É uma pena que
não possa comentar, comparativamente, as últimas matérias do jornal “Estadão” sobre o circuito do crack, no centro da cidade de São Paulo e o showrnalismo de “Crack nem pensar”, de Zerolândia. Ou digo o que penso ou fico mudo.
O novo Parque Gráfico e a respectiva reforma do jornaleco tornou o conteúdo mais voltado para o emburrecimento geral. Não se trata de implicância ou de gosto. É uma opinião.
RBS NEM PENSAR (II)
O que há por trás da campanha contra o crack…
TV é droga. A RBS engambela a população de SC e RS, de modo apelativo e pouco disfarçado. A campanha “crack nem pensar”, é mais uma estratégia de marketing, da sobrevivência do monopólio televisivo em incutir o medo e a nóia na mente da audiência, através do sensacionalismo. O crack está no nosso trabalho, no nosso prato de comida, nos ônibus urbanos, além da telinha, está sendo embutido no imaginário dia após dia. Um novo “ente” projetado para alarmar a sociedade. Destruindo lares. Ceifando vidas. Enfim, “protejam seus filhos”!
Sim, pois o que motiva a tal campanha é o fato da “pedra” estar sendo consumida constantemente pelos filhos da classe-média. Se ficasse só restrita aos pobres, tanto faz. Pobre que se exploda, como dizia Justo Veríssimo, um dos personagens de Chico Anysio nas antigas. No entanto, a “pedra” é barata. É uma merda, sim. Não “expande” a consciência como o LSD, nem relaxa como a Cannabis. Além de causar danos irreversíveis ao cérebro. Mas é um estupefaciante mais acessível, e não só aos pobres, como a qualquer cidadão que queira curtir um “barato” a mais.
Nisso mergulha a juventude classe-mediana. O mesmo “público-alvo” que poderia consumir a cocaína, mas devido ao alto preço da “branca” não vale a pena se arriscar a subir o morro, e entrar numa roubada, seja na mão de um traficante ou da polícia. O crack se dissemina e pode ser encontrado em qualquer esquina. Como foi dito, mais barato e acessível.
Por trás disso, há um abalo sensível neste mercado ilícito. Se os ricos não estão consumindo mais o pó como antigamente, algo precisa ser feito. Como sabemos, magnatas estão por trás do narcotráfico. São políticos, empresários, militares e outros próceres influentes na vida social e na alta sociedade que cheira pacas. Ou que está “tecando” menos? É improvável que possa existir algum “tecômetro” para medirmos o quanto os vips estão metendo o nariz ou não.
À boca miúda corre a lenda de algumas figuras notórias e públicas que estejam envolvidas com o consumo e o tráfico da parada. Colunistas sociais, artistas, apresentadores, repórteres, enfim, no meio showrnalístico tem muito doidão. Nomes são falados, no entanto sem conter o ônus da prova. E por extensão, se especula que até donos de meios de comunicação bastante conhecidos também estão metidos (até o nariz) no bagulho.
A letra tá dada… (De JuccA Sassafrás)





sassafrás — 14/07/2009 @ 15:34
WU, só te digo uma coisa: essa campanha showrnalística da RBS contra o crack, é puro mercado. Não o mercado editorial, pra vender jornal ou angariar audiência; o q também está na “agenda” deles, mas sim porque o crack já está na classe-média e atrapalhando os negócios dos grandes fornecedores de cocaína, a droga dos magnatas. A letra foi dada…abraço!
ronaldo — 14/07/2009 @ 21:44
Seu silêncio, caro WU, é um estrondo na percepção de quem quer escutar e enxergar; de quem não quer, nem Marx afetaria o olhar. A miséria do jornalismo gaúcho fortalece, na mesma proporção, o espírito crítico de quem vê a palavra como instrumento para libertação, e a nega como negócio sujo. Ao esgoto o cadáver perfumado das rotativas de última geração, fábricas de cegueira pública, ou cultivo da mesma sobre os cegos conscientes. Viva a possibilidade que ainda existe de pensar e escolher, mesmo silenciosamente, o que vale a pena ler. Disso se alimentamos. Bom proveito em sua sábia, e temporária, digestão!!!
Andrés Lasso Ruales — 15/07/2009 @ 01:30
Desde que o senhor me recomendou o Estadão, vi a diferença. O caderno de cultura dos domingos do Estadão é uma aula relamente.
Obrigado pela dica.
Abraço,
Andrés.
sassafrás — 15/07/2009 @ 09:37
WU e interessados, acessem o meu blog, e tirem suas conclusões sobre o q há por trás da campanha contra o crack. Abraços!
Sadhya — 29/07/2009 @ 17:42
WU, até parece nome de guerreiro chinês…rs! Adorei ter lido sua análise, visão e abordagem sobre a megalomaníaca campanha contra o crack. Escreves com muita propriedade e lucidez. Isso aí hermano! E uma coisa que gostaria de comentar é sobre a produção do vídeo, onde colocaram modelos lindos”usuários”, todos de olhos claros, brancos, enfim…e não pessoas “reais” q estão mesmo no inferno do crack. Muita hipocrisia! Não deu nem pra disfarçar… hahahah.