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O ESTADO PENITENCIÁRIO

“Lotação de presídios ameaça reativar cárcere em delegacias”, “Como funciona um presídio privado”, “A degradação dos presídios” e “A chaga do sistema prisional” (edição de hoje pág. 10) mostra “como as deficiências e as incompetências da assistência social, do auxílio à infância e dos serviços médicos nos Estados Unidos (Brasil) garantem que viciados das classes inferiores, doentes mentais e sem-teto (e sem terra) acabem atrás das grades em número cada vez maior ao longo do tempo, na medida em que as prisões se transformam em aterro sanitário para dejetos humanos de uma sociedade cada vez mais diretamente subjugada pelos ditames materiais do mercado e da compulsão moral da responsabilidade pessoal. O destino desses grupos abandonados oferece uma tráfica verificação experimental da hipótese de uma ligação causal entre o fenecimento do Estado Social e a prosperidade do Estado penal”.   Da pág. 14 do livro “As duas faces do gueto”, de Loïc Wacquant, editora Boitempo. 
            Existem indicativos de que podemos voltar a exercer uma leitura crítica da mídia corporativa. Não está, no entanto, afastada a hipótese de estarmos cometendo um enorme erro de avaliação. Não dispomos de informaçõres precisas. Do pontodevista das questões legais (na justiça) nada se alterou. Continuamos aguardando o resultado do recurso que nos permitirá ou não a recolocação de todo o material de volta. Está fazendo, por exemplo, uma semana que não estaríamos  – em princípío – impossibilitados de realizarmos qualquer comentário do material fotográfico de qualquer página do showrnal. A página três da edição de hoje – também em princípio - possibilitaria qualquer comentário sobre a foto do sinal verde. A impossibilidade “desapareceu”, pelo menos, provisoriamente. Talvez férias. Promotores de censura não deveriam ficar na vitrine.
       Mas, insistimos no fato de que, objetivamente, continuamos sob censura. Com toda produção de dez anos fora da rede. Aguardamos a decisão em relação ao recurso,  atentos aos tênues sinais de fumaça.

@@@@@ propositadamente não estamos reproduzindo, em imagens, material do showrnal  assim como seguimos omitindo o nome do boletim da Grupolândia. Nosso protesto contra a censura.         

SUBMETIDO À ESCURIDÃO

    Não posso, como jornalista e professor de jornalismo da UFRGS, exercer o direito de crítica(?). Eles discutem  e defedem a liberdade de imprensa. E afirmam que a academia é o espaço da produção de conhecimento(?). Paira sobre todos nós, segundo eles, uma “terrível ameaça” ao diploma. Estarei sempre procurando a luz. Não existe JORNALISMO sem crítica.
        Zerolândia é a escuridão que oculta, fragmenta, induz e inverte. Ainda vou aprender a fotografar com a sensibildiade do jornalista.
         Cenógrafo, nunca. 

COMPORTAMENTO FASCISTA  
(título de editoral de Zerolândia/17.04.2009)    
        Durante a semana realizei registros da maior simplicidade. Uma foto e um texto curto. O importante foram os títulos: “Estou impedido de criticar”, “O sistema é a grande prisão”, “Absoluto silêncio”, “Tarso de Castro”, “Direito de criticar”, “Fique calado”, “Impedido de se expressar”, “Resta apenas paredes”, “Cegueira e censura”, “1120 é notícia e liberdade”, “Liberdade para não mostrar”  e “Submetido à escuridão”. Todas as fotos com sentido jornalístico. Nenhuma cenografia. E, na medida do espaço (e das características do suporte/blog), os textos com algumas poucas informações.
         Continua confusa a situação. O P(RBS) estaria ou não bancando um funcionário com 40 anos de firma? Algumas pessoas acham que é uma puta ingenuidade da nossa parte pensar que é um ato isolado. Achamos que é — em qualquer uma das hipóteses — um tiro no pé. O fato, objetivamente, é que nós, em Pontodevista, continuamos impedidos do exercício de crítica aos veículos do Grupo, em especial de Zerolândia. Todo nosso trabalho estava voltado para o ensino dos estudantes de jornalismo da UFRGS.
        Alguém terá que se responsabilizar pela imobilidade a que estamos sendo submetidos. Os índices de visitação continuam altos. Obrigado a todos pela paciência.  Pela espera da retomada de nossas atividades de crítica. 
       A semana foi boa e estamos em paz.

“LIBERDADE” PARA NÃO MOSTRAR

   Liberdade para ocultar. Não é uma imagem para ser vista nos showrnais. Só por milagre na página 3 de Zerolândia. Esta imagem não “existe”. O que existe é a “liberdade de imprensa”. Principalmente de não criticar. JORNALISTA, sempre, corre o risco de ser punido. Salvem o diploma!
        Continuo impedido de escrever o que eu penso. O “fotojornalismo”, de Zerolândia, é cenografia. Dos anotadores de releases. Dos entrevistados jovens e das pessoas bonitas. Só perfumarias.
        Repetitivamente, digo aos meus alunos que JORNALISMO é, também, intransigente espírito crítico. E sou processado. Ainda tenho esperanças – mesmo com 60 anos – de conseguir vir a ser um JORNALISTA.

1120 É NOTÍCIA E LIBERDADE

   Nunca fui um apertador de botão. A luz e o vazio da Rua da Praia. Tenho um olhar. Um lado. Talvez ao final da vida possa dizer que consegui ser um JORNALISTA. Ou não. No prédio desta esquina, no quinto andar, ficava a velha Rádio Continental (PA). Recomecei minha vida profissional – após a cadeia da década de 70 – como redator do 1120 é notícia. Temos uma parte da história do jornalismo. Mesmo produzindo de forma limitada o número de visitas é alto. Agradeço a todos o apoio. Aproveito o tempo para uma intensa prática de deriva. ”Navio fica à deriva no Guaíba”, edição de hoje de Zerolândia/ pág.37, tinha que ter foto.
        O setor de “marquetim”, do P(RBS) deve estar “comemorando”. É grande o número de jovens, da UFRGS, dispostos a me escutar. Estou sendo censurado por uma ação de um funcionário da firma.
        Repetitivamente, digo a meus alunos que JORNALISMO é respeito à verdade factual acima de tudo, sempre. E sou processado.