POR UMA PEDADOGIA LIBERTÁRIA
Postado em 10/03/2010 por WUEste é o texto que irá permear todo o meu semestre em sala de aula:
“O mestre, assim, não está destinado a aplainar o campo das relações, mas transformá-lo; não a facilitar os caminhos do saber, mas, antes de mais nada, a torná-los não apenas mais difíceis, mas propriamente instransponíveis; o que na tradição oriental da atividade do mestre mostra muito bem. O mestre não dá coisa alguma a conhecer que não permaneça determinada pelo ‘desconhecido’ indeterminável que ele representa, desconhecido esse que não se afirma pelo mistério, o prestígio, a erudição daquele que ensina, mas pela distância entre A e B. Ora, conhecer por intermédio da medida do ‘desconhecido’, avançar para a familiaridade das coisas mantendo sua estranheza, referir-se a tudo por intermédio da própria experiência da interrupção das relações, nada mais é do que ouvir falar e aprender a falar. A relação mestre-discípulo é a própria relação da palavra, quando nela o incomensurável se faz medida e a irrelação, relação.” de Maurice Blanchot
Os alunos que não perderem de vista estas ideias -são muitas as variáveis -, conseguirão realizar um grande semestre. É o que desejo a todos. Aos que possuem o DNA da profissão toda a minha dedicação. Que a nossa sala de aula seja um espaço de subversão. Escolinha técnica, com pitadas de Foucault e Habermas como ilustração, é para a formação de comunicólogos. Abrimos o semestre aderindo à lista de JORNALISTAS que apoiam a reforma agrária.
JORNALISTA tem lado. Nós temos. Che vive.





Lancheria do Parque, Bairro Bom Fim, Porto Alegre, troca dos garçons e os primeiros fequentadores do final de tarde. Lá do fundo fiz as fotos com uma digital Lumix, interrompendo a leitura de “A voz dos botequins e outros poemas”, de Verlaine, publicação da Editora hedra. A Lanchera não é bem um botequim, mas um lugar frequentado por um público diverso, onde se come bem e barato.
Uma das primeiras lições de jornalismo - que tive de Marcos Faerman (o Marcão) - foi quando escutei ele dizer que “jornalistas trabalham, sempre, com noções de comparação”. Não recordo extamente em que contexto era feita esta afirmação; e nem tão pouco as palavras. O sentido era este. Somente jornalistas lêem tantos jornais e revistas. Será que ainda é assim? Não sei. Uma coisa é certa, o leitor comum não manuseia várias publicações. Por isso mesmo não tem o que comparar. Não percebe quando a mídia corporativa, como um todo, começa o bombardeio na direção da construção de uma determinada subjetividade. Além de manter o discurso de isenta. Sim, isenta de um único lado. Sempre ao lado dos interesses da elite. Esta capa da CartaCapital é brilhante. Diz tudo sobre o comportamento “golpista” da mídia corporativa, na tentativa de assustar e impedir o avanço da candidatura da Dilma. Não vamos nem entrar na discussão sobre o papel do Estado na construção ou não do capitalismo tupiniquim. Deixamos este aspecto para historiadores e sociólogos.








































