EM HOMENAGEM A BAADER MEINHOF
“… deslocar-nos quando ele não nos espera.” Sun Tzu

arte de Eugênio Neves
Realizamos esta postagem de hoje (28.05.2009), antecipando em um dia a data anunciada por nós para a retomada das atividades, após uma semana de silêncio. A partir de amanhã (29.05.2009) manteremos nossa atitude de protesto. Mais uma semana de silêncio. Estamos sujeitos a uma multa de 150 reais diários em decorrência de qualquer comentário ou análise de materiais publicados por Zerolândia (jornal Zero Hora, da RBS). Não posso, por exemplo, apontar que “fotocampana” não é fotojornalismo. Todo o material produzido, anteriormente, de crítica ao ”showrnalismo cascateiro” foi retirado, tanto do sítio como do blog. Censurado. Esta é a minha opinião. Sou professor de jornalismo e tenho que ter assegurado o direito de dizer o que pensamos sobre tais práticas do showrnalismo. Apelidos não foram inventados por nós e tão pouco são o centro do nosso trabalho. Diante desta ação de força só nos resta esta atitude. A medida, do pontodevista concreto, seleciona o que podemos ou não analisar. Estamos autorizados (!!!??????) a comentar, apenas, as perfumarias. Ou a não comentar tais perfumarias. A medida nos impede do exercício da crítica. Trata-se de um ato de censura. E diante deste estamos imobilizados.
A ação movida contra nós é patrocinada pelo PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações), tendo em vista que é assumida por um funcionário de carreira com quase 40 anos de casa. Este é um fato. O resto é blábláblá na fabricação de mentiras. Não tínhamos noção – precisa – do o quanto nossas críticas incomodavam. Nossa inferioridade diante do gigantismo do Grupo é imensa. Temos, nesse momento, apenas força moral; a mais absoluta convicção das críticas realizadas por nós. Alguns possíveis erros de avaliação (ou até exageros) não anulam a honestidade com que estas foram realizadas. Em algum momento deverá prevalecer a força da retidão moral. Pouco importa ao final o resultado das ações. O episódio é emblemático. Indicativo do que pode estar sendo articulado. Alguns leitores informam que empresas da mídia corporativa estariam sugerindo que tudo que venha a ser publicado, na Internet, tenha como anexo uma ficha. Dados com número da carteira de identidade, CPF e outras informações.
Solicitamos, na medida do possível que todos, em seus respectivos espaços mantenham viva a informação de que estamos sob censura. E com alguma periodicidade. Esperamos, também, que a nossa situação não venha a se constituir em motivo para a autocensura. Agradecemos, antecipadamente, todas as manifestações de solidariedade. E de carinho.
Mais uma vez estamos sendo empurrados gradativamente, queiram ou não, para a clandestinidade. Estudamos a possibilidade de encerramos esta etapa. Talvez fique como alternativa a produção (clandestina) de textos e fotos para outros blogs e sítios. Sempre estive à disposição de todos os grupos anarquistas.
Nossa postagem anterior foi encerrada com um viva ao Hamas. Uma provocação, sim. Encerramos esta com outra provocação. Desta vez, vivas em memória do grupo Facção Exército Vermelho, conhecido como Grupo Baader Meinhof.
Palavras e fotos como estiletes, sempre. Subvertendo a lógica das aparências, JORNALISMO é subversão.
CARAS DE NOSSO PAÍS
Maria Teresa é uma emprega doméstica aposentada. Não tem nenhuma foto sua a não ser em documentos. Contou que na noite anterior não tinha se sentido bem.
Zerolândia orienta e comanda a cenografia. Fotos apenas de gente jovem e bonita. Maria Teresa explicou como que o caldinho de um prato de mocotó tem o poder de recuperação.
Prometemos a ela deixar no local copias do material fotográfico. Ela ficou super agradecida, mas durante todo o tempo explicou que não podia pagar. Maria Teresa é CARA de nosso país. Gente assim não aparece na mídia corporativa. Ou aparece como alguma forma de espetáculo. O sorriso dela é bonito. Deve ter cuidado de muita criança branca.
Mais educada, impossível.
CENSORES UNIDOS SERÃO DERROTADOS
Na década de 70, após dois anos de cadeia, trabalhando na velha Rádio Continental não fui submetido a nada parecido. Usar apelido era “fichinha”. Milico era milico. Estou impedido, por exemplo, de comentar a página 33, da edição dominical de Zerolândia (31 de maio de 2009), com matéria sobre a Ilha Presídio, do Guaíba, local onde cumpri 1 ano e nove meses da pena; onde convivi com Carlos Araújo, Raul Pont, Índio Vargas, tenente Dário (da guerrilha de Caparaó) e uma geração de revolucionários. Não chega ser estranho o fato de que a matéria cita o livro “Uma reportagem de idéias”, de Christa Berger e Beatriz Marocco. A professora Christa não deve ter tido a oportunidade de escutar alguma coisa da minha história quando trabalhou na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), assim como a Beatriz talvez não tenha se lembrado de alguma referência à minha história quando ela era repórter da ZH e, eu, junto com o companheiro João Aveline (PCB/Partidão) fazíamos a Chefia de Reportagem. Não estou reivindicando nada. Mas esta “notinha” caiu do céu. Eles brilham nas páginas de Zerolândia e nós somos processados. Nosso principal objetivo foi alcançado. Para o leitor médio representa pouco. Mas Zerolândia precisa assumir algum tipo tipo de participação da campanha Cascata Nunca Mais. Caso contrário poderá parecer estar conivente com estas práticas. Haverá alguma perda de credibilidade. É certo que todos os showtógrafos estão se cuidando. O controle do material produzido, em princípio, deve estar sendo maior.
Censores, uni-vos!
E nunca esqueçam que policiais são terroristas com as credenciais certas. Professores devem ser reprovados. E que a esquerda é um zero à esquerda. Uma idéia anarquista.
################ este é o som. Todo o recado.









januario lima — 27/05/2009 @ 18:09
Bravo companheiro Wladimir!!! Tua luta é a nossa luta, não podemos deixar de resistir e denunciar essa gentalha energúmena. januario.
Patrícia — 28/05/2009 @ 12:53
Enquanto isso, eles fazem matéria sobre o brigadiano que segurou a Yeda no colo…
Rafael — 28/05/2009 @ 21:38
Seria preciso neste exato momento um exército de analistas a destrinchar cada falcatrua que foi ao ar (ou impressa) nas edições de hoje. E eles sabem bem disso. São campanhas e campanas, a serviço da criminalização da pobreza. Abraço solidário a tod@s
Gabriel Jacobsen — 29/05/2009 @ 12:44
todo o apoio CONTRA A CENSURA!
um texto pra colocar os leitores do blog a par da discussao judicial seria interessante!
Abraço!