| Nos
cursinhos, de comunicologia, cada vez mais técnicos, não
têm sido estimulada a formação crítica
em relação ao uso descarado das imagens como parte
essencial do processo de criação de bens simbólicos.
Discute-se de tudo nas disciplinas de fotografia, desde a relação
entre a abertura de diafragma e velocidade, até a edição
de fotos pelo processo digital. Não faltando, é claro,
algum papo mais teórico sobre Henri-Cartier Bresson. Nada
sobre estes verdadeiros bombardeios de imagens voltados para a formação
de subjetividades alienadoras e destinados à reprodução
das formas ideológicas de dominação. É
o ensino da covardia e da domesticação dos jovens.
É uma atitude assimilada sem que se dê conta. A relação
que se estabelece com os profissionais em atividade fica regulada
e dentro dos parâmetros impostos pelo Deus mercado. Por isso
mesmo, antigos profissionais ainda em atividade (poucos é
verdade), submetidos às leis da sobrevivência, estão
silenciosos. Alguns coniventes. Pelo menos nos últimos 15
anos, na condição de jornalista, que por circunstâncias
da vida exerce a atividade de professor, não tenho presenciado
nenhum processo de sucateamento material do ensino público.
Ao contrário. Na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação
da UFRGS) as condições materiais, incluindo a área
de ensino de fotografia, só cresceu em termos de recursos.
Mas como um todo, o nível do ensino de comunicologia, em
especial de showrnalismo, é cada vez mais uma sucata de idéias.
Postura crítica, só como jogo de cena. Rebeldia, só
se comportada. Atitude radical e subversiva, característica
básica do exercício da profissão é,
literalmente, um crime enquadrado com algum tipo de punição.
O convívio social dos jovens, essencial no processo de formação,
no âmbito da Faculdade, é regido por normas bem mais
porradas (reacionárias) do que no tempo da ditadura. Futuros
fotógrafos, com alguma massa crítica, só os
que se tornarem verdadeiros autodidatas e que não ficarem
(apertando o botão) de costas para as imagens do país
real. Os efeitos destrutivos deste violento bombardeio de imagens
não é discutido. O foco é outro. Continuaremos
berrando para as paredes. (wu) |