| Enquanto
os movimentos sociais não estabelecerem uma forte e radical
política de formação de quadros, de verdadeiros
"especialistas", elementos essenciais para a legitimação
de suas posições, a mídia corporativa continuará
com o seu papel de maior produtora de bens simbólicos. Ela
impõe processos legitimadores de suas políticas, fundamentalmente,
pelo uso de pesquisas e pela "escuta de especialistas isentos".
Pelo menos nas duas últimas décadas, a esquerda fascinada
por um "partido dos trabalhadores" fez de tudo para o
seu próprio empobrecimento teórico. O resultado é
que as novas gerações de "intelectuais",
mesmo os que possuem um leve verniz de alguma coisa à esquerda,
fazem o papel de contraponto aos "especialistas" do sistema.
Ajudam a legitimar, a custos baratos, os programas televisivos de
debates e, com o passar do tempo, ganham maior credibilidade nas
páginas dos jornais e revistas. É o "colunismo
isento". Estes produtores de bens simbólicos do sistema,
reunidos em instituições, em verdadeiros "tink
tanks" (institutos) trabalham na construção das
políticas de dominação. São os grandes
fornecedores de "conhecimentos" para as políticas
da burguesia. E me desculpem pelo uso de expressão tão
fora de moda. Os movimentos sociais, desprovidos de elementos com
idêntica ou superior formação, acabam se transformando
em combatentes de pouca eficiência por não conseguirem
ultrapassar a simples política de agitprop (agitação
e propaganda). A política do discurso de companheiro para
companheiro. Fato que só tem acentuado o isolamento provocado
por inúmeros outros fatores como, por exemplo, a perda de
referenciais decorrentes da desorganização do trabalho
e da desorientação do movimento sindical. Os movimentos
horizontalizados, com urgência, precisam iniciar a formação
dos seus "comunicadores" que, por sua vez, precisam ser
municiados por seus "especialistas". Esta é uma
política que só é possível a partir
da negociação, da não exclusão de aliados,
do absoluto respeito à diversidade. Mas antes de mais nada,
da não reprodução de mecanismos do sistema
como "nós produzimos a revolução e vocês
consomem". Esta é a lógica não libertadora.
Vândalos, uni-vos. (wu) |