A VERDADERIA ROSELAINE
Roselaine trabalha como garçonete em um restaurante do centro. Lá, durante o dia, precisa parecer “normal” e ser uma pessoa discreta, segundo ela. Assim mesmo usa muitos adereços, mas nenhuma maquiagem.
Depois de um dia de muitas horas atendendo “um mundo de gente”, ainda no ônibus, começa a se transformar na verdadeira Roselaine. Começa a ser produzir. Na sexta-feira, em um dos ônibus da cidade (PA), os preparativos já eram de transformação total. Para cair na noite. Esquecer a semana de trabalho puxado. Segunda tem início tudo de novo, garantiu. Ela volta a ser a garconete de um restaurante do centro da cidade.
Sem se importar com o olhar das pessoas, sentada no banco do fundo do ônibus, se dispôs a se deixar fotografar e dizer duas, três coisas da sua história de muito trabalho. Foram cinco fotos com o ônibus em movimento, na avenida esburacada, e dois minutos de conversa. Minha curiosidade jornalística foi derrotada por um dia e uma semana de muita correria. Tenho consciência que posso ter perdido uma boa história. Ela estava mais interessada na maquiagem; e, em se deixar fotografar do que em conversar.
Continuo, como jornalista e professor de jornalismo da UFRGS, sendo impedido de exercer a atividade de crítica a quem trabalha na mídia corporativa. Um funcionário de carreira do PRBS (Rede Brasil Sul de Comunicações) obteve, na Justiça, uma medida provisória que nos obrigou, inclusive, a retirar da rede todo o conteúdo da revista e blog Pontodevita. Não estou sendo processado por um ex-aluno ou por um velho profissional, da minha geração com quem tenha trabalhado no passado.





nilo — 4/04/2009 @ 22:20
Muito bom que voltes e com uma inspiração sempre excelente. Realmente, embora eu já esteja na estrada, dá vontade de continuar nela com todos os desvios que propões.