Quem busca sabedoria, que a busque onde se aloja; não tenho a pretensão de possuí-la. O que aí se encontra é produto de minha fantasia; não viso explicar ou elucidar as coisas que comento, mas tão somente mostrar-me como sou. Talvez venha a conhecer a fundo um dia, ou as tenha conhecido, se por acaso andei por onde elas se esclarecem. Mas já não as recordo. Embora seja capaz de tirar proveito do que aprendo, não o retenho na memória: daí não poder assegurar a exatidão de minhas citações. Que se veja nelas, apenas, o grau de meus conhecimentos atuais.
Não se preste atenção à escolha das matérias que discuto, mas tão-somente à maneira como as trato. E, no que tomo de empréstimo aos outros, vejam unicamente se soube escolher algo capaz de realçar ou apoiar a idéia que desenvolvo, a qual, sim é sempre minha. Não me inspiro nas citações; valho-me delas para corroborar o que digo e não sei tão bem expressar, ou por insuficiência da língua ou fraqueza dos sentidos. Não me preocupo com a quantidade e sim com a qualidade das das citações. Se houvesse querido tivera reunido o dobro. Provêm todas, ou quase todas, dos autores antigos que hão de reconhecer embora não os mensione.
Quanto às razões, às comparações e aos argumentos que transplanto para meu jardim, e confundo com os meus, omiti muitas vezes, voluntariamente, o nome dos autores, a fim de pôr um freio nas ousadias desses críticos apressados que se espojam nas obras de escritores vivos e escritas nas língua de todo munto, o que dá a quem queira o direito de as atacar e insinuar que planos e idéias sejam tão vulgares quando o estilo; e eu quero que dêem um piparote nas ventas de Plutarco pensando dar nas minhas, e que insultem Sêneca de passagem…
Juliano Bruni — 31/03/2009 @ 08:20
A “Justiça” sempre foi um dos meios de opressão. Evidentemente é o único canal legítimo de confronto não-violento, digamos; mas se sabe que o poder é sempre capaz de corromper qualquer instituição criada para vigiar o mesmo poder. Se poderia argumentar que o que se configura censura serviria como simples procedimento judicial, indispensável ao estudo do caso em questão. Mas se tivéssemos uma Justiça menos comprometida com o poder, independente da sua influência proselitista, esse argumento, em muitos casos, cairia por terra simplesmente pelo fato da Justiça não temer analisar os fatos com objetividade crítica.
Quando a imprensa, que é uma das faces mais cultivadas do poder, usa a Justiça para se legitimar e evitar qualquer objeção, e seu próprio enfraquecimento, temos um sinal claro de que estamos realmente em maus lençóis.