Quem busca sabedoria, que a busque onde se aloja; não tenho a pretensão de possuí-la. O que aí se encontra é produto de minha fantasia; não viso explicar ou elucidar as coisas que comento, mas tão somente mostrar-me como sou. Talvez venha a conhecer a fundo um dia, ou as tenha conhecido, se por acaso andei por onde elas se esclarecem. Mas já não as recordo. Embora seja capaz de tirar proveito do que aprendo, não o retenho na memória: daí não poder assegurar a exatidão de minhas citações. Que se veja nelas, apenas, o grau de meus conhecimentos atuais.
Não se preste atenção à escolha das matérias que discuto, mas tão-somente à maneira como as trato. E, no que tomo de empréstimo aos outros, vejam unicamente se soube escolher algo capaz de realçar ou apoiar a idéia que desenvolvo, a qual, sim é sempre minha. Não me inspiro nas citações; valho-me delas para corroborar o que digo e não sei tão bem expressar, ou por insuficiência da língua ou fraqueza dos sentidos. Não me preocupo com a quantidade e sim com a qualidade das das citações. Se houvesse querido tivera reunido o dobro. Provêm todas, ou quase todas, dos autores antigos que hão de reconhecer embora não os mensione.
Quanto às razões, às comparações e aos argumentos que transplanto para meu jardim, e confundo com os meus, omiti muitas vezes, voluntariamente, o nome dos autores, a fim de pôr um freio nas ousadias desses críticos apressados que se espojam nas obras de escritores vivos e escritas nas língua de todo munto, o que dá a quem queira o direito de as atacar e insinuar que planos e idéias sejam tão vulgares quando o estilo; e eu quero que dêem um piparote nas ventas de Plutarco pensando dar nas minhas, e que insultem Sêneca de passagem…
Jean Scharlau — 20/03/2009 @ 10:22
Deveriam dar o crédito completo: Assessoria de imprensa da Brigada Militar, governo do pRbS.
Igor Symanski — 20/03/2009 @ 15:18
As fotos congelam imagens que poderiam ser alvo de inúmeras interpretações, não fosse o fato de o leitor comum ainda tomar essa realidade paralisada no papel como fruto do acaso ou empenho investigativo do fotógrafo. No caso, não há acaso algum. A foto já estava pronta, com toda subjetividade que ela deveria transmitir, antes mesmo do click da máquina. Será que os brigadianos esperaram até que se tirasse a foto, fazendo pose?
Será que o showtógrafo disse para virarem o rosto na hora, ou já estava acertado pelo ângulo de onde a foto seria tirada? Eu sugeriria que a Brigada Militar contratasse seu próprio fotógrafo e que a Governadora do Estado mandasse fazer seus próprios outdoors.E o pRBS? Bom, o pRBS que arranje outros patrocinadores e pare de finjir, de uma vez por todas, que faz jornalismo. Análise genial Ungaretti, genial!
Abraços
Lucia Burnier — 22/03/2009 @ 17:36
O mais absurdo não é o fato de isso tudo ser uma grande encenação. O mais absurdo é processarem o professor Ungaretti por ser capaz de pensar, de refletir, de fazer as devidas comparações e expressar isso aqui. Ora, ora, a Zerolândia faz o que quer e continua incólume, a equipe do PONTODEVISTA escreve, justamente o que o próprio nome indica, seu “PONTO DE VISTA” e isso soa como afronta? Não entendi. Há uma tremenda inversão nessa história toda. Ademais, tenho aqui com meus botões, que os maiores frequentadores do sitio estão justamente na Zerolândia. Não sei por quê, mas lembrei de David e Golias.
João — 22/03/2009 @ 22:42
Belíssimo post! Falas em algum momento “nem vamos bater na tecla…”, e é verdade: não é necessário bater em tecla alguma. A cascata fala por si, em meia fração de segundo de exercício do senso crítico. Pena que seja tão raro… Mestre: o cansaço deve ser grande, sim. Mas é reconfortante saber que ainda existe quem pense. Especialmente para teus alunos, garanto. Chegar num desanimado final de curso e deparar com a 3×4 e a Sextante (da maneira que são realizados) dão um ânimo imensurável. Não canso de dizer isto, especialmente para estudantes no começo do curso com quem converso. Espero que não tenham acabado com isso no novo currículo.
Abraço grande.
Rock é Rock Mesmo — 23/03/2009 @ 18:48
Que papelão. A cada dia que passa vejo mais nitidamente que o RS se tornou o Estado do pensamento único. Quem pensa diferente é perseguido, censurado, ou, até mesmo, espancado. O Ministério Público é formado pelo mesmo tipo de gente que coordena a redação dos showrnais. A turma dos carros importados. É uma vergonha. Hoje mesmo, em outro veículo do PRBS, um pobre repórter ouviu a seguinte determinação: “Se na casa da pessoas que vocês forem não estiver faltando água, vocês simulam uma foto”. É uma determinação de cima. Caro professor, não é só a sua crença no jornalismo que faliu. O JORNALISMO FALIU.
Juliano Bruni — 23/03/2009 @ 19:58
Eu estou longe, o que torna tudo mais complicado. O que o João falou eu assino em baixo. Somos do mesmo grupo, companheiros de aprendizado. Mas, e se ninguém ensinar?
Ficarei em silêncio também eu. O Jornalismo morreu. De novo.
João — 24/03/2009 @ 05:03
Poxa, não tinha visto ainda este “detalhe” da determinação judicial… pronto, agora além da descrença completa no “jornalismo”, a vergonha por ser estudante de direito. Costumava ter um pé atrás quando falavam na “censura judicial” (a mídia adora ou não esse termo?). Não posso mais negar que sim, instrumentos criados sob a luz de evitar as práticas da ditadura são usados exatamente para o contrário. Quero ver se isso vai repercutir por aí como quando censuraram, sei lá, o vídeo da cicarelli. Perfumaria total.
Agora, discordo que o jornalismo tenha falido. Isso que se pratica na ZMentira e afins NÃO É JORNALISMO. Nunca foi. O jornalismo pode ter é morrido, isso sim. Fora alguns poucos blogs, algumas iniciativas de movimentos sociais e umas raras salas de aula, sua prática cessou.
Passarei a contribuir para o site com as receitas da família, sonetos de camões e haikais do quintana, se não for muito subversivo.
Se a iniciativa do processo já era inominável, uma decisão dessas, mesmo que não definitiva… melhor que não se qualifique mesmo.
Força.
PAULO AUGUSTO — 24/03/2009 @ 10:08
CENSURA!!! Voltamos aos tempos da CENSURA??
Toda minha solidariedade!!! Nova posição na trincheira, mas nunca fora da trincheira. Boa luta!!!
Patrícia Benvenuti — 24/03/2009 @ 11:31
Eu acho que certos veículos do Rio Grande do Sul estão merecendo um protesto público – seguido de boicote forte – como ocorreu em São Paulo, com a Folha de S.Paulo por ocasião da “ditabranda”. Tudo começou com um abaixo-assinado e terminou com a Folha perdendo vários de seus assinantes. O que a referida empresa de comunicação gaúcha fez (não resta dúvida de que ela está por trás de tudo) foi pior do que xingar professores, como a Folha fez. Na minha opinião, foi exercer censura!!!
É bom a gente nem falar o nome do jornal e da firma de comunicação, porque periga a gente ser processado também, né?
TÁ CAINDO A MÁSCARA MESMO!
Cris Rodrigues — 24/03/2009 @ 12:51
Ungaretti, se jornalista como tu e o Mino Carta começarem a desistir do jornalismo, aí é que estaremos mal mesmo. Mas entendo o silêncio no momento, e acho que pode ser válido, até uma forma de protesto. E sei, na verdade, que não vais deixar o jornalismo, isso não é possível. Uma alma de jornalista, que vive de jornalismo (não digo financeiramente, mas que se alimenta de jornalismo) não deixa nunca de ser jornalista, independente de publicar alguma coisa ou não. Esses cascateiros conseguiram uma vitória agora, mas ela é momentânea. Não vai demorar muito pra mudar tudo, porque essa imprensa do jeito que está é insustentável. Assim como o capitalismo (ou, mais especificamente, o neoliberalismo), ela tem o seu fim, não vai mentir, distorcer os fatos dessa forma pra sempre. Mas temos que estar sempre vigilantes pra que surja alguma coisa melhor, temos que estar lutando. Venho deixar meu apoio e deixar claro de que lado estamos.
Um grande abraço
Bruno Endres — 24/03/2009 @ 18:13
Independente do sistema economico que vivemos não podemos criticar exageradamente. A notícia comentada é válida, pois ela divulga uma imagem positiva da ação da Brigada. Não interessa, no caso, se foi combinado, vendido, etc. O principal é que ela é benéfica para a sociedade.
Arthur — 24/03/2009 @ 19:22
Passamos da censura estatal à censura corporativa. Ou o que pode ser pior: da censura efetuada por COLEGAS.
Job — 24/03/2009 @ 20:00
Faço minhas as palavras da Cris…
Lucia Burnier — 25/03/2009 @ 00:32
HÁ OS QUE DIZEM QUE A INTERNET É DEMOCRÁTICA, AMPLA, ABERTA, LIVRE E TAL E TAL… CASCATA!!! QUERO PROCESSAR OS QUE DIZEM ISSO. É PATÉTICO TUDO ISSO. INCLUSIVE, ESTOU PESQUISANDO NO GOOGLE QUEM FOI QUE INVENTOU ESSE APELIDO “INTERNET”, POIS TAMBÉM QUERO PROCESSAR ESSE INDIVÍDUO. AFINAL, EU, COMO SIMPLES MORTAL, TAMBÉM QUERO TER MEUS QUINZE MINUTOS DE FAMA, PRECISO ME PROJETAR, SAIR POR CIMA. SE O JORNALISMO FALIU, LAMENTO PROFUNDAMENTE, MAS ESPERO QUE A JUSTIÇA NÃO TENHA SEGUIDO ESSA MODA.
Jorge Barata — 25/03/2009 @ 06:01
De Moçambique, a minha solidariedade prof.
Tiago Jucá — 25/03/2009 @ 10:48
Essa empresa de merda pode nos censurar, mas jamais vai nos calar ! Compraram uma briga grande com muita gente, entre eles, nós d’O DILÚVIO. Que todos aqui que tenham voz na internet se manifestem e façam repercutir a censura que se dá aqui no chulé do país.
RAMiRO — 25/03/2009 @ 14:02
Outro Ângulo se solidariza para com o professor e guerreiro WU…
Coletivo Leonardo Spohr — 25/03/2009 @ 19:12
Essa gente não entende nada de jornalismo, tampouco de Internet. Não retire o conteúdo do ar, como gentilmente se “recomenda”. Abra outros blogs. Prossiga sua luta. Faça um perfil fake num site de relacionamentos; ajude a Wiki, subverta o novo sistema. Outros blogs podem te replicar, as coisas hoje não têm mais fim. Aprenda línguas não-humanas. É impossível processar todos os blogueiros ao mesmo tempo. Complique a vida fácil. Mostre que o mundo mudou. É impossível acabar com a Web. O mundo virtual é nosso.
Coletivo Leonardo Spohr — 25/03/2009 @ 19:15
* Se se proibir o blog, outra mídia será inventada.
Wander Veroni — 25/03/2009 @ 19:22
Oi, Wladymir!
Sou jornalista e blogueiro. Moro em Belo Horizonte, Minas Gerais. Li a matéria da Revista Imprensa sobre o seu blog e a censura promovida pela Justiça do Rio Grande do Sul e fiquei surpreso. Surpreso pq a ditadura ainda existe. É um direito seu, não só como jornalista, mas como cidadão, de poder avaliar o trabalho existente de um fotojornalista.
Se o profissional se sentiu injustiçado, pq não conversar e dar a ele um direito de resposta – caso fosse necessário. Conversar, trocar idéia, discutir o rumo que o jornalismo leva é importante para dar uma nova visão sobre a postura jornalística atual.
Sinceramente, fico revoltado ao ponto que tudo isso chegou: a Justiça está injusta. Ainda mais no caso do seu blog, pelo pouco que li, que trabalha diretamente com metalinguagem e ajuda para a formação de novos jornalistas. Apesar de não conhecê-lo, peço para que não apague o blog e nem que perca a esperança no jornalismo, muito menos com a blogosfera. Gostaria de entrar em contato contigo. Se puder me envie um e-mail (wander.veroni@gmail.com).
Abraço,
=]
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http://cafecomnoticias.blogspot.com
Tiago Jucá — 25/03/2009 @ 21:41
replicando o “coletivo” acima: a pouco, a comunidade ‘discografias” do orkut foi censurada e seus moderadores intimados pela APCM (associação de produtores de cinema e música) por disponibilizar arquivos digitais na internet. a comunidade fechou, e em seguida, seus fãs criaram outra. em 10 dias, eles ja tem mais de 65 mil membros, nem 10% do que tinham, mas em um mês terão o dobro, é o que se calcula.
Unga, nos passe esse valioso material. Pelo visto tem mais de uma dúzia de sites e blogs que o republicariam. Não se entregue, mah, ao caçador de cágados! Essa briga é nossa!
Lembro dum episódio na Fabico, vc disse que nos defenderia, pois se na teoria sempre disse algo, na prática, o faria valer, ou então suas palavras de nada valeriam. Eis a hora de retribruir!
Juliano Bruni — 26/03/2009 @ 09:17
Eis a hora de retribuir! Abraço fraterno.
Cláudia Flores — 26/03/2009 @ 13:35
Vergonhosa a falta de argumentos de quem o persegue, professor. Vergonhosa a medida “sugerida” a este blog. Censura na internet não existe por uma simples razão que babacas não compreendem: sempre haverá uma forma de manifestação. Aqui, ninguém é capaz de nos proibir de dizermos o que pensamos, seja por blog ou qualquer outro veículo. Professor, sabes do batalhão que tens a teu favor. Vamos levar esta briga adiante, pessoal! Abraços e força sempre
sassafrás — 26/03/2009 @ 17:56
Isto é mais um retrato da suposta liberdade de expressão e da “nossa bela” democracia! Quem agora censura é a própria imprensa! Essa camarilha organizada em volta dos intere$$e$ megacorporativos(ou procorativos), estão atadas pela mesma teia do pensamento único, servindo ao crime organizado da plutocracia: não se pode contrariá-los, senão morre, igual aos filmes sobres gangsters e a máfia. Blogueiros devem resistir. As infovias são nossas trincheiras virtuais. Continuaremos subvertendo, gritando, ironizando e nunca se entregando. A mídia gorda e porcorativa é a nossa maior inimiga!
Solidariedades!!!
RAMiRO — 26/03/2009 @ 18:03
Eis a hora de retribuirmos!
Veridiana — 27/03/2009 @ 08:17
A melhor forma de desacreditar alguém é ignorá-lo. Mas chega um ponto em que o trabalho ganha uma dimensão tão grande que é impossível fingir que ele não existe. A RBS tentou ignorar o Ungaretti, mas chegou o momento em que, se ela não reagisse, seria ela a ser desacreditada. E a reação dela terá a nossa contra-reação!!
O processo contra o Ungaretti é a prova de seu sucesso!! E é agora que não podemos deixar o trabalho morrer.
Um grande abraço.
João Dal Mollin — 28/03/2009 @ 18:29
Eis a hora de retribuir!
Assino embaixo das palavras da Veri.
Força e um abraço.