PARA PERFURAR O TEU CORAÇÃO
Esta é outra parceria. Largo Glênio Peres, sexta-feira passada, centro de Porto Alegre. Estavam muito alcolizados e confusos. Não foi possível estalecer um diálogo proveitoso. Não entenderam o que estávamos pedindo. Esta é a geografia das calçadas.
Uma tarde de grande movimento no local. A mais absoluta indiferença diante da cena. Sim, dois brasileiros.
Na geografia das calçadas eles são o “lixo” do sistema. Restos humanos.
Mesmo na dor são capazes de gestos de afetividade. Dois brasileiros com corações ainda marcados por bons sentimentos.
Que estas imagens
e o
reduzido número de
palavras
tenham a função de
estiletes.
Que perfurem teu coração.
E teus olhos.
O conceito de TAZ (Zona Antonôma Temporária) surge inicialmente de uma crítica à revolução, e de uma análise do levante. A revolução classifica o levante como um fracasso. Mas, para nós, um levante representa uma possiblidade muito mais interessante, do pontodevista de uma psicologia de libertação , do que as “bem-sucedidas” revoluções burguesas, comunistas, fascistas, etc. A revolução fechou-se, mas a possibilidade do levante está aberta. Por ora, concentramos nossas forças em “irrupções” temporárias, evitando o enredamento com “soluções permanentes”. O mapa está fechado, mas a zona autônoma está aberta; metaforicamente, ela se desdobra por dentro das dimensões fractais invisíveis à cartografia do Controle. E aqui podemos apresentar o conceito de psicotopologia (e psicotopografia) como uma “ciência” alternativa àquela da pesquisa e criação de mapas e “imperialismo” psíquico do Estado. Estamos à procura de “espaços” (geográficos, sociais, culturais, imaginários) com potencial de florecer como zonas autonômas – dos momentos em que estejam relativamente abertos, seja por negligência do Estado ou pelo fato de terem passado despercebidos pelos cartógrafos, ou por qualquer outra razão. A psicotopologia é a arte de submergir em busca de potenciais. De TAZ.
Ajudando os mendigos, moradores de rua, catadores de lixo você estará impedindo a higenização da cidade. Concentração de mendigos pode ser TAZ. Será uma importante contribuição para desorganização do trabalho dos cartógrafos do Estado, sempre viscerais na repressão. Gaste, diariamente, algumas moedas com o povo das ruas. Estimule a ocupação das marquizes. Presentei um povo da rua com uma garrafa de pinga. Na prática da DERIVA descubra e indique locais para o povo da rua ocupar. Cachaça é a caloria disponível e possível. A pedra é criação do sistema para eliminar os pobres. Não existe tragédia e muito menos flagelo. Existe um genocídio do excedente de miseráveis. Matéria prima que o showrnalismo transforma em espetáculo.
Só pense soluções radicais e que nos leve a sucessivos levantes. E se movimente sempre na clandestinidade. Não tenha ilusões. Só sonhos. Utopias. E sempre que possível não perca a oportunidade de rir. É a melhor terapia para enfrentar tanta hipocrisia.
Fotografar uma concentração de mendigos que ocupam com regularidade um mesmo espaço é facilitar a vida dos cartógrafos do sistema repressivo. É contribuir – também – para a prática já introjetada pelos showrnalistas. Estes “escrivinham” e “showtografam” cobrando, dos cartógrafos, um monitoramento mais eficiente. E do Estado a implantação das políticas higenizadoras. Ajudam o sistema a monitorar os “distúrbios”.Showrnalista diplomados, da mídia corporativa, são agentes do aparelho ideológico repressivo. São eficientes cartógrafos do sistema.
Precisamos ter mais atenção. Toda vez que mostramos um espaço de liberdade a repressão baixa para destruir. Muitas vezes ao apontarmos as “misérias”, do sistema, estamos ajudando a higenização. A política que eles (agentes do aparelho de Estado) denominam de recuperação dos espaços públicos. Devemos manter – até mesmo - os miseráveis em movimento. Pela construção de centenas de colunas guerrilheiras circulando pelas calçadas. Ou de kamikazes. Kami significando “deus” e kaze significando vento. Deriva permanente. É uma tarefa urgente ensinarmos que o nomadismo é uma forma de levante.
JORNALISMO é subversão.





João Dal Mollin — 13/05/2009 @ 05:20
Mas que baita post!
JORNALISMO É SUBVERSÃO.
Abraço!