Jornal “Folha de São Paulo”, edição dominical de 23.08.2009, pág.A20, com a legenda :”Policiais erradicam plantação de papoula no Afeganistão, cuja economia é 80% agrícola; envolvimento de políticos no tráfico é obstáculo na estratégia antidroga”. Foto de Julie Jacobson/Associated Press.
Jornal “Estadão”, edição de 23.08.2009, pág.A22, sendo a legenda da foto: “Soldados dos EUA combatem em vila na Província de Kunar: guerra no Afeganistão…”
Qual o custo total de um soldado como este?
Também do jornal “Estadão”, edição dominical de 23.08.2009, pág.A24, com a legenda: “Jovem em lavoura de subsistência no Níger: países africanos esperam aumentar em dez vezes a colheita com tecnologia, capital e fertilizantes de investidores estrangeiros”. Foto Reuters/Finbarr O’Relly/2005
Qual o custo para resolver o problema da fome dessa gente?
QUEREMOS distância DESTE TIPO DE POSTAGEM. JÁ CUMPRIMOS O nosso papel DE DESCONSTRUÇÃO.
LEAD – abertura da matéria, edição de sábado, 22.08.2009, páginas 4/5, de Zerolândia, com a morte do sem-terra Elton Brum: “O Movimento dos Trabalhadores Sem terra (MST) ganhou um mártir ontem, após a morte de um militante de sua causa, Elton Brum da Silva.”
Trata-se de um AGRADO às elites reacionárias.
No jornal O Estado de São Paulo, edição do mesmo dia : “O militante Elton Brum da Silva, de 44 anos, morreu ontem durante conflito entre integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) e soldados da Brigada Militar, em São Gabriel, no sudoeste do Estado do Rio Grande do Sul. Ele foi atingido nas costas por um tiro de espingarda calibre 12.”
No jornal Folha de São Paulo, também do mesmo dia: “Uma operação de despejo de sem-terra executada pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul terminou com a morte de um trabalhador rural e pelo menos 13 pessoas feridas ontem no município de São Gabriel (312km de Porto Alegre)”
REPRODUZIMOS O PRIMEIRO PARÁGRAFO DAS MATÉRIAS DE CADA UM DOS JORNAIS. Não estamos afirmando que um jornal seja melhor do que outro. O “Estadão” não briga com a notícia. Poderíamos analisar vários outros aspectos da cobertura: manchetes, títulos, fotos, etc. Mas estamos sob regime de censura. Uma determinação da Justiça em função de uma ação movida por um funcionário com 35 anos de PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações).
Além disso, como já assinalamos, este não é mais o centro do nosso trabalho. Tenho dito aos meus alunos que JORNALISTAS trabalham – permanentemente – com noções de comparação.
Estou fazendo esta comparação em sala de aula. Espero não ser impedido. Um velho JORNALISTA – da velha geração – fez uma observação interessante e precisa. No momento que abriram um processo contra nós terminou uma etapa. É a confirmação de que acertamos. Fim de linha. O objetivo foi alcançado. E é isso que importa.
A Internet possibilita uma vigilância maior sobre os “enganadores”. Torna pública a enganação.

“Foto de Constantine Manos, 1964. A viagem, Dodecaneso, Grécia. Ao fundo, as ilhas de Dodecaneso e, em primeiro plano, o mar, ocupando a maior parte da imagem. O homem e o menino, por sua vez, olham em outra direção. Apenas a câmera restabelece a unidade: a viagem.” Reprodução de material da Coleção Folha Grandes Fotógrafos, n.13 com a temática mar.
Constantine Manos (1934)
Filho de imigandes gregos, Manos nasceu e foi educado nos Estados Unidos. Muito cedo se interessou por fotografia. Aos 17 anos foi contratado fotógrafo da Orquestra Sinfônica de Boston. Trabalhou para as revistas Enquier, Life e Look. Entre os anos de 1961 e 1964 residiu na Grécia quando passou a fotografar temas relativos ao mar. Nos Estados Unidos seu trabalho é realizado junto as populações pobres. Não encontrei até agora, na coleção grandes fotógrafos, nenhuma foto com um desses caras com uma descomunal câmera nas mãos.
Mais do que nunca o que importa é o “olhar”.
#### esta postagem estava prevista para o sábado, mas alteramos em função dos acontecimentos de São Gabriel, onde foi morto o sem-terra Elton Brum.
DERIVA I

Av. Independência (PA), sentido
centro/bairro, uma foto em “lomographya”,
máquina Holga, Iso 400, sem manipulação
digital. Filme 120mm. Imagem “scaneada” do
negativo. Deriva de final de tarde.
LOMO – máquina fabricada na antiga União
Soviética. Iniciais de Leningraskoge
Optiko-Mekhanicheskoye Obykineniye
Mais lomos AQUI
DERIVA II
wu
Parque da Redenção (PA), com Iso 100.
“Para atender as velhas e justas reivindicações populares, em maré constante que ameaça conduzir o País a uma convulsão talvez sangrenta , sinto-me no grave dever de propor ao exame do Congresso Nacional um conjunto de providências a meu ver indispensáveis, para serem, afinal satisfeitas as reivindicações de 40 milhões de brasileiros.

Fazenda Southall – agosto de 2009
Morte do sem-terra Elton Brum
“Assim submeto à apreciação de Vossas Excelências, a quem cabe privativamente a reformulação da Constituição da República, a sugestão dos seguintes princípios básicos pára a consecução da REFORMA AGRÁRIA: – a ninguém é lícito manter terra improdutiva por força do direito de propriedade. Poderão ser desapropriadas, mediante pagamento de títulos públicos de valor reajustável, na forma que a lei determinar: a) todas as propriedades não exploradas b) as parcelas não exploradas de propriedades parcialmente aproveitadas, quando excederem a metade da área total.

Fazenda Southall
Elton Brum morto com um tiro de 12
“Nos casos de desapropriações, por interesse social, será sempre ressalvado o proprietário o direito de escolher e demarcar, como de sua propriedade de uso lícito, área continua com a dimensão igual à explorada. O poder executivo, mediante programas de colonização promoverá a desapropriação de áreas agrícolas nas condições das alíenas “a” e “b” por meio de depósito em dinheiro e 50% da média dos valores tomados por base para lançamento do imposto territorial nos últimos cinco anos (…)

Material fotográfico enviado pela imprensa do MST
“(…) sem prejuízo de ulterior indenização em títulos, mediante processo judicial (…) Só por esse meio será possivel emprender a reorganização democrática da economia brasileira, de modo que efetue a justa distribuição da propriedade, segundo interesse de todos e com o duplo propósito de alargar as bases da Nação (….)

Foram muitos tiros contra trabalhadores desarmados
“estendendo-se os benefícios da propriedade a todos os seus filhos (…) Todas as áres destinadas ao cultivo sofrerão rodízio e a quarta cultura será obrigatoriamente de gêneros alimentícios para o mercado interno (…)”
TRECHOS DA MENSAGEM PROPONDO A REFORMA AGRÁRIA ENVIADA AO CONGRESSO PELO PRESIDENTE JOÃO GOULART, em 1964, poucos dias antes do golpe de primeiro de abril.
Governo Yeda, do PSDB. O mesmo do candidato José Serra. É assim que a “direita troglodita” trata os movimentos sociais. Muita porrada e alguns tiros. Em São Gabriel mais uma morte (Elton Brum) na luta pela Reforma Agrária. À esquerda, a “direita civilizada” faz discursos nos parlamentos. Tudo jogo de cena. Segue o massacre dos movimentos sociais pela força, tanto física como pela imposição de bens simbólicos criminalizadores, através das ações “isentas” da mídia corporativa. Imposição de subjetividades reacionárias ao conjunto da sociedade e como respaldo ao uso da própria força repressiva. Bens simbólicos legitimadores da política da porrada. Até quando?
A cobertura realizada por Zerolândia (jornal Zero Hora, do GRUPO RBS), incluindo editoral, possibilitaria uma “leitura” sobre como a mídia corporativa opera com os padrões de manipulação por fragmentação, ocultação, inversão e indução.
Estamos sob censura. As páginas possuem material que estamos impedidos de comentar por determinação da Justiça. Um funcionário com 35 anos de firma (Rede Brasil Sul de Comunicação) move uma ação contra Pontodevista. Os “repórteres” enviados a São Gabriel já introjetaram os interesses do Grupo de tal forma que escrevem no piloto automático. JORNALISMO em uma episódio como este seria, por exemplo, mostrar a arma que matou o sem-terra. Ou levantar, no mínimo, um detalhado perfil de Elton Brum, o sem-terra assassinado. Uma página do jornal deveria abrir uma pequena foto para os brigadianos feridos (com pedras) e uma grade foto do corpo (a morte é o fato) sendo levado para o velório. Elton foi ASSASSINADO COM UM TIRO DE UMA DOZE, nas costas. Zerolândia fez o contrário (ver página 8, edição de 22.08.2009). Lamentamos.
Estamos impedidos de uma crítica visceral. Uma crítica com a radicalidade proporcionada pelo uso dos estiletes cortantes. Das palavras.
Aos companheiros do MST: ousar lutar, ousar vencer.