
Porto Alegre, agosto de 2010, negativo de filme Trix-400 “escaneado”, máquina Pentax SP1000, velocidade 125, abertura em 5.6, foco em infinito. Nenhuma manipulação digital. Mercado Público, Largo Glênio Peres, centro da cidade. A lente é uma 1:2/55.

Largo Glênio Peres

Também no Largo. O cara passou horas ali sentado.

Mercado Público de Porto Alegre. Tentei a composição das três aberturas com os três moradores de rua ao centro. Não consegui pelo horário de movimento.

Parte interna e superior do mesmo Mercado. Procurei a geometria. Os grafismos .
Em que o ser humano Boris Kossoy acredita?
Estar sempre disposto a aprender. Privilegiar o humanismo. Compartilhar nossos conhecimentos com os jovens pesquisadores que estão começando. Cobrar o comportamento ético sempre.
Falamos do fotógrafo, pesquisador, teórico, autor de livros… E o Boris Kossoy professor?
Vejo o magistério como uma missão edificante e gratificante. Edificante no sentido de influir de algum movo na formação, carreira profissional ou acadêmica dos meus alunos ao longo do tempo. Gratificante exatamente por ver o resultado de seu empenho. Constatar que aqueles jovens de antes ao hoje profissionais sérios e bem-sucedidos; de modo geral, têm se sobressaído como pesquisadores competentes, geradores de conhecimento. (do livro Boris Kossoy – fotógrafo”, da editora Cosacnaify)
direita troglodita partiu para a ofensiva
“Então vou te pedir um favor. Diga ao Serra que, se ele quiser encerrar a carreira política com dignidade, que pare com essa bobagem de achar que eu vou censurar a Internet. Eu também sou criticado na Internet e não tento controlar.” Um recado do Lulinha.

Sempre existe uma chance do cara encerrar a carreira com dignidade. Com o passar do tempo vai ficando cada vez mais distante esta possibilidade se o próprio cara é uma cascata. Ele como um todo é uma invenção.

Tudo indica que os aliados do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação) vão perder as eleições, tanto no plano estadual como nacional. O Partidão da mídia está colocando todas suas suas fichas para assegurar uma representação lobista no Senado.
Na lista dos 30 que não foram para a RBS,do primeiro time
Em Deriva cruzei com um velho jornalista. E ele me contou que a Paula, uma das melhores repórteres das últimas gerações da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) tinha ido trabalhar no “Estadão”. Fiquei feliz com a notícia. Mais uma aluna, primeiro time com DNA da profissão , que não passou nem nas proximidades de uma porta da RBS. Está salva!
Ainda vou conseguir ser visceral. Radicalmente contundente. Sei que posso dizer muito mais. Mas estou sob censura.
Um caso raro. Boris Kossoy pensa e escreve sobre fotografia e fotografa. Faz as duas coisa com a máxima competência. Tem um texto crítico e elegante. E fotos maravilhosas. “Boris Kossoy – fotógrafo”, é um livro da Cosacnaify. Muito bom o capítulo “O caleidoscópio e a câmara”, do próprio Kossy, assim como a conversa com Paulo César Boni.

“Como foi seu encontro com fotografia?
Kossoy – Foi em razão de uma câmara que ganhei por volta de 1954 ou 1955, quando eu tinha treze ou quatorze anos. Uma câmara de fole que tenho até hoje. Fiz com ela minhas primeiras fotos. Ela está meio acabada… Não é possível ler nem o nome, nem a marca… Imagine que a velocidade ia até 1/125.”
Se tivesse a oportunidade de entrevistá- lo, entre outras tantas perguntas, teria a curiosidade de saber quantos prêmios ele coleciona. Claro que seria uma pergunta completamente imbecil diante de tantas coisas interessantes de se aprender com ele. Mas seria uma curiosidade com o espírito comparativo que todo jornalista deveria ter.

“A noiva” (da série Viagem ao fantástico). Franco da Rocha, SP, 1970

“Surpresa na estrada” (da série Viagem pelo fantástico). Periferia de SP, 1970
boêmia sob controle decreta sua própria morte
Porto Alegre é uma cidade reacionária. Com uma zona de boêmia (?) absolutamente controlada por diversos mecanismos repressivos. Tudo que existe de mais à extrema-direita em termos de ordenamento das pessoas. Michel Foucault escreveria uma tese. Nada de barulho. Bares fechados a partir das 22 hrs. Comparativamente com a Lapa a Cidade Baixa é uma piada. Está mais para local apropriado ao bundismo. Palco de exibição do aparato policial, com regulares operações de visibilidade; política de relações públicas, visual. Espetáculo para o showrnalismo. Outras áreas da cidade, com movimento quase idêntico, onde também não ocorre nada de grave, o policiamento é insigniticante. Os jornalões da mídia corporativa estão de costas, insisto, para a cidade real. E a hegemonização destas subjetividades de extrema-direita fica por conta do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações). De Zerolândia, do jornalismo da opinião isenta de Zero Hora. Sempre do mesmo lado, a extrema-direita. O número de traficantes presos dobrou desde 2006. A violência não diminuiu. Os setores mais arejados estão procurando diferenciar o usuário qualificado (o cara que compra uma paranga, tira uma bera prá fumar e vende o resto pros amigos) e o grande traficante. O maior número de prisões é de mulheres. O reacionarismo continua impedindo uma grande e aberta discussão sobre o tema. E assim, vão jogando mais e mais pessoas nas Prisões da Miséria. Jornalistas, com raríssimas excessões, estão literalmente de costas para o país real. São os maiores criminosos. Fazem de conta que não estão vendo nada. Esta grande rede de conivências corporativas começa nas faculdades de comunicologia.
Não gosto de marcar posição dizendo que é a minha opinião como jornalista que exerce a profissão nos últimos 40 anos, que tem uma história de militância política por 45 anos, sendo quase dois de cadeia; e, por último, com o exercício de quase 20 anos como professor de jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS). Não reivindico a verdade. Apenas uma pequena parte. Com a idade cultivo dúvidas. Sou contra o diploma da hipocrisia. A grande reportagem de hoje é um release da Polícia Federal.
o quilombo dos silva
está sob ameça, policial.
Bairro Três Figueiras, PO.
O título expressa a minha opinião. Livro de fotografia é muito caro. Nos “sebos”, livraria de usados, estes também são vendidos quase que pelo preço de novos. O estado de conservação em geral bom. A procura é sempre grande. É preciso ser um “garimpeiro” dedicado para encontrar alguma coisa interessante. Já consegui várias preciosidades. Alguns Cartier-Bresson foram comprados nos sebos. Em uma dessas Derivas encontrei “Paisagens do Quotidiano – encontros de fotografia”, edição inglês/português,de 1988, do Museu Antropológico, de Coimbra, Portugal. O livro em formato pequeno impede uma boa reprodução de algumas das fotos que ocupam duas páginas. Foi adquirido – a primeira vez – em janeiro de 2000 em Lisboa.

A foto da capa é de Johannes Bakes. Ele nasceu em Essen, na Alemanha, em 1958. Vive e trabalha em Berlim como fotógrafo.

Foto Antônio Júlio Duarte. Nasceu em Lisboa, Portugal, em 1965. Também trabalha como fotógrafo.

Foto de Gabrielle Basilico. Nasceu em Milão, Itália, em 1944. Trabalha em Milão.

Foto de Hannah Strkey. Nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1971. Vive e trabalha em Londres. Já teve alguns livros publicados.

Foto de Joseh Koudelka. Nasceu em Boskovice, Checoslováquia, em 1938. Vive e trabalha como fotógrafo em Paris, na França. Nenhum destes fotógrafos têm 50 prêmios.
O fotojornalismo atual, dos jornalões da mídia corporativa é muito pobre, sendo que o local (tipo ZH) chega ao nível da indigência. Tem editor mandando o fotógrafo “produzir” a melhor foto para aquilo que o jornal ”quer dizer”. Cenografia, cascata, fotocampana é o cardápio-show da alienação cotidiana. É a minha opinião como professor de jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) , com 4o anos de exercício da profissão. 45 de militância política e com um pequeno nível leitura. Graças aos bons deuses nenhum prêmio. Fotografo o cotidiano de Porto Alegre desde 1972, após um período de quase dois anos na cadeia, quando retomo a atividade de jornalista.
estou na contramão
continuo gauche
vou morrer gauche