“BELLE DE JOUR” DO MERCADO PÚBLICO

Postado em 16/11/2009 por WU


Ela não é a “Belle de Jour” do cineasta Luis Buñuel. Não é Catharine Deneuve.

Ela é Vanessa. “Belle de Jour” do Mercado Público de Porto Alegre. Dos bares.
 
Trabalha em uma atividade que exige especialização. Passa no Mercado, antes de ir para casa, e bebe uma cerveja. E pede bem gelada. “Bela da Tarde” do Mercado Público.

Se movimenta com a absoluta desenvoltura. Sabe que é o centro das atenções. Retribui, conversando com todos na maior naturalidade.

Ela é a minha “Bela da Tarde”. Pelo olhar tem me autorizado fazer as fotos. Ela é a minha Catharine Deneuve.

 
Gostaria de ser um poeta
contar sobre a magia e alma
desta mulher que se expõem
e que guarda mistérios
(e aprender a escrever)

exercício de sensibilidade
prazeiroso “olhar” que
com atenção e paciência
capta esta sensualidade
(e aprender a fotografar)

e, assim, vou contando fragmentos do meu tempo. Minha história como jornalista. Como dizia John Reed “descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”. Garimpo as coisas belas da vida. Flanando e na deriva. Sonho conseguir ser um grande vagabundo. Ainda sou um aprendiz.

(ATENÇÃO - por problemas de ordem técnica é possível que nos próximos dias não consiga realizar as postagens diárias. Fotos com o enquadramento original e sem qualquer manipulação no computador.)

NOTA FINAL
Só retomaremos as postagens diárias na próxima segunda-feira, dia 23.11.2009. Equipamentos em revisão. Até lá, Wu.


NO INSTANTE DECISIVO

Postado em 14/11/2009 por WU


Henri Cartier-Bresson, 1969

“No instante decisivo”,
duas mulheres de gerações
distintas lendo jornal,
após maio de 68. Na
La Brassiere Lipp, Paris,
França. Não é cenografia.


BRUNO BISANG

Postado em 13/11/2009 por WU

“Toda mujer es poseedora de uma fuente de feminidade y sensualidade única. Intendo plasmar el erotismo de la mujer sin caer em la vulgaridad. Existe una fina línea que separa estos dos conceptos, pero mi pasión y mil motivación consisten en expresar y preservar el rastro visible de ese esplendor.”

“Me encanta la intencidad de las mujeres latinas, de esas mujeres passionales com cuerpos seductores que derrochan sensualidad. Las prefiero morenas, y las chicas que uso ahora son por regla general professionales que se ciñen a esta descripción… La modelo participa activamente en cada aspecto de la sesión. Se mueve y posa a su gusto…” 

### do livro “The New Erotic Photography”, editora Tschen.


ELES “brigam” MENOS COM A NOTÍCIA

Postado em 12/11/2009 por WU


Comentamos esta foto na postagem de 26.10.2009  com o título “Sem cascata é fotojornalismo”. Destacamos, também, que a imagem impressionava por várias razões, mas muito pelo fato de mostrar um grande número de adolescentes em atitude de extrema curiosidade. Apontamos para o fato de que tal foto não tinha gerado, na própria imprensa, algum tipo de comentário. Pois o “Estadão”, edição de 01.11.2009, abriu uma página inteira do ”Caderno ALIÁS” para um texto relatando o que passou a acontecer com este corpo encontrado dentro de um carrinho de supermercado em um do acessos ao Morro dos Macacos, Vila Isabel, Rio de Janeiro. É simplesmente inacreditável.
       Até 2012, com a cidade voltada para os preparativos das Olimpídas, a previsão é de que 33 mil jovens sem cara serão assassinados, segundo relatório do Observatório das Favelas. Não é uma guerra. É uma política de extermínio dos pobres. Menos Estado Previdenciário e mais Estado Penitenciário. A produção de bens simbólicos, criminalizadores, por parte da mídia corporativa legitima o massacre.
 
O texto é um belo exemplo de como é possível construir uma materia jornalística, com sentido de subversão, uma verdadeira raridade nos tempos de pasteurização e espetáculo. E é possível até mesmo em um jornal conservador como o “Estadão”, desde que a política não seja a de brigar contra a notícia.


A JUNÇÃO DE MÁQUINA E FOTÓGRAFO

Postado em 11/11/2009 por WU


Filme Fujichrome 400 asa, 120mm, lomography com Diana F+, lente 78mm, regulada para sol com nuvens, foco em infinito, revelação invertida, negativo 6×6 “escaneado” sem nenhuma manipulação digital, com corte na parte inferior. Centro de PA, Largo Glênio Peres. Ou fragmentos do Mercado Público.
 
Especificações técnicas idênticas. A imprevisibilidade dos resultados e as “imperfeições” técnicas (lomography) estão na direção inversa da pausterização do atual “olhar digital”. Do aperta o botão, olha e apaga e faz de novo. A fotorreportagem passou a existir, concretamente, a partir de uma junção: o da máquina e o fotógrafo. Por isso mesmo, Cartier-Bresson, em 1931, vai dizer que a “Leica tornou-se o prolongamento do meu olho e não me larga mais”.
       É uma pena (ou sorte?) estarmos proibidos de comentar materiais publicados pelo jornal Zero Hora (velha Zerolândia), pois destacaríamos o atual processo de absoluta contenção da ”cascata”. É possível que tenhamos dado uma pequena contribuição para que ocorra um maior controle. O que não significa que não voltará a ocorrer. É evidente que a conjuntura política mudou; e como decorrência “novos critérios editorias são mais jornalísticos”. “Desapareceu”, por exemplo, a terrível “onda” de violência dos tempos do Secretário das Humanidades, Paulo Bisol. “Roubo de carro-forte / Bando sequestra blindado”, da edição de hoje estaria na capa e nos cartazes das esquinas. Nos pontos de venda. A mídia corporativa opera - sempre - com um padrão médio de sacanagens. De manipulação por inversão, ocultação, indução e fragmentação.
      

###Agradeço o convite, mas não participo de exposições e de concursos para premiação. É uma questão de princípio e de coerência. 

NOTA
       Voltamos a ter problemas de ordem técnica com equipamentos. Podemos ficar impedidos de realizar as postagens diárias por um breve período. 


GRANDES RETRATISTAS

Postado em 10/11/2009 por WU


De Heinrich Kuehn - Portrait, 1911 - Photogravure - 17.7 x 14.3 cm, do livro Camara Work - 1903/1917.

Femme de fermier, Alabama, 1936, de Walter Evans, o fotógrafo americano da grande depressão. Do livro Photo Poche, de Evans, editora Nathan. Edição francesa.  

      Nunca é demais lembrarmos que a informação por imagens, principalmente a partir da década de 20, não se apoia apenas no desenvolvimento da fotografia instantânea. Foi preciso uma grande evolução no campo da tipografia e, em especial da tinta tipográfica. Imagens resultantes do desenvolvimento e conjungação de sais de prata e os novos recursos de impressão. Os grandes fotógrafos nunca abandonaram a produção de retratos.
       É bem possível que revendo todo o acervo de livros de fotos e sobre fotografia, dentro de algum tempo, consiga estar preparado para dar umas ”aulinhas” sobre fotojornalismo. É evidente que fotojornalismo como subversão. Ainda do tempo que jornalista era intelectual. Do tempo que fotógrafo não era um simples apertador de botão. Do tempo que fotógrafo trazia o “seu olhar” para a redação e não introjetava o ”olhar” da empresa. Do tempo que foto/divulgação ia para a lata do lixo. 


NOSSOS ROSTOS

Postado em 9/11/2009 por WU


Estes rostos muito raramente aparecem na mídia corporativa. E, quase sempre, quando são mostrados é com algum sentido de criminalização.
 
“Gaúcho” tem se apresentado no final de tarde no Largo Glênio Peres, centro de Porto Alegre.
 
Nenhuma foto foi “roubada”. Durante todo o tempo fotografamos com o equipamento à vista e bem próximo das pessoas. Conversando com algumas delas.
 
“A imagem do pintor é total, a do cameraman é feita de múltiplos fragmentos”, dizia Walter Benjamin. Quantos fragmentos conseguimos captar?

É por volta de 1860 que o retrato ganha popularidade. O que vai se confirmar com o crescimento dos álbuns de família. É preciso pensar estes novos álguns, os da Internet.
 
Com a possibilidade “do instântaneo” o mundo dos acontecimentos-movimento substitui o mundo das coisas. Do mundo estático. “Parado”.

É com a fotografia que tem início a era das mídias. Imagens empurram o olhar para bem longe. Separação entre as imagens e as coisas.

A fotografia surge com as cidades modernas. Vai de monumentos e retratos aos acontecimentos. Com o movimento das ferrovias e a velocidade dos telégrafos. 

Desta série, fotos de uma tarde no centro de PA, este rosto ”pedia” um registro. Ao fotografar, nesse “estilo de retratos”, os excluídos e condenados à invisibilidade social, passam para história. Estes “nossos rostos” serão os rostos do futuro.
        Um história fotográfica, sem fraudes. “Cascata” e “fotocampana” não é fotojornalismo. A primeira é cenografia e a segunda é uma atividade policialesca. Duas práticas do espetáculo midiático. Abaixo a cartografia repressiva! 

REPETINDO
NADA A DIZER OU A EXPLICAR
        Por dificuldades de ordem técnica ficamos sem realizar postagens nos últimos dias. Estaremos retomando, no espaço do blog, provisoriamente, a nossa atividade no dia de hoje, segunda-feira . Colocamos na abertura do sítio Pontodevista o texto abaixo. É possível que, nos próximos dias, a mesma decisão venha a ser adotada, também, em relação ao blog.      

        Não temos mais nada a dizer ou a explicar. Diante das limitações que nos foram impostas pelas ações movidas na Justiça, por um funcionário da RBS - 35 ANOS DE FIRMA, tomamos a decisão de suspender todas as nossas atividades nesse espaço. Não existem razões para trabalhar com as regras que nos impuseram. E que determinam, objetivamente, o que podemos comentar ou não do jornal Zero Hora. Tudo, aqui, tinha a função de estimular, fundamentalmente, o espírito crítico dos estudantes de jornalismo. O sentimento é de vitória. Fotógrafos “cascateiros” estarão, pelo menos por um bom tempo, sob vigilância. Após serem resolvidas algumas questões técnicas, tudo será tirado da rede. Em algum momento, mais cedo ou mais tarde, alguém deverá responder pelo “desaparecimento” de 10 anos de crítica ao jornalismo que se pratica na RBS. Dissemos, desde o início, que manteríamos a corda esticada, ao máximo. Que estoure de qualquer um dos lados. Continuarei a ser Wu, um modesto jornalista, professor e fotógrafo. Estou na deriva. Flanando.
 


O RETRATO

Postado em 7/11/2009 por WU


                         Sapateiro da velha-guarda, José Florivante. 

Como já dissemos, um retrato é sempre resultante da conjungação de pelo menos duas variantes: expressões de rosto e as ações do fotógrafo. Este escolhe um determinado enquadramento, escolhe a lente, iluminação e o momento exato do disparo. O retrato seria um rosto-acontecimento-fotográfico. É possível que algum dia consiga ter o faro, a sensibilidade e o verdadeiro espírito subversivo para ser um jornalista. Tenho treinado nos últimos 40 anos. Nunca fui outra coisa na vida do que militante e um estudante de jornalismo, autodidata. Um leitor que, também, olha e descobre o mundo mais próximo. (foto e texto de wu)  


NADA A DIZER OU A EXPLICAR

Postado em 6/11/2009 por WU

        Por dificuldades de ordem técnica ficamos sem realizar postagens nos últimos dias. Estaremos retomando, no espaço do blog, provisoriamente, a nossa atividade na segunda-feira. Colocamos na abertura do sítio Pontodevista o texto abaixo. É possível que, nos próximos dias, a mesma decisão venha a ser adotada, também, em relação ao blog.      

        Trajetória inversa a de um J.B. Scalco e de alguns outros. Grandes fotógrafos que aproveitaram as chances que tiveram na vida. Não temos mais nada a dizer ou a explicar. Diante das limitações que nos foram impostas pelas ações movidas na Justiça, por um funcionário da RBS - 35 ANOS DE FIRMA, tomamos a decisão de suspender todas as nossas atividades nesse espaço. Não existem razões para trabalhar com as regras que nos impuseram. E que determinam, objetivamente, o que podemos comentar ou não do jornal Zero Hora. Tudo, aqui, tinha a função de estimular, fundamentalmente, o espírito crítico dos estudantes de jornalismo. O sentimento é de vitória. Fotógrafos “cascateiros” estarão, pelo menos por um bom tempo, sob vigilância. Após serem resolvidas algumas questões técnicas, tudo será tirado da rede. Em algum momento, mais cedo ou mais tarde, alguém deverá responder pelo “desaparecimento” de 10 anos de crítica ao jornalismo que se pratica na RBS. Dissemos, desde o início, que manteríamos a corda esticada, ao máximo. Que estoure de qualquer um dos lados. Continuarei a ser Wu, um modesto jornalista, professor e fotógrafo. Estou na deriva. Flanando.
       


OUTROS OLHARES

Postado em 30/10/2009 por WU


Chalé da Praça XV

Mercado Público de PA

Largo Glênio Peres

Pinhole, filme Ilford Plus 400,
máquina lomography Diana F+,
filme 120mm, negativo 6×6,
tempo de exposição de
dois e três segundos,
escaneado, sem manipulação
digital. Foi usado tripé.
Outubro de 2009. Fotos Wu.