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ORLA DO GUAÍBA

Nikon n80, slide Sensia ISO 100, revelado como se fosse um negativo (processo cruzado), scaneado direto do slide, sem nenhum ajuste digital posterior. Autor Alexandre Lucchese.

“Toda imagem produzida se insere necessariamente na correnteza das imagens de determinada sociedade, porque toda imagem é resultado de codificação simbólica fundada sobre código estabelecido. Por certo: determinada imagem pode propor símbolos novos, mas estes serão decifráveis apenas contra o fundo ‘redundante’ do código estabelecido. Imagem desligada da tradição seria indecifrável, seria ‘ruído’. Mas, ao inserir-se na correnteza da tradição, toda imagem propele por sua vez a tradição rumo a novas imagens. Isto é: toda imagem contribui para que a mundivisão da sociedade se altere.” ( “O universo das imagens técnicas – elogio da superficialidade”, de Vilém Flusser, editora Annablume)

“Todas as faculdades da alma humana devem
ser subordinadas à imaginação que as
requisita todas ao mesmo tempo.” (Baudelaire)
  
“É preciso estar ocioso para falar
da imaginação vadia.” (Bacherlad)
 
“A imaginação literária desimagina
para melhor reimaginar.”  (Bachelard)

Veja mais AQUI EM Os estrangeiros.

FOTOCAMPANA NÃO É FOTOJORNALISMO
    Capa do jornal Folha de São Paulo, edição dominical de 09.08.2009, chamando para matéria “Exilados da cracolândia”. Não é fotojornalismo. Assim, desta forma, é atividade policialesca. Zerolândia, com profissionais das matérias 500 (de interesse da empresa), realiza atividade idêntica (existem vários indicativos), em conjunto com o serviço de inteligênca (P2) da Brigada Militar. Não é jornalismo. Não posso recomendar esta prática aos meus alunos no curso de jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS).
         Fotocampana não é fotojornalismo. Temos esta opinião. O repórter Caco Barcellos deu, ainda recentemente, um belo exemplo de como é possível uma matéria jornalística sobre o tema. Já fotografamos consumidoras de crack, em Porto Alegre, sem qualquer tipo de subterfúgio. Algumas destas pessoas (verbalmente) autorizaram a publicação. Não utilizamos o material. Poderia funcionar como levantamento cartográfico a ser utilizado pela repressão.
       Em algum momento esta questão terá que ser debatida. Uma discussão muito mais importante do que a meleca da obrigatoridade do diploma.

          DIPLOMA DE JORNALISTA É PERFUMARIA
               MANIFESTO CONTRA A HIPOCRISIA

        O diploma não está ameaçado porra nenhuma. Acabou. Não é por acaso que a Rede Globo garante que continuará prestigiando as escolas de “comunicologia” e que, por outro lado, irá abrir espaço a “especialistas” de outras áreas. Todos, ideologicamente, confiáveis. O PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação), também, promete que vai continuar valorizando os cursinhos da perfumaria. É só uma flexibilização. A ditadura midiática ganha “ares de diversidade”. A medida não altera porra nenhuma em termos da produção das atuais ”informações ficcionais”, dos releases das assessorias de imprensa. Associar “qualidade da informação” com diploma é deboche. Até mesmo na história recente de Zerolândia (jornal Zero Hora) esta associação é piada. Uma redação com hegemonia de profissionais sem diploma era dirigida pelo Lauro Schirmer. Dava para ler o jornal. Uma redação hegemonizada pelos com diploma e direção de Marcelo Rech vai para história do lixo. Insistimos na idéia de que a mídia corporativa é monolítica ideologicamente.
       Ninguém diz nada sobre a conjuntura em que o diploma foi criado. Assim, como ninguém diz nada sobre a conjuntura atual, a do fim do diploma. É preciso, no entanto, assinalar a característica básica dos dois momentos: ditadura militar e ditadura midiática. Absoluta falta de democracia. Ditabrandas. O MST pode dizer algumas coisas interessantes sobre o tema. Na militar, as redações eram “controladas” por intelectuais de esquerda. Ou, no mínimo, por simpatizantes. A ditadura precisava de “profissionais” com outro perfil. No começo foi quase impossível. A meninada (com o diploma) mandava “bala” contra a ditatura. E os “velhos” jornalistas prestigiavam. Ou faziam vistas grossas. Na atualidade, o fim do diploma “flexibiliza” e reforça os cursinhos técnicos de comunicologia. Uma adeguação ao Deus Mercado. A grande novidade – e a mídia corporativa precisa – será a formação de showrnalistas especializados na transmissão de infográficos online. Ou de “especialistas” em segurar microfone. Isso tudo é uma grande piada. 
       Está aberta, no entanto, a possibilidade de implodirmos com os cursos de “comunicologia”, pela esquerda. Está aberta a possibilidade de formação de JORNALISTAS marginais, subversivos e da periferia. Estes cursos populares darão prioridade à formação do caráter. Não esquecendo, é claro, que a esquerda  sabonete é um zero à esquerda. Uma idéia anarquista. Em 20 anos de Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) nunca tive um aluno negro que não fosse africano. Não tive em aula um estudante de JORNALISMO morador da Lomba do Pinhero (periferia de PA). Estamos de olho na possibilidade de construção de ESCOLAS DE JORNALISMO na periferia. Currículo de Agiprop (agitação e propaganda). Contra o sistema. Luta de classes existe, sim. O “showrnalismo” que a mídia corporativa faz ficará “melhor”. Zerolândia ficará melhor “qualificada”. Especialistas (não diplomados) poderão brilhar. 
       Comecei na profissão com Marcos Faerman (Marcão), trabalhei com Pilla Vares, João Aveline e José Onofre; tive aulas de marxismo e de jornalismo com Marco Aurélio Garcia, criador do primeiro Caderno de Cultura de ZH; também tive algumas lições de jornalismo com Jefferson de Barros. JORNALISTAS eram intelectuais e de esquerda. O diploma que predominava era o de advogado. Nenhum jornalista da República de Livramento (Elmar, para os antigos o Bicudo)tem diploma. Acho que o Trindade (hospitalizado em Brasília com sérios problemas de saúde) e o Vieira também não. Boa parte da redação da Folha da Manhã, da Caldas Junior, não tinha diploma. Poucos integrantes da Coojornal tinham o tal diploma. O decreto que cria a habilitação em Relações Públicas, dentro dos cursos de “comunicologia”, foi assinado pelo Jarbas Passarinho e o Delfim Neto. Não consegui o registro por ter passado uma temporada na cadeia. Fui obrigado a fazer a faculdade. Tenho o tal do diploma. Sou professor por um descuido do sistema. 
       Os atuais cursinhos técnicos de “comunicologia” continuarão formando o pessoal que é treinado para escrever 30 linhas. (ponto) Bons de telefone. (ponto) Ou então com qualificação para buscar release na Secretária de Segurança Pública. (ponto). Para os que possuem o DNA da profissão o diploma é um detalhe. E quando não existia Internet o cara “cascateava” e não tinha como denunciar. A informação ficava restrita ao meio profissional. Agora, o cara “cascateia” e um blogueiro (não showrnalista) denuncia e é processado. A rede de conivências corporativas é silenciosa. Só faz estardalhaço na defesa da “liberdade de imprensa”, deles. Os atuais “showrnalistas”, todos diplomados, são e continuarão sendo cartógrafos do sistema. Mapeadores serviçais das elites. Nenhum dos 30 melhores alunos que tive em 20 anos de Fabico trabalhou em Zerolândia  (jornal Zero Hora), poucos andaram (passagens rapidíssimas) por outros veículos da mídia  corporativa e todos, literalmente todos, exercem a profissão comprometidos com a vida. Acho que dei minha contribuição na formação destes JORNALISTAS. Para todos eles o diploma foi um detalhe. Uma imposição burocrática e autoritária. Quase sempre de professores que não deram certo na profissão. Ou de acadêmicos que nunca passaram nas proximidades de uma redação.
        Professores qualificados com o dinheiro público (mestrado e doutorado), com pouco tempo de serviço nas salas de aula das instituições públicas, hoje aposentados, trabalham nas particulares. E, estranhamente (?), professores que passaram grande parte de suas vidas lecionado nas universidades privadas acabam se aposentando pelas instuições públicas. Concursados, é claro. É a rede. Sim, a rede de conivências corporativas.
       O que vai contecer? Não sei. A todos os piratas, hackers e anaquistas  e loucos, de um modo geral, desejo sucesso na multiplicação dos espaços de liberdade. A clandestinidade exige atenção, humildade, intuição e pode ser o caminho para o exercício do JORNALISMO com o velho sentido da profissão. Propomos a multiplicação de planfletos eletrônicos. A realização de bacanais. De orgias eletrônicas planfletárias contra o sistema. Pela realização dos prazeres criminosos e ilegais. Abandonamos a idéia dos piquetes. O melhor é vandalizar. Não significa porra nenhuma protestar. Queremos atos de desfiguramento. Não aceitamos os estúpidos disperdícios como, por exemplo, a imensa quantidade de papel gasto em jornais de merda. Lutamos pela destruição dos símbolos dos impérios da “comunicologia”. Zerolância é criminosa. Aliena. O diploma não está ameaçado porra nenhuma. Nunca esteve. Acabou. (ponto) Fotografem a miséria conversando com os miseráveis. Aprendendo com eles. Pela ação dos marginais, dos que estão à margem, avançamos contra a barbárie.
       Jornalistas, como agentes da subversão, nunca se inscrevem para concorrer a prêmios. E muito menos ainda para o Prêmio Ari-Gó (Associação Riograndense de Imprensa). Não são os “showrnalistas” que são premiados, mas as empresas para quais vendem  a alma. É tudo matéria 500. De interesse da empresa. É parte da política de relações públicas. A Esso criou o Repórter Esso para combater a campanha do Petróleo é Nosso. E o “camarada” Lula poderá ser presidente do Banco Mundial.
        Viva Hélio Oticica e os parangolés!!!  Queremos tudo Zensentido. Glauber Rocha não tinha diploma de porra nenhuma. E, assim, ameaçava a burguesia. Como dizia o velho guerreiro Chacrinha: “quem não se comunica se trumbica”.               

                        Desculpas
                        às vezes
                        perco
                        ímpeto
                        radical
                                      
                        Da raiz
                        PALAVRAS
                        estiletes
                        CORTANTES

 

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