos por funcionários do PRBS.
         Do velho Mino Carta: jornalismo é intransigente fidelidade à verdade factual; igualmente, intransigente vigilância a todo e qualquer tipo de poder; e, por último, aguçado espírito crítico.
          É isso. Não podemos gastar - com a meleca  do diploma e taisquetais - o estilete das palavras. Agradeço, pela centésima vez, todas as manifestações de solidariedade. Não por uma formalidade ou simples educação.
                             É de coração
                                     com a alma
                                              Sem comentários.
Como o filósofo alemão Wittgenstain (sem nenhum arrogância comparativa) quero terminar como porteiro da Faculdade. E espero que poucos, pouquíssimos alunos, percebam que posso dizer algumas coisas interessantes sobre JORNALISMO. Algumas pistas.

COMENTÁRIOS recebidos – postagem de 13.08.2009
######## […] Ainda não há nada na Zero Hora, provavelmente sairá algo no domingo naquela coluna de auto-elogios. O site da Fabico nada diz, mas como não é informativo, não importa. É claro que as manifestações já começaram, por Wladymir Ungaretti. Eu também me sentiria ofendido ao ver a minha faculdade, que não moveu um dedo sequer para me apoiar em um processo judicial contra a liberdade de opinião, abraçar em seu seio justo a autora do processo. […]

######## O que vale é a cachaça, a erva e o devaneio. Esquentar banco na sala de aula é coisa de otário. Cada vez mais é necessário que os alunos rodem por FF (falta de frequencia). Talvez aprendam alguma coisa. Sou a favor de um protesto silencioso de abandono das aulas. Dica para WU: não entre mais na faculdade, faça todas as suas aulas no pátio, de preferência do lado de fora do portão.

######## … e o que mais assusta é perceber que, por trás das máscaras dos atores orquestradores disso isso tudo há, ao invés de corações, solídas estruturas institucionais – produzindo e difundindo as práticas do medo, da covardia e do controle dos impulsos mais rebeldes e criativos. abs.

NOTA DO DIA
      O mesmo Sindicato dos Jornalistas que promove a campanha  ”melecoza” em defesa do diploma é o que paradoxalmente (?) assina com representantes do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações) e UFRGS um acordo de treinamento de estagiários em showrnalismo. E não é possível defender que uma coisa é uma coisa e que outra coisa e outra coisa. Ficaria claro o blábláblábláblá. Inistimos no fato de que faltou um representante dos promotores do Prêmio ARI-Gó, da Associação Riograndense de Imprensa. A rede de conivências corporativas ficaria mais fechada.
        Continuamos impedidos de escrever o que pensamos sobre algumas práticas do showrnalismo zerolândio. Ação movida, na Justiça, por um funcionário com 35 anos de PRBS. Cria da casa, gente de confiança das matérias 500 – matérias de interesse da empresa.
        Salve a liberdade de imprensa, deles. Como diz o velho Mino Carta são todos isentos. Sim, isentos de um lado só. Todos de direta.       

FAZER E DECIFRAR IMAGENS

SEMANA BERNHARD WICKI
fotógrafo alemão 1919/2000
   A legenda desta é “Landschalt, Bosnien, 1953″. Com a publicação desta série de fotos reproduzidas do livro “Benhard Wicki Fotografien”, publicação da Pinakothek-Dumont, o sítio/blog pontodevista espera estar contribuindo para a melhora da cultura fotográfica dos nossos leitores.

A IMAGEM
“As imagens são superfícies que pretendem representar algo. Na maioria dos casos, algo que se encontra lá fora no espaço e no tempo. As imagem são, portanto, resultado do esforço de abstrair duas das quatro dimensões espácio-temporais, para que se conservem apenas as dimensões do plano. Devem a sua origem à capacidade de abstracção específica a que podemor chamar de imaginação. No entanto, a imaginação tem dois aspectos; se, por um lado, permite abstrair de duas dimensões dos fenómenos, por outro, permite reconstituir as duas dimensões abstraídas da imagem. Noutros temos: a imaginação é a capacidade de codificar fenómenos de quatro dimensões em símbolos planos e descoficar as mensagens assim codifidas. Imaginação é a capacidade de fazer e decifrar imagens.” (“Ensaio sobre a fotografia – Para uma filosofia da técnica”, de Vilém Flusser, Editora portuguesa Relógio D´Água). A equipe de Pontodevista leu este texto em 1998.

UM NOVO LIVRO DE PIERRE VERGER

SEMANA BERNHARD WICKI
fotógrafo alemão 1919/2000
  Durante toda esta semana estaremos publicando fotos de Bernhard Wicki. A legenda desta é ”Bosnien 1953″. Wicki também era conhecido como ator e diretor de cinema a partir 1958.

CARNAVAL no Rio de Janeiro 
 começo da década de 40
   O último número da Revista RollingStone, capa com Michel Jackson, publica  em suas últimas páginas um ensaio com fotos de Pierre Verger para anunciar que, em breve, as livrarias estarão recebendo o livro “Pierre Verger – Fotografias para Não Esquecer“, da editora Terra Virgem.

Flâneur Lomográfico
Texto de Alexandre Lucchese
Fotos de Wladymir Ungaretti
em Os estrangeiros