| "Apesar
das dificuldades, encontraremos, vez por outra, algumas informações
com respeito ao homem e às plantas que usa. Isto é,
quais dos recursos botânicos da natureza determinada civilização
conhecia, com que finalidade? Raros são os registros claros,
incontestáveis pela história e generalizados, quanto
à saga do café, por exemplo: "Nativa da África
setentrional, a rubiácea crescia espontaneamente sem interferência
do homem, até que um viajante, atraído pelos hábitos
de sua montaria, a ela dirigiu sua atenção. Quanto
o animal era exigido em excesso e parecia exausto, percebeu que
procurava por aquele arbusto e, após mascar suas folhas,
demonstrava novo vigor, esperto como se fora um potrinho. Daí
a infusão de seus frutos torrados começou a ser difundir
por toda a Pérsia, depois entre os árabes e, destes,
a partir do século XV, pelo mundo afora. Suas sementes se
espalharam pelos continentes, sendo cultivadas e consumidas em quase
todos os quadrantes da terra".
(do livro "O Barato da História", de Elizabeta
Remini, ensaio etnobotânico sobre a cannabis, editora Escrita/
título original Cannabistoria) |