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atrás, contei do clube parisiense que, em meados do século
XIX, reunia personalidades em torno do haxixe. É que os domínios
conexos da ciência e da arte costumam ser povoados por gente
que se afasta da realidade para colocá-la em perspectiva.
Freud, Artaud e muitos outros gênios usaram drogas a um só
tempo como experimento e meio de ultrapassagem do senso-comum. No
campo da música, em especial, há muito a canabis estimula
a produção. Ao propiciar distanciamento, ela coloca
o compositor e o intérprete frente ao inusitado, cujo abraço
pode levar à descoberta de um estilo particular ou mesmo
de um gênero. O jazz, o rock, o samba e outros ritmos se deixaram
levar pela maria, que emprestou seu nome a canções
cujas letras mereceu. Logo cedo, os proibiacionistas perceberam
a força da associação entre a erva e a arte
mais popular do mundo. Uma das formas de combatê-la foi perseguir
músicos conhecidos pela canabice. Em 1929, por exemplo, Louis
Armstrong gavou 'Muggeles' que quer dizer marijuana; um ano depois,
dançou na cidade de Los Angeles e, para sair da cadeia, prometeu
passar um tempo sem pisar na Califórnia (...) Entre os baratos
consumidos pelos beats, a maria foi a mais associada à própria
criação. Comprova isso o conselho de Jack Kerouac;
de que fizesse alguns baseados, sentasse em frente á máquina
(...) (do livro O Fino da Erva - pág.89) |