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QUE MIL FLORES DESABROCHEM

        Nas ruas. Definitivamente, decidimos suspender todas as nossas atividades. Só trabalhamos com “a faca no pescoço” e pairando no ar a subjetividade da autocensura, no tempo da ditadura. E, no entanto, nem na década de 70, após dois anos de cadeia, na velha rádio Continental do “1120 é notícia” fomos submetidos a uma medida semelhante. Não tem sentido, a estas alturas da vida, estar limitado ao ponto de não poder comentar, por exemplo, fotos publicadas nas páginas de Zerolândia. Esta prática tem a denominação de censura. Estou sendo processado por um funcionário que tem quase 40 anos de serviços prestados ao PRBS. Este é o fato.  O resto é blábláblá.
        O fluxo cósmico muda, diria um velho mestre do zen.  No momento que se alterar iremos avaliar se vale a pena voltarmos ou não a esta atividade, em Pontodevista. Na Internet, mesmo com todas estas tentativas de controle, existem – ainda e por enquanto (???) – mil espaços onde poderemos publicar nossos textos e fotos, na mais absoluta clandestinidade. Que cem flores desabrochem diria o camarada Mao. Nós, diríamos mil. E em mil novos espaços vamos dizer o que ainda não dissemos. De alguma outra forma estaremos, objetivamente, trabalhando para a recuperação do velho jornalismo. Como a arte da subversão.
         Queremos agradecer a todos que se manifestaram em solidariedade. Aos que se ofereceram para o pagamento de duas semanas de multa para que nós descêssemos o sarrafo. Os contatos pessoais, fora do espaço da Internet e do telefone, foram importantes. A todos os piratas, hackers e anaquistas  e loucos, de um modo geral, desejo sucesso na multiplicação dos espaços de liberdade. A clandestinidade exige atenção, humildade, intuição e pode ser o caminho para o exercício do JORNALISMO com o velho sentido da profissão. Estamos propondo a multiplicação de planfletos eletrônicos. A realização de bacanais. De orgias eletrônicas planfletárias contra o sistema. Pela realização dos prazeres criminosos e ilegais. Abandonamos a idéia dos piquetes. O melhor é vandalizar. Não significa porra nenhuma protestar. Queremos atos de desfiguramento. Não aceitamos os estúpidos disperdícios como, por exemplo, a imensa quantidade de papel gasto em jornais de merda. Lutamos pela destruição dos símbolos dos impérios da comunicologia. No entanto não podemos perder de vista as buscas que devemos realizar como verdadeiros jornalistas. O diploma não está ameaçado porra nenhuma. Fotografem a miséria conversando com os miseráveis. Aprendendo com eles. Jornalistas, como agentes da subversão, nunca se inscrevem para concorrer a prêmios. E muito menos ainda para o Prêmio Ari-Gó. Cuidado, sempre, para não contribuirem para o trabalho de cartografia. O showrnalistas, na atualidade trabalham, burocráticamente, como mapeadores (cartógrafos) do sistema. Grande parte deles sabem que estão vendendo a alma. Os mais novos precisam de emprego. Precisam começar. Os da “velha geração”, quando fazem o jogo do sistema, são carneirinhos. E ninguém é inocente nessa parada. Fazem parte do aparato repressivo do Estado. Porrada com as crackolândias (Diário Gaúcho e Zero Hora), onde não se acham pedras e sim miséria e ”marquetim” com campanha “crack nem pensar”. No tempo do camarada Bisol era um problema de falta de comando da polícia. Na atualidade é um problema de mutirão contra a morte. Estou “autorizado” a fazer referências apenas genéricas e proibido de realizar análises pontuais.
         Acreditem, não existe nenhum sentimento de perda. Não estou preocupado com currículo, mas esta parada conta pontos. E positivos. Existe a paz proporcionada pela retidão moral com que exercemos a profissão nos últimos 40 anos. O mundo é mais mundo pela ação dos marginais, dos que estão à margem. Nasci torto, sou gauche.
                                             (assinado Wu)

++++++  havendo alguma novidade, nas quartas, em poucas linhas, repassaremos as informações. Em princípio estamos encerrando, em definitivo, nossas atividades nesse espaço. Mil desculpas pela pentelhação dos últimos tempos. Saudações fraternais a todos que aqui estiveram.

            CENSORES UNIDOS SERÃO DERROTADOS
        Na década de 70, após dois anos de cadeia, trabalhando na velha Rádio Continental não fui submetido a nada parecido. Usar apelido era “fichinha”. Milico era milico. Estou impedido, por exemplo, de comentar a página 33, da edição dominical de Zerolândia (31 de maio de 2009), com matéria sobre a Ilha Presídio, do Guaíba, local onde cumpri 1 ano e nove meses da pena; onde convivi com Carlos Araújo, Raul Pont, Índio Vargas, tenente Dário (da guerrilha de Caparaó) e uma geração de revolucionários. Não chega ser estranho o fato de que a matéria cita o livro “Uma reportagem de idéias”, de Christa Berger e Beatriz Marocco. A professora Christa não deve ter tido a oportunidade de escutar alguma coisa da minha história quando trabalhou na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), assim como a Beatriz talvez não tenha se lembrado de alguma referência à minha história quando ela era repórter da ZH e, eu, junto com o companheiro João Aveline (PCB/Partidão) fazíamos a Chefia de Reportagem. Não estou reivindicando nada. Mas esta “notinha” caiu do céu. Eles brilham nas páginas de Zerolândia e nós somos processados. Nosso principal objetivo foi alcançado. Para o leitor médio representa pouco. Mas Zerolândia precisa assumir algum tipo tipo de participação da campanha Cascata Nunca Mais. Caso contrário poderá parecer estar conivente com estas práticas. Haverá alguma perda de credibilidade. É certo que todos os showtógrafos estão se cuidando. O controle do material produzido, em princípio, deve estar sendo maior.
          Censores, uni-vos!
          E nunca esqueçam que policiais são terroristas com as credenciais certas. Professores devem ser reprovados. E que a esquerda é um zero à esquerda. Uma idéia anarquista.

1 Comentário »

  1. BLOGOSFERA POLÍTICA GAÚCHA: O QUE FALTA PRA BOMBAR? | — 16/06/2009 @ 22:10

    [...] Elogios à parte, o que era para ser uma sugestão voltada a ele em um singelo comentário dentro de um dos posts dessa série, agora virou uma sugestão geral a todos os blogueiros gaúchos independentes que se envolvem com política. Sei que muitos estão com medo dos processos contra blogs amigos (o PONTO DE VISTA do professor Wladimir Ungaretti, o MILTON RIBEIRO e o NOVA CORJA (processos um, dois e três), só para ficarmos no RS). No entanto, mesmo com a famigerada LEI AZEREDO rondando a liberdade de expressão como um fantasma, ainda sinto-me confiante para afirmar que a internet é livre e que há muitos mecanismos para desviarmos dessas arbitraridades. [...]


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