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PARA PERFURAR O TEU ESTÔMAGO

   Esta é uma parceria mais antiga. Andam sumidos. A característica do comportamento desta parceria era a extrema mobilidade. Eram vistos em diversos pontos da cidade. Nomadismo absoluto. Humores etílicos, sempre.  
       “Mendigo e vagabundo, é o que aparece aos olhos daqueles que recusaram o combate contra esses deuses para se entregarem de corpo e alma eximindo-se de toda luta. Sujos, hirsutos, fedorentos, vestidos de farrapos, amarrados como embrulhos, protegidos por artefatos que são também uma colagem de dejetos, os mendigos aumentam freqüentemente sua claudicação pelo uso do álcool como único viático, único revigorante permetido para atravessar as provas do frio, da fome, da noite, da solidão, do abandono e do isolamento. O vinho ruim dá ao corpo algo com que se sustentar e se aquecer quando tudo em volta a se mostrar hostil.” (texto do livro “A Política do Rebelde”, de Michel Onfray, da editora Rocco, pág.65)

           Que a imagem
                            e o
texto de Michel Onfray
                           se façam estiletes.
                           E que estes, no dia de hoje,
                                  perfurem teu estômago.
O deles quase sempe
está vazio.
             A principal caloria consumida
                            é a cachaça.

A gang de Bonnot (grupo de bandidos anarquistas liderados por Jules Bonnot que aterrorizou a França entre 1911 e 1912) era vetariano e bebia apenas água. Terminaram mal (embora de forma pitoresta). Vegetais e água, coisas excelentes em si mesmas – pura realidade zen – não devem ser consumidas como martírio, mas como uma epifania. A autonegação como práxis radical, o impulso leveller, tem um quê de tristeza milenar, e esta facção da esquerda compartilha o mesmo manancial histórico do fundamentalismo neopuritano e da reação moralísta da nossa década. A Nova Ascese, não importa se praticada por anoréxicos de saúde desequilibrada, sofisticados sociólogos policiais, niilista caretas do centro da cidade, fascistas batistas do sul, militares socialistas, republicanos drug-free… a força motivadora é a mesma: RESSENTIMENTOS. O sistema é movido por pessoas ressentidas. Nas fuças do falso moralismo analgésico do mundo contemporâneo, erigiremos uma galeria de bustos com nossos antepassados heróis que mantiveram viva a luta contra a má consciência, mas que também souberam se divertir. Uma homenagem a todos os marginais. Este texto, por exemplo, foi aprovado por Sheik Abu Sa´id, Charles Fourier, Cara de Cavalo, Rabelais, Abu Nuwas, Mineirinho, Marcinho VP, Oscar Wilde, Marcola e a turma do PCC, Emma Golman, Wu, Sir Richard Burton, Uê e a turma do CV, Hélio Oiticica com seus parangolés e Antonin Artaud. Geoge Bataille andava desaparecido. Dizem alguns que estava envolvido com a produção do texto “A história do olho do cu”.
        Diplomados são cartógrafos do sistema. A qualidade das informações é padrão Veja. JORNALISMO é subversão. 

3 Comentários »

  1. Leonardo Klück — 13/05/2009 @ 13:38

    Muitas vezes parei pra conversar com esse casal. Esse cara é um grande cartunista, passava os dias desenhando e expondo ali embaixo do viaduto da Borges. Hoje em dia não sei se continua fazendo isso.

  2. Andrés Lasso Ruales — 14/05/2009 @ 02:09

    Para mim sempre será uma honra escrever no seu blog. Não sou puxa saco, simplesmente sincero e direto como todo idiotizado pela consciência social e a Literatura. A aula de hoje, me lembro muito do filme A Sociedade dos Poetas Mortos, com Robin Williams, eu me pergunto como se sente Ungaretti?, olhando tanta injustiça e sobre todo tanta falta de espiríto. Eu sei que tem muito idealista perdido nas faculdades do mundo inteiro. Mas lamentablemente nos vendemos ou nos absorbe o sistema , este modelo tão frio , tão manipulador, tão hijo de puta( tinha que sair minhas raízes).Os jovens deveriam pensar em ser conscientes dos acontecimentos atuais, mas não eles são robots e querem ser os melhores. Aonde vamos a chegar? Suas letras ou alías , seus estiletes mostram a sensibilidade de um “Enormismo Cronópio”, como falava , o cronópio mais famoso do mundo, Julio Cortázar. Assim são os cronópios, intedidos pelos famas e pelos esperanças.Mas eles seguem somente o ditado de seu coração. Wladimir, aqui tu tem um soldado cronopiesco disposto a lutar contra toda desigualdade.

    Andrés

  3. Alexandre Haubrich — 14/05/2009 @ 02:56

    Essa série de posts está genial, Ungaretti.
    É exemplo do melhor fotojornalismo, do melhor jornalismo, da melhor arte e, sobretudo, da maior humanidade possível.


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