| "Um
uso ritual disseminado do cânhamo aparece em seguida no Oriente
Médio após a ascensão do islã, que probia
o uso de álcool mas não fazia qualquer mensão
ao cânhamo e seus derivados. Na ausênsia de proibições
culturais de seu uso, o consumo de haxixe tornou-se corriqueiro.
Seus poderes espirituais eram apreciados particularmente pelos sufis.
Segundo uma história aprócrifa, um líder religioso
chamado Haider, que vivia nas montanhas de Rama por volta de 500
d.C., descobriu por acaso os poderes euforizantes da planta e os
partilhou com seus seguidores. Um monge seu, Sheraz, dizia aos discípulos
que Deus lhes concedera o 'favor especial' de uma planta que 'irá
dissipar as sombras que anuviam as almas e iluminar-lhes os espíritos'.
Como é comum nas classes sacerdotais, Haider pedia a seus
discípulos que escondessem as propriedades divinas da planta
da gente comum. Se sorrisos beatíficos ou línguas
soltas trairam o segredo, isso não foi registrado. Seja como
for, logo os poetas sufis estavam exaltando as virtudes da 'taça
de Haider', que dizem, tem "a frangrância do âmbar
e centila como uma esmeralda verde". (texto "O grande
livro da Cannabis", de Rown Robinson, Zahar Editor) |